A Ciência da Religião é uma pesquisa empírica, histórica e sistemática da religião e de religiões. Abrange uma diversiade de disciplinas que analisam e apresentam religiões e fenômenos religiosos sob aspetos específicos.Tradicionalmente distinguem-se: Ciência da Religião Histórica [História da Religião] de Ciência da Religião Sistemática [Sistemática da Religião](HOCK,2010, p. 13)
"A obra do Sociólogo Zygmunt Bauman, pode nos oferecer um diagnóstico das inúmeras faces da nossa sociedade paralizada pelo medo. A série 'O diagnóstico de Zygmunt Bauman' para a Pós-modernidade, reflete sobre o despertar do sono da modernidade, a crença na razão e na vida administrada.Discutem a Pós-modernidade em suas varios aspetos, o Cientista da Religião Frank Usarski , os Filosófos, Luiz Felipe Pondé e Franklin Leopoldo e Silva e a Psicanalista e professora Catherina Koltai,"
Frank Usarski - Religião na pós-modernidade primeira parte
Primeira Parte - subparte 1 - de uma palestra de Frank
Usarski, Professor da PUC, sobre a Religião na Pós-Modernidade. Uma análise
baseada no pensamento de Zygmunt Bauman.
Segunda parte
Terceira parte
Luiz Felipe Pondé - A Pós-Modernidade (Zygmunt Bauman)
Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé filosofo brasileiro que nos guia neste vídeo, em uma conversa
filosófica, pela perspectiva do filosofo polonês Zygmunt Bauman, a crise no
homem pós-moderno pela busca da felicidade, sobre seus valores e suas buscas,e
os resultados das utopias criada pelo homem moderno através da razão.
Franklin Leopoldo e Silva - A ética pós-moderna
A pós-modernidade, conceito filosófico, social e
psicológico, é marcada por uma série de desafios. Sua raiz é o despertar do
sono dogmático da modernidade e sua crença na razão instrumental e na vida
administrada. As utopias modernas jazem sob os escombros do projeto iluminista.
Neste cenário, a obra do sociólogo Zymunt Bauman pode nos fornecer um
diagnóstico das inúmeras faces de nossa sociedade paralisada pelo medo.
Catherina Koltai: A família pós moderna amor e liberdade
Catherina Koltai discute a possibilidade de se amar depois
de toda liberdade conquistada desde a consolidação da modernidade. A partir de
reflexões sobre as obras de Freud e Zygmunt Bauman que tratam do mal estar, ela
reflete sobre as diferenças entre a infelicidade moderna e a infelicidade
pós-moderna. Ela põe em discussão a percepção de que o moderno era infeliz
porque era civilizado e reprimido e o pós-moderno é infeliz porque é livre.
LER MAIS EM:
MELCHIOR, Marcelo Nascimento do : A religião Pós-moderna em Zygmunt Bauman. Disponível em: http://www.abhr.org.br/wp-content/uploads/2013/01/art_MELCHIOR_pos_moderna_bauman.pdf
Madre
Teresa de Calcutá é considerada uma santa. Assim a opinião pública decidiu – e,
daí para frente, sua santidade não foi mais questionada, fizesse ela o que
fizesse.
O modo como aceitava dinheiro e favores de ladrões e corruptos. Um
dos casos mais famosos é o de Charles Keatings, do Lincoln Savings and Loan, da
Califórnia.
Charles era um católico fundamentalista. Foi condenado a 10 anos de prisão por
roubar em torno de US$ 252.000.000 de 17.000 fundos de aposentadoria de gente
humilde. Mas, deu a ela mais de um milhão de dólares e lhe emprestava com
freqüência seu avião particular. Em troca,
ele fazia uso de seu prestígio como “santa”. E ainda queria se comparar ao
apóstolo Paulo... Note-se que o apóstolo Paulo vivia do próprio trabalho e
não às custas dos crentes. As pessoas
enviavam a ela milhões e milhões de dólares em donativos para que ela
construísse seus hospitais. Apenas numa conta, nos EUA, havia mais de US$ 50
milhões. O resto estava espalhado pelo mundo (menos na Índia, onde
ela teria que prestar contas pelo que recebia). Entretanto,
esse dinheiro era usado para construir novos conventos da ordem pelo mundo.
Quando ela morreu, as irmãs já estavam instaladas em 150 países. Seus hospitais
eram, na verdade, galpões rústicos e mal-equipados aonde as pessoas iam para
morrer. Não havia
médicos nem higiene e os “diagnósticos” eram feitos por leigos, como as irmãs e
os voluntários. E não havia interesse em se encaminhar os doentes para hospitais
de verdade. A idéia era a de que se deitassem nas macas ou no chão e
sofressem até morrer.
Em todos
eles havia um quadro na parede que dizia: “Hoje eu vou para o Céu”. Faltava
morfina, anestésicos e antibióticos. Apesar dos milhões nos bancos, que permitiriam
a construção de hospitais-modelo, a economia era a palavra de ordem. As
injeções, quando havia o que injetar, eram feitas com agulhas lavadas na
torneira e que eram usadas até ficarem rombudas e provocarem enorme sofrimento
nos doentes.
Penalizadas, as voluntárias pediam dinheiro para comprar agulhas novas; mas, as
irmãs insistiam na virtude da pobreza. E quando uma irmã ficava doente? “Reze”,
era a resposta.
Aliás,
madre Teresa dava grande importância ao sofrimento. Dizia que o sofrimento dos
pobres purificava o mundo e que eles davam um belo exemplo (e, naturalmente,
não fazia nada para reduzi-lo). Será que alguém perguntou a opinião dos pobres?
Note-se, contudo, que quando ela própria ficava doente, corria a internar-se
nos melhores e mais caros hospitais, jamais em suas “Casas de Moribundos”.
Apesar de toda sua fortuna, madre Teresa insistia em manter a imagem de uma
ordem de irmãs pobres e mendicantes. Tudo tinha que ser mendigado a cada dia:
comida, roupas, serviços. Se a coleta fosse pequena, comia-se menos. Em certa
ocasião, as irmãs receberam um grande carregamento de tomates e, para que não
se estragassem, fizeram extrato. Foram severamente repreendidas por madre
Teresa: “Quem guarda comida de um dia para o outro, está duvidando da Providência
Divina”. Assista este video e tire suas proprias conlusões!!
Interação entre as religiões orientais e ocidentais
A ciência é maior que a religião?
Frank Usarski é "Livre Docente na área de Ciências da Religião pela PUC-SP,
Doutor com tese sobre os mecanismos e motivos da estigmatização pública de
Novos Movimentos Religiosos na Alemanha Ocidental (1987) e pós-doutorado
(1992-93) na área de Ciência da Religião pela Universidade de Hannover
(Alemanha) sobre o papel das religiões nas Exposições Mundiais entre 1851 e
1900. Desde sua chegada no Brasil em 1998 faz parte do Programa de
Pós-Graduação em Ciências da Religião da PUC-SP. Entre suas atividades
acadêmicas destacam-se a pesquisa, o ensino e diversas publicações sobre as
Religiões Orientais bem como sobre a história e o perfil atual da Ciência da
Religião. Além disso é fundador e editor da Revista de Estudos da Religião (REVER) e líder do
grupo de pesquisa Centro de Estudos de Religiões Alternativas de Origem
Oriental no Brasil (CERAL)". (informações extraídas do currículo Lates em 16/06/2016)
As pessoas
estão sempre a falar de religião. O grande Christopher Hitchens, já
falecido, escreveu um livro chamado "Deus Não É Grande", cujo
subtítulo era "Como a religião envenena tudo". Mas no mês
passado, na revista Time, o rabi David Wolpe que, vim a saber, é chamado o
rabi da América, disse para contrabalançar essa caracterização negativa que não pode haver nenhuma forma de mudança social a não ser
através da religião organizada.
Observações
deste tipo, tanto negativas como positivas, são muito antigas. Tenho
aqui no meu bolso uma delas do século I a.C, de Lucrécio, o autor de
"Sobre a Natureza das Coisas", que disse: "Tantum religio potuit suadere malorum" —
devia ter aprendido isto de cor, ou seja, "A tantos males pode a
religião persuadir". Referia-se à decisão de Agamémnon de pôr a
sua filha Ifigénia no altar de sacrifícios, a fim de preservar as
perspetivas do seu exército. Portanto, tem havido longos debates sobre
religião ao longo dos séculos, podemos mesmo dizer, ao longo de milênios. As
pessoas falam muito sobre isso e dizem coisas boas e más e coisas
indiferentes sobre ela.
Aquilo de
que vos quero convencer hoje é uma afirmação muito simples: é que
estes debates de certa forma, são estapafúrdios, porque não existe
essa coisa de religião sobre a qual se façam essas afirmações. Não há
uma coisa chamada religião e, portanto, não pode ser boa ou má. Nem
sequer pode ser indiferente. Se pensarmos nas afirmações sobre a não existência
das coisas, uma forma óbvia de tentar estabelecer a não existência
duma determinada coisa será apresentar uma definição para essa coisa e
depois ver se há alguma coisa que a satisfaça. Para começar, vou
iniciar-me nessa via.
Se
procurarem nos dicionários e pensarem nisso, uma definição muito
natural de religião é a que envolve a crença em deuses ou em seres
espirituais. Como disse, isto é em muitos dicionários, mas também a
encontraremos na obra de Sir Edward Tylor, que foi o primeiro professor
de antropologia em Oxford, um dos primeiros antropólogos modernos. No
seu livro sobre a cultura primitiva, diz que o cerne da religião é aquilo
a que chamou animismo, ou seja, a crença numa ação espiritual, a
crença em espíritos. O primeiro problema para esta definição vem num
recente romance de Paul Beatty chamado "Tuff". Um homem conversa
com um rabi. O rabi diz que não acredita em Deus. O homem diz: "És
um rabi, como é que não acreditas em Deus?" E a resposta é: "É o
que há de grandioso em ser judeu. "Não é preciso acreditar num Deus
'per se', "basta ser judeu". Portanto, se este homem é um
rabi, e um rabi judeu, e se é preciso acreditar em Deus para ser
religioso, temos que tirar a conclusão muito pouco intuitiva de que,
se é possível ser um rabi judeu sem acreditar em Deus, o judaísmo não
é uma religião. Isto parece um pensamento muito pouco intuitivo.
Há outro
argumento contra esta perspectiva. Um amigo meu, um amigo meu indiano, foi
à casa do avô, quando ainda era muito jovem, em criança, e disse-lhe: "Quero
falar de religião". O avô disse: "És muito novo. Volta
quando fores adolescente". Ele voltou quando era adolescente e
disse ao avô: "Agora talvez seja tarde demais "porque descobri
que não acredito em deuses". E o avô, que era um homem sábio, disse: "Oh,
então pertences ao ramo ateísta "da tradição hindu".
E, por fim,
há este homem que todos sabem que não acredita em Deus. Chama-se
Dalai Lama. Brinca muitas vezes por ser um dos principais ateus do mundo. Mas
é verdade, porque a religião do Dalai Lama não envolve a crença em Deus.
Ora bem,
podem pensar que isto apenas mostra que eu vos dei a definição errada e
que devia aparecer com outra definição qualquer e testá-la contra estes
casos. Procurar e descobrir qualquer coisa que capte o judaísmo
ateísta, o hinduísmo ateísta, e o budismo ateísta como formas de
religiosidade. Na verdade, acho que é uma má ideia. E acho que é uma
má ideia porque penso que não é assim que funciona o nosso conceito
de religião. Penso que o nosso conceito de religião funciona com
aquele que temos. Temos uma lista de religiões paradigmas e dos seus
subgrupos. Se aparece alguma coisa de novo que pretenda ser uma
religião, o que perguntamos, é: "Será parecida com alguma
destas?" E penso que não é só como pensamos sobre a religião, mas
é, como sempre foi, do nosso ponto de vista, que tudo nessa lista tem
que ser uma religião. Por isso penso que um conceito de religião, que
exclua o budismo e o judaísmo, tem hipóteses de ser um bom começo porque
estes estão na nossa lista. Mas, porque é que temos esta lista? O que
se passa? Como é que aconteceu termos esta lista?
Penso que a
resposta é muito simples e, portanto, crua e controversa. De certeza
muita gente discordará, mas eis a minha história. Verdadeira ou não, é
uma história que eu acho que vos dará uma boa ideia de como a lista poderá
ter aparecido. Talvez vos possa pôr a pensar sobre o uso que a lista
pode ter. Penso que a resposta é: Os viajantes europeus, por volta da
época de Colombo, começaram a passear pelo mundo. Eram provenientes
duma cultura cristã e, quando chegavam a um sítio novo, reparavam que
alguns povos não tinham cristianismo e faziam a si mesmos esta pergunta: "O
que é que eles têm em vez do cristianismo?" E essa lista, na sua
essência, foi construída, foi formada pelas coisas que os outros povos
tinham, em vez do cristianismo.
Ora, há uma
dificuldade em prosseguir por esta via. O cristianismo é extremamente... mesmo
nesta lista, é uma tradição extremamente específica. Tem nele todo o tipo
de coisas que são muito, muito particulares que são o resultado da
especificidade da história cristã. E uma coisa que está no seu âmago, uma
coisa que está no âmago da compreensão do cristianismo, que é o resultado
da história específica do cristianismo, é que é uma religião recheada de
credos. É uma religião em que as pessoas se preocupam realmente sobre
se acreditam no que é correto. A história interior do cristianismo é,
sobretudo, a história de pessoas que matam outras porque elas acreditavam
na coisa errada e também está envolvida em guerras com outras
religiões, que começam obviamente na Idade Média, na luta com o
Islão, em que, de novo, foi a infidelidade, o fato de não acreditarem
nas coisas certas, que pareciam tão ofensivas ao mundo cristão. É uma
história muito específica e especial que o cristianismo tem e não é
em toda a parte que se põe tudo numa lista como esta. Aqui há outro
problema. Aconteceu uma coisa muito específica. Já fora anunciada
antes, mas aconteceu uma coisa muito específica na história do tipo
de cristianismo que vemos à nossa volta, sobretudo hoje nos Estados
Unidos. Aconteceu no final do século XIX. Essa coisa específica que
aconteceu no final do século XIX foi uma espécie de acordo que foi
cancelado entre a ciência, essa nova forma de organizar a autoridade
intelectual, e a religião. Se pensarmos no século XVIII, se
pensarmos na vida intelectualantes do final do século XIX, tudo o que
fazíamos, tudo aquilo em que pensávamos, quer fosse o mundo físico, o
mundo humano, o mundo natural, para além do mundo humano ou da moral, tudo
o que fazíamos estava enquadrado num cenário dum conjunto de
pressupostos que eram religiosos: os pressupostos cristãos. Não
podíamos dar uma explicação do mundo natural que não dissesse
qualquer coisa sobre a sua relação, por exemplo, com a história da criação na
tradição de Abraão, a história da criação no primeiro livro da Torá. Portanto,
tudo estava enquadrado desse modo.
Mas isso
mudou no final do século XIX. Pela primeira vez, é possível que as
pessoas desenvolvam carreiras intelectuais sérias, como os historiadores
naturais, como Darwin. Darwin preocupou-se com a relação entre o que
dizia e as verdades da religião, mas pôde prosseguir, pôde escrever
livro sobre o seu tema sem ter que dizer qual era a relação com as
afirmações religiosas. Os geólogos puderam falar sobre isso cada vez mais. No
início do século XIX, se os geólogos falassem sobre a idade da Terra, teriam
que explicar se isso era consistente, com a idade da Terra implícita
no relato do Génesis. No final do século XIX, podíamos escrever um manual
de geologia com argumentos sobre a idade da Terra. Portanto, foi uma
grande mudança. Essa divisão intelectual do trabalho ocorre, e de
certo modo, solidifica-se, de modo que, no final do século XIX na Europa, há
uma real divisão intelectual de trabalho. Podemos fazer todo o tipo de
coisas sérias incluindo, de modo crescente, a própria filosofia,sem sermos
constrangidos pelo pensamento: "O que eu tenho que dizer tem que ser
consistente "com as verdades profundas que me foram dadas "pela
nossa tradição religiosa".
Imaginem
alguém saído desse mundo, desse mundo do final do século XIX, a
chegar ao país em que eu cresci, o Gana, à sociedade em que eu cresci, em
Ashanti a chegar a esse mundo no virar do século XX com esta
pergunta que eu pus na lista: "O que é que eles têm em vez do
cristianismo?"
Bem, há
aqui uma coisa em que teriam reparado. A propósito, houve uma pessoa que
reparou. Foi o capitão Rattray. Foi um antropólogo do governo
britânico, que escreveu um livro sobre a religião ashanti.
Isto é um
disco-alma, Há muitos no Museu Britânico. Podia dar-vos uma história
interessante, diferente de como há tantas coisas da minha sociedade que
acabaram no Museu Britânico... Mas não há tempo para isso. Este objeto é
um disco-alma. O que é um disco-alma? Usava-se ao pescoço dos
lavadores de almas do rei ashanti. Qual era a sua função? Lavar a alma do
rei. Levaria muito tempo para explicar como é que uma alma era uma
coisa que podia ser lavada, mas Rattray percebeu que era uma religião porque
havia almas em jogo.
E do mesmo
modo, havia muitas outras coisas, muitas outras práticas. Por
exemplo, sempre que alguém tomava uma bebida, despejava um pouco no chão no
que se chamava uma libação. e davam um pouco aos antepassados. O meu
pai fazia isso. Quando abria uma garrafa de "whisky", — e
fazia-o com frequência — tirava a rolha e despejava um pouquinho no chão, falava
com Akroma-Ampim, o fundador da nossa linhagem. ou com Yao Antony, o meu
tio-avô, falava com eles, oferecia-lhes um pouco daquilo.
E, por fim,
havia enormes cerimoniais públicos. Isto é um desenho do início do séc.
XIX de um oficial militar britânico de um cerimonial desses, em
que o rei estava envolvido. A função do rei, uma parte principal da
sua função, para além de organizar a guerra e coisas dessas, era
tomar conta dos túmulos dos seus antepassados. Quando morria um rei bom, o
banco onde ele se sentava era enegrecido e colocado no templo real
ancestral e, todos os 40 dias, o rei de Ashanti tinha que lá ir e
prestar culto aos seus antepassados. Era parte importante do seu cargo. Acreditava-se
que se ele não fizesse isso,as coisas desmoronar-se-iam. Portanto, temos
aqui uma figura religiosa, — como Rattray teria dito — e também uma
figura política.
Tudo isto
contou como religião para Rattray. Mas o meu ponto é que, quando
olhamos para as vidas dessas pessoas, também percebemos que, sempre que
elas fazem qualquer coisa, estão conscientes dos antepassados. Todas
as manhãs, ao pequeno-almoço, podemos sair pela porta da rua, fazer
uma oferenda ao deus-árvore, o "nyame dua", em frente de casa e,
de novo, falar com os deuses, os altos deuses e os baixos deuses, os
antepassados, etc. Isto é um mundo em que ainda não se deu a
separação entre a religião e a ciência. A religião ainda não foi separada de
quaisquer outras áreas da vida e, em especial, o que é fundamental compreender
sobre este mundo, é que é um mundo em que a função que a ciência
exerce para nós é feita pelo que Rattray vai chamar de religião porque, se
querem uma explicação de qualquer coisa, porque é que as colheitas falharam, porque
é que está a chover ou não está a chover, se precisam da chuva, se
querem saber porque é que o avô morreu, vão apelar a essas mesmas
entidades, na mesma linguagem, falar com os mesmos deuses sobre isso. Por
outras palavras, esta grande separação entre a religião e a ciência ainda
não ocorreu.
Ora bem,
isto seria uma curiosidade meramente histórica exceto que, em muitas
partes do mundo, isto continua a ser verdade. Tive o privilégio de ir
a um casamento outro dia no norte da Namíbia, a 30 km do sul da
fronteira com Angola numa aldeia de 200 pessoas. Eram pessoas
modernas. Estava lá a Oona Chaplin, de que já devem ter ouvido falar. Uma
pessoa da aldeia foi ter com ela e disse: "Vi-a em 'A Guerra dos
Tronos'". Portanto, não eram pessoas que estivessem isoladas do nosso
mundo mas, apesar disso, para elas, os deuses e os espíritos ainda
estão muito presentes. Quando íamos de autocarro para os diversos
locais da cerimónia rezavam, não de modo genérico, mas pela segurança
da viagem e faziam-no com convicção. Quando me disseram que a minha
mãe — a mãe do noivo —estava connosco, não o disseram de modo figurativo. Queriam
dizer — apesar de ela já ter morrido —queriam dizer que ela continuava ali. Portanto,
em muitos sítios do mundo, hoje em dia, a separação entre a ciência e a
religião não ocorreu em muitos sítios do mundo. E, como digo, não
são... Este homem trabalhou para o Chase Bank e para o Banco Mundial. (Risos) São
cidadãos do mundo tal como nós. mas vêm dum local em que a religião
ocupa um papel muito diferente
O que eu
queria que vocês pensassem, quando alguém fizer uma grande generalização
sobre religião,é que talvez não exista essa coisa de religião, e que,
portanto, o que eles dizem, pode não ser verdade.
"Para a grande maioria dos muçulmanos
praticantes, jihad é uma luta interna pela fé. É uma luta interior,
uma luta contra vício, pecado, tentação, luxúria, ganância. É uma
luta para tentar e viver uma vida que seja baseada em códigos morais
escritos no Alcorão. Na ideia original, o conceito de jihad é tão
importante para muçulmanos como a ideia de graça é para cristãos. É
uma palavra muito poderosa, jihad, se você olhar neste aspecto, e existe
uma quase mística ressonância nela. E é essa a razão pela qual, por
centenas de anos, muçulmanos em toda parte tem chamado seus filhos por
Jihad, suas filhas tanto quanto seus filhos, da mesma forma que, digamos,
cristãos chamam suas filhas de Graça, e hindus, meu povo, nomeiam suas
filhas por Bhakti, que significa, em sânscrito, "culto
espiritual".
Porém sempre existiu, no Islã, um
pequeno grupo, uma minoria, que acredita que jihad não é apenas uma
luta interior, mas também uma luta exterior contra forças que poderiam
ameaçar a fé, ou os seguidores dessa fé. E algumas dessas pessoas
acreditam que nesta luta, é válido usar armas às vezes. E assim, milhares
de rapazes muçulmanos que emigraram para o Afeganistão nos anos 1980 para
lutar contra a ocupação soviética de um país muçulmano, em suas cabeças
eles estavam lutando uma jihad,eles estavam realizando jihad, e chamaram a
si mesmos os "mujahideen", que é uma palavra oriunda da mesma
raiz de jihad. E nós esquecemos isso agora, mas naquele tempo os
mujahideen eram celebrados neste país, nos Estados Unidos.. Nós pensávamos
neles como guerreiros sagrados que estavam lutando a boa guerra contra os
comunistas ateus. Os Estados Unidos forneceram armas, dinheiro, apoio,
encorajamento.
Mas dentro daquele grupo, uma parte
ainda menor, uma minoria dentro de uma minoria dentro de uma minoria, estava
emergindo com um novo e perigoso conceito de jihad, e depois esse
grupo seria liderado por Osama bin Laden, e ele refinou a ideia. Sua
ideia de jihad era de uma guerra global de terror,primariamente dirigida ao
longínquo inimigo, ao cruzados do Oeste, contra os Estados Unidos. E
as coisas que ele fez para buscar esta jihad foram tão horrendas e
mostruosas, e tiveram tão grande impacto, que sua definição foi a que
permaneceu, não apenas aqui no mundo ocidental. Não conhecíamos outra
forma. Não paramos para perguntar. Apenas assumimos que se este homem
insano e seus seguidores psicopatas estavam chamando o que fizeram de
"jihad", então isso é o que "jihad" deveria significar. Mas
não era apenas nós. Até no mundo muçulmano, sua definição de
"jihad" começou a ganhar aceitação.
Um ano atrás eu estava em Tunis e
encontrei o sacerdote (imam) de uma pequenina mesquita, um idoso .Quinze
anos atrás, ele batizou sua neta "Jihad", seguindo o antigo
significado. Ele esperava que um nome assim a inspirasse a viver uma vida
espiritual. Mas ele contou-me que após 11 de setembro, ele começou a
ter outras reflexões. Ele estava preocupado que se a chamasse pelo nome, especialmente
ao ar livre, fora de casa em público, poderia ser visto como apoiador à
ideia de "jihad" de Bin Laden. Às sextas em sua mesquita, ele
dava sermões tentando resgatar o significado da palavra, mas seus
fiéis, as pessoas que vieram à sua mesquita, eles têm visto os vídeos.
Eles têm visto imagens de aviões batendo em torres, as torres caindo. Eles
ouviram Bin Laden dizer que isso era "jihad", e reivindicando
vitória por isso. E então o velho sacerdote preocupou-se que suas palavras
não estão sendo ouvidas. Ninguém estava prestando atenção.
Ele estava errado. Algumas pessoas
estavam atentas, mas por motivos errados. Os Estados Unidos, nesse
ponto, estavam pressionando todos seus aliados árabes, incluindo a
Tunísia, para acabar com o extremismo em suas sociedades, e esse
sacerdote se encontrou repentinamente na mira do serviço de inteligência
tunisiano. Eles nunca tinham prestado atenção antes ao idoso da
pequena mesquita - mas agora eles começaram a prestar atenção, e às
vezes arrastá-lo para questionamentos, e sempre com a mesma pergunta: "Por
que você batizou sua neta de 'Jihad'? Por que continua usando a palavra
"jihad" nos sermões de sexta-feira? Você odeia os
norte-americanos? Qual é sua conexão com Osama Bin Laden?"
Então para a agência de inteligência
tunisiana, e organizações similares em todo o mundo árabe, "jihad"
é igual a extremismo, A definição de Bin Laden se institucionalizou. Este
foi o poder da palavra que ele foi capaz de fazer. E isso encheu o idoso,
encheu-o com grande tristeza. Ele me contou que, de todos os crimes de Bin
Laden, este era, a seu ver, um que não teve atenção suficiente, que
ele roubou essa palavra, essa ideia linda. Ele não apenas apropriou-se
dela, mas a sequestrou e a rebaixou e corrompeu e transformou-a em algo
que ela jamais foi, e então convenceu todos nós que sempre foi uma
jihad global.
Mas a boa notícia é que a jihad
global está quase acabada, como Bin Laden a definiu. Esta morrendo bem
antes dele próprio, e agora está em seus últimos passos. Pesquisas de
opinião em todo o mundo árabe mostram que há muito pouco interesse entre
muçulmanos numa guerra santa global contra o mundo ocidental, contra
o distante inimigo. O apoio de jovens desejosos de lutar e morrer pela
causa está diminuindo. O suprimento de dinheiro -- tão importante, ou
talvez mais importante -- o suprimento de dinheiro para esta atividade
está diminuindo. Os fanáticos ricos que estavam antes financiando
esse tipo de atividade estão agora menos generosos.
O que isso significa para nós no mundo
ocidental? Significa que podemos abrir nossas champagnes, lavar as mãos,
despreocupar, dormir bem? Não. Despreocupar não é uma opção, porque
se deixar a jihad local sobreviver, ela se torna jihad internacional.
Hoje há muitas e diferentes jihads
violentas em todo o mundo. Na Somália, em Mali, na Nigéria, no
Iraque, no Afeganistão, Paquistão, há grupos que reivindicam serem os
herdeiros do legado de Osama Bin Laden. Eles usam seu discurso. Eles
até usam o nome da marca que ele criou para sua jihad. Então existe agora
umaAal Qaeda no Maghreb islâmico,existe uma Al Qaeda na Península Árabe, existe
uma Al Qaeda na Mesopotâmia. Há outros grupos -- na Nigéria, Boko Haram, na
Somália, Al Shabaab -- e todos eles prestam homenagem a Osama Bin Laden. Mas se
você olhar de perto, eles não lutam uma jihad global. Eles estão
lutando batalhas em questões muito menores. Geralmente, tem a ver com
etnia ou raça ou sectarismo, ou é uma luta por poder. Na maioria das
vezes, é uma luta por poder em uma país ou mesmo uma pequena região dentro
de um país.Ocasionalmente, eles atravessam fronteiras, do Iraque para
Síria, de Mali para Argélia, da Somália para Quênia, mas eles não lutam uma
jihad global contra algum inimigo distante.
Mas isso não significa que
podemos relaxar. Estava no Iêmen recentemente, onde é a casa da
última franquia Al Qaeda que ainda aspira atacar os Estados Unidos, atacar
o mundo ocidental. É a velha escola da Al Qaeda. Você deve lembrar
desses caras. Eles são os que tentaram enviar um homem-bomba para cá, e
eles estavam usando a Internet para tentar e instigar a violência entre
muçulmanos americanos. Mas eles foram confundidos recentemente. Ano
passado, eles tomaram o controle de uma porção sulina do Iêmen, e a
administraram ao estilo do Taliban. E então os militares do Iêmen se
recompuseram, e pessoas comuns se levantaram contra esses caras e os
expulsaram, e desde então a maioria de suas atividades, a maioria de seus
ataques estão sendo dirigidos ao povo do Iêmen.
Então eu penso que chegamos ao ponto
agora onde podemos dizer que, assim como toda política, toda jihad é
local. Mas que ainda não é razão para nos despreocuparmos, porque já
vimos esse filme antes no Afeganistão. Quando aqueles mujahideen
derrotaram a União Soviética, nós nos despreocupamos. E mesmo antes
de terminar o barulho de abrir a champagne, o Talibã havia tomado Kabul, e
dissemos, "Jihad local, não é nosso problema." E então o Talibã
deu as chaves de Kandabar para Osama bin Laden. Ele tornou isso nosso
problema. Jihad local, se você a ignora, torna-se jihad global novamente.
A boa notícia é que isso não precisa
que acontecer. Sabemos como combatê-la agora. Temos as ferramentas.
Temos o conhecimento e podemos pegar as lições que aprendemos da luta
contra a jihad global, da vitória contra a jihad global, e aplicá-las à
jihad local.
Quais são essas lições? Sabemos quem
matou bin Laden: Equipe 6 da SEAL (equipe de operações especial da marinha
dos EUA) Nós sabemos, compreendemos quem matou o bin Ladenismo? Quem
pôs fim à jihad global? Aí estão as respostas para resolver a jihad local.
Quem matou o bin Ladenismo? Começou
pelo próprio bin Laden. Ele provavelmente pensou que o 11 de setembro fora
uma grande conquista. Na verdade, foi o começo de seu fim. Ele matou
3 mil pessoas inocentes e isso encheu o mundo muçulmano de horror e
repulsa, e isso significou que sua ideia de jihadjamais poderia ser a
corrente principal. Ele se condenou a operar na marginalidade de sua
própria comunidade. 11 de setembro não lhe deu poder, mas o amaldiçoou.
Quem matou o bin Ladenismo? Abu Musab
al-Zarqawi o matou. Ele era o sádico chefe da al Qaeda no Iraque que
enviou centenas de homens-bomba suicidas atacar não os americanos, mas os
iraquianos. Muçulmanos, sunitas e também xiitas. Qualquer reivindicação de
que al Qaeda estivesse protegendo o Islam dos cruzados ocidentais afundou
no sangue dos muçulmanos iraquianos.
Quem matou Osama Bin Laden? A equipe 6
da SEAL. Quem matou Bin Ladenismo? Al Jazeera matou, Al Jazeera e
meia dúzia de outras estações (via satélite) de notícias em árabe, porque
eles ultrapassaram as velhas e governamentais estações de TV em muitos
países que eram projetadas para esconder informação do povo. Al
Jazeera trouxe informação para eles, mostrou a eles que o que estava sendo
dito e feito em nome de sua religião, expôs a hipocrisia de Osama Bin
Laden e Al Qaeda, e permitiu a eles, deram-lhes a informação que
permitiu a eles tirarem suas próprias conclusões.
Quem matou o bin Ladenismo? A
Primavera Árabe matou, porque mostrou um caminho para os jovens muçulmanos de
trazer mudança numa maneira que Osama Bin Laden, com sua imaginação
limitada, jamais poderia conceber.
Quem derrotou a jihad global? As
forças militares norte-americanas derrotaram, os soldados americanos, seus
aliados, lutando em campos de batalha distantes. E talvez, chegará a
hora em que eles terão o justo crédito por isso.
Então todos esses fatores, e muitos
outros, que alguns deles sequer compreendemos completamente,se juntaram para
derrotar uma monstruosidade tão grande quanto o bin Ladenismo, a jihad
global, exigiu esse esforço de grupo.
Agora, nem todas essas coisas
funcionarão na jihad local. As forças militares norte-americanas não
marcharão na Nigéria para pegar grupo Boko Haram, e é improvável que
a Equipe 6 da SEAL irá invadiras casas de líderes do Shabaab para pegá-los.
Mas muitos desses outros fatores que
estavam em jogo são agora mais fortes que antes. Metade do trabalho já foi
feito. Não temos que re-inventar a roda. A noção de jihad violenta
onde mais muçulmanos são mortos mais que qualquer outro povo já está
totalmente desacreditada. Não precisamos voltar nisso. Tv via
satélite e Internet estão informando e dando poder a jovens muçulmanos de
forma nova e estimuladora. E a Primavera Árabe produziu governos, muitos
deles governos islâmicos, que sabem que, para sua própria continuidade, precisam
pegar os extremistas em seu meio. Não precisamos os persuadir, mas
precisamos realmente ajudá-los porque eles não estiveram nessa situação
antes.
A boa notícia, novamente, é que muitas
coisas que eles precisam nós temos, e somos bons em dar:assistência
econômica, não apenas dinheiro, mas perícia, tecnologia, conhecimento
prático,investimento privado, termos justos de comércio, medicina,
educação, suporte técnico para treinamentopara suas forças policiais
tornarem-se mais efetivas, para suas forças anti-terroristas tornarem-se
mais eficientes. Nós temos muitas dessas coisas.
Algumas das outras coisas de que
precisam não somos muito bons em dar. Talvez ninguém seja.Tempo,
paciência, sutileza, compreensão -- essas são difíceis de dar. Eu
moro em Nova York agora. Nesta semana, posters foram fixados nas estações
de metrô de Nova York descrevendo jihad como selvagem.
Mas em todos os muitos anos que cobri
o Oriente Médio, nunca fui tão otimista como sou hoje que a diferença
entre o mundo muçulmano e o ocidente está diminuindo rapidamente, e
uma das muitas razões para meu otimismo é porque sei que existem milhões, centenas
de milhões de pessoas, muçulmanos como o velho sacerdote em Tunis, que
estão recuperando essa palavra e restaurando seu belo propósito original. Bin
Laden está morto. Bin Ladenismo foi derrotado. Sua definição de jihad pode
ser apagada agora. Para essa jihad, podemos dizer "Adeus. Boa
viagem." Para a verdadeira jihad, podemos dizer "Bem-vinda de
volta. Boa sorte."
Na filosofia, é sabido que as religiões sempre tiveram papel essencial naquilo que os povos compreendem como fundamento dos valores morais. Religiões são, por isso, definidos costumeiramente como sistemas de sentido para a vida das pessoas neste mundo e no mundo vindouro que elas acreditam existir.
Originalmente, moral é ética são sinônimos e descendem do que foi escrito por filósofos como Aristóteles na Grécia, e Cícero em Roma. Ambos descrevem o que seriam hábitos e costumes de um povo, e as normas que os regram e que deles brotam a partir da tradição de comportamento herdado e das discussões que as pessoas estabelecem conscientemente ao longo do tempo de vida delas e de suas instituições IIgrejas, escolas, famílias, governos, arte etc.).
Com o tempo, moral acabou por constituir-se no estudo mais amplo desse espectro de hábitos e costumes, e a ética passou a designar a disciplina filosófica específica que busca estabelecer as normas para esses comportamentos de modo reflexivo e racional. A medida que a sociedade ocidental se modernizou, hábitos e costumes foram sendo dilacerados e contaminados pela ciência moderna e pelo secularismo, implicando um esforço comum de enfrentamento desses processos de desencaixe das tradições antigas e medievais. Entre elas, as crenças fundamentais do Cristianismo.
Referência:
PONDÉ, Luiz Felipe. O catolicismo hoje.- São Paulo: Benvirá, 2011. 136p.- (Para entender).
No séc. IV, o filósofo cristão grego Evágrio do Ponto elaborara para os "maus desejos" a teoria dos oito pecados capitais: soberba, avareza, inveja, ira, luxuria, gula, preguiça, e tristeza. No séc. VII, a Igreja Validaria a tese de Evárgio, suprimindo a tristeza.Assim reduzindo a lista para que os sete pecados capitais tão bem conhecidos no Ocidente. A superação deu-se justamente porque a tristeza, ao contrário das demais faltas, não corresponde a um desejo. Na teoria moderna para a depressão, trata-se exatamente de ausência de qualquer desejo. Donde poderíamos concluir que ou se é escravo do desejo, ou se é escravo da depressão [...]
Prazeres & Pecados, dirigido por Leonardo Brant, aborda os contrastes e alterações dos códigos morais no mundo contemporâneo.O que é proibido e o que é permitido na sociedade atual? Quais são os códigos morais e referenciais éticos que permeiam atitudes, moldam o cidadão contemporâneo e constroem a ideia de futuro e convívio em sociedade?
GULA
AVAREZA
INVEJA
IRA
LUXURIA
PREGUIÇA
SOBERBA
Direção e argumento: Leonardo Brant
Com a colaboração de: Caio Amon
Produção Executiva Claudia Taddei e Leonardo Brant
Direção de Fotografia Leandro Virno
Montagem, som, trilha e finalização: Caio Amon
Correção de cor: Edu Rabin
Produção:Graziela Mantoanelli
Assistente de produção: Giulliano Dierchx
Maquiagem: Cristina Lopes
Participação especial: Leandro Karnal, Luiz Felipe Pondé, Luiz Estevam de
Oliveira Fernandes, Padre Contieri, José Alves de Freitas Neto e Oswaldo
Giacoia
Produção Cultural: Comtato
Produção audiovisual: Deusdará
Internet: Caio Amon, Lucas Guedes, Matheus Pichonelli
Apoio: Deusdará, Comtato, CPFL Cultura
Patrocínio: CPFL Energia
Realização: Ministério da Cultura
Esta produção faz parte do projeto Mostra do Contemporâneo sob o Programa de
Apoio à Cultura - PRONAC 127044
FONTE:
SCHOMMER, Aurélio. O Evangelho segundo a filosofia: do filósofo Jesus às ideias sobre Jesus.- 1a ed. Rio de Janeiro: Record 2016
Friedrich Max Müller, (1823-1900), foi um estudioso alemão de linguagem comparada, religião e mitologia. As áreas especiais de interesse de Müller foram a filologia sânscrita e as religiões da Índia. Müller foi educado em sânscrito, a língua clássica da Índia, e outras línguas em Leipzig, Berlim e Paris. Ele mudou para a Inglaterra em 1846 e se estabeleceu em Oxford em 1848, onde se tornou vice professor de línguas modernas em 1850. Ele foi nomeado professor de filologia comparativa em 1868.
Ainda
na época que acontece a institucionalização da Ciência da Religião, teólogos, filósofos e
filólogos europeus como, por exemplo, o suíço Johann Georg Muller, desde 1837
davam cursos da área de história de religiões. Paralelamente, aqui, e ali, o
termo “Ciência da Religião” já havia sido aplicado.
Pelo que se sabe, os
primeiros dois autores que usaram essa designação foram Abbé Prosper Leblanc
(1852) e F. Stiefelhagem (1858), porém, não no sentido estrito como no caso do
orientalista alemão Max Müller, formado em Paris por Eugène Burnouf e desde
1854 contratado pela universidade de Oxford como indólogo e filólogo.
Foi ele
que, no prefácio do seu livro Chips from german Workshop, publicado em 1867 em
Londres, introduziu o termo Ciência da Religião no sentido de uma disciplina
própria. O que Muller esperava tornou-se mais claro no título de uma outra obra
lançada em 1870, Uber die vergleichend
Religionswissenchaft.
Segundo ele, a Ciência da Religião teria de ser uma
disciplina comparativa. Porém, não era muito concreto quanto a programática dessa
nova matéria acadêmica. Mais do que isso, como representante do “paradigma
mitológico-natural”, defendeu uma abordagem cada vez menos aceita à medida que
no séc. XIX aproximava-se de seu fim.
Essa escola de pensamento
iniciada por Adalbert Kuhn n seu livro, Die
Herabkunft dês feures und dês Gottertranks, publicada em 1859 em Berlim,
referiu-se à fisiologia comparativa das línguas dos chamados povos indo-europeus
interpretando os seus resultados de uma maneira específica. No olhar da “escola
mitológica-natural”, figuras mitológicas e religiosas teriam de ser
interpretados como personificações de objetos e fenômenos naturais,
especificamente das grandes estrelas e eventos metrológicos como a tempestade e
a chuva.
Não somente do ponto de vista
de hoje tal paradigma é obsoleto. As teorias de seus representantes já sofreram
fortes críticas de contemporâneos, e Max Muller, o grande popularizador da “escola
mitológica-natural”, tornou-se o objetivo preferido de escárnio. Cada vez mais
desafiado por um paradigma alternativo, o da escola animista de Edward Burnett
Tyler, Müller precisou observar a desmontagem da sua abordagem. Não obstante,
Max Müller é até hoje apreciado como um dos mais importante pioneiros da
Ciência da Religião. Além de ter insistido no status próprio da disciplina, ele
despertou, em suas teses polêmicas, enorme interesse público por sua nova
matéria e “incentivou, em vários sentidos, o uso das fontes, como base obrigatória
do trabalho científico com as religiões. Exatamente por isso a contribuição
mais duradora e valorosa do filólogo alemão foi a organização dos famosos Sacred Books of the Earth. Entre 1879 e
1898, dois anos antes da morte de Müller, a série chegou a 50 volumes.
Referências USARSKI,
Frank. Constituintes da Ciência da Religião: cinco ensaio em prol de uma
disciplina autônoma.- São Paulo: Paulinas, 2006 (Coleção representando a
religião)
GRESCHAT,
Hans-Jürgen. O que é ciência da religião? Trad. Frank Usarski. São Paulo: Ed.
Paulinas, 2005.
O Budismo é um dos fenômenos mais antigos
do mundo. É a quarta religião depois do Cristianismo, do Judaísmo e do
Hinduísmo. O Budismo não é propriamente uma religião mas mais uma filosofia de
vida, visto que, no centro da sua mensagem está o homem; Deus fica numa
enigmática penumbra.
O objectivo do Budismo – não é a fusão em Brama (o
Absoluto), nem a união com Deus, mas chegar ao Nirvana que significa apagar os
fogos da saudade e do apego (este pode ser atingido nesta vida). Ensina a via
para fugir ao sofrimento e à dor.
A História
O verdadeiro nome de Buda (= iluminado) foi Siddharta
Gotama. Nasceu no Nepal, Nordeste da Índia, entre o séc. VI e IV a.C.) (segundo
a tradição por volta do ano 566 a. C.), numa família real do clã Xáquia. O pai,
temendo que pudesse ser abalado por desagradáveis, manteve-o na área do
palácio. Todavia, aos 29 anos, Gotama viu o sofrimento humano, pela primeira
vez, sob a forma de um velho, um doente e um morto. Ao deparar com um asceta
(monge), resolveu seguir essa antiga via e fugir de casa, de noite, deixando a
mulher e a família. Após seis anos de severa austeridade, atingiu o seu
objectivo. Mas não escapara ainda ao sofrimento. Sentado debaixo de uma árvore
Bodhi, a da iluminação, passou por todas as fases de meditação e atingiu a
iluminação, compreendendo a verdadeira natureza do sofrimento. A partir daí foi
conhecido por Buda, literalmente "o acordado", e, durante cerca de 40
anos, até morrer, dedicou-se a ensinar a outros o caminho para chegar à
iluminação.
O espectro de postura do Budismo diante de desafios
inter-religiosos
Ao longo de uma história de mais de dois mil e quinhentos
anos, o Budismo adquiriu um rico repertório de figuras retóricas e estratégicas
argumentativas que lhe permitiram firmar posição em situações inter-religiosas.
Essa pluralidade tem a ver com os seguinte fatos: conforme a teoria de Niklas
Luhman, sistemas abertos como os sociais mantêm suas identidades através da
demarcação nos ambientes em que se desenvolvem. Isso significa, nos termos
da Sociologia da Religião, que qualquer comunidade religiosa convicta de
possuir uma oferta espiritual válida e espacial tem interesse em proteger sua
herança espiritual contra infiltrações externas que poderiam eclodir a
"estrutura de pausibilidade" e a integridade do grupo em questão.
Dentro desse quadro geral, o Budismo primitivo enfrentou
a situação de que, desde a morte de Sidhartha Gautama, a comunidade não possui
mais um porta-voz ou uma hierarquia institucional cuja cúpula pudesse falar em
nome oficial de uma religião relativamente homogênea. Além
das divergências internas, o Budismo foi transplantado para regiões
fora da sua terra de origem e teve de se adequar linguística, doutrinária e
simbolicamente às modalidades de novas culturas.
Em todos os casos o Budismo, foi exposto a uma rede
complexa de fatores feográficas, socioeconômicas e políticas, além de
interesses religiosos multilaterais. A variedade de opções retóricas acumuladas
pelo Budismo corresponde à variedade das circunstâncias. Foram, portanto, os
desafios implícitos nas situações dadas que estimularam o Budismo a elaborar,
aperfeiçoar e modificar respostas adequadas, sejam em conceitos apologéticos,
argumentos em prol da sua autojustificativa e raciocínios proseletistas, sejam
em termos de consenso com o interlocutor alheio sobre um determinado
tópico.
Entre as constelações que desafiaram o
autorreconhecimento do Budismo como credo representativo de ago especial ou
mesmo único, há três que que se deve recordar. São elas:
1. Os esforços do Budismo, como sistema
religioso recém fundado, de se impor em um ambiente ideologicamente
pré-definido pelo Bramanismo;
2. Atividades proseletistas budistas em novos
territórios onde o budismo inicialmente assumiu sua posição minoritária;
3. Processo de expansão do budismo
para o Ocidente, a confrontação do Budismo com contextos multirreligiosos
contemporâneos.
USARSKI, Frank. O Budismo e as outras: encontros e
desencontro entre as grandes religiões mundiais. - Aparecida SP: Editora Ideias
& Lettras, 2009. Budismo: http://religioes.home.sapo.pt/budismo.htm 20/05/2016
[...] Devido às preferência individuais a respeito do escopo e o caráter da matéria, do seu estatuto epistemológico e das suas funções acadêmicas e extra-acadêmicas, não surpreende que o debate tenha trazido um consenso sobre todos os pormenores da necessária adaptação curricular da disciplina oferecida para os candidatos de mestrado. Porém, contribui para verificar uma unanimidade pelo menos sobre os seguintes cinco aspetos intimamente inter-relacionados:
1) Encontra-se uma variedade de nomenclaturas da disciplina. Dependendo da opção pelo singular ou pelo plural das constituintes da denominação, usa-se em diferentes contextos um dos quatro rótulos possíveis: ciências da religião, ciência da religião, ciência das religiões, ciência das religiões. Entretanto essa heterogeneidade pode ser relevante para a apresentação externa da disciplina em seus respetivos ambientes, ela não atinge o consenso de seus representantes sobre a estrutura interna da matéria. Pelo contrário, há unanimidade sobre seu caráter "pluralista", no sentido de uma abordagem "poli-metodológica";
2) Tal pluralidade interna não é um sintoma de falta de reflexão metateórica sobre a disciplina ou de desinteresse por sua autonomia institucional, mas uma consequência da complexidade, ou seja, da multidimensionalidade do seu objeto;
3) A ciência da religião mostra sua competência em liderar com tal riqueza fenomenológica na medida em que atua como uma "ciência integral das religiões" que se constitui mediante um intercâmbio permanente com outras disciplinas cujo saber específico contribui dieta ou indiretamente para um saber mais profundo e completo sobre a religião e suas manifestações múltiplas;
4) A futura prosperidade da ciência da religião depende não apenas da dinâmica entre ela e suas matérias auxiliares "aprovadas" e disciplinas de referência tradicionais, mas também de sua abertura contínua aos discursos inovadores em área de pesquisas até então negligenciadas;
5) A riqueza do material relevante promovido tanto por esforços interdisciplinares quanto pela referência a suas subdisciplinas e disciplinas auxiliares requer do cientista da religião a disponibilidade de submeter seu trabalho individual a uma dinâmica coletiva conforme o princípio da divisão de trabalho organizado de acordo com as especialidade individuais e em função da produção de um conhecimento integrado [...]
USARSKI, Frank. O espectro disciplinar da ciência da religião/ Frank Usarski (org). - São Paulo: Paulinas, 2007.- (Coleção repensando a religião)