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quarta-feira, 29 de junho de 2016

O diagnóstico da Pós-modernidade de Zygmunt Bauman




"A obra do Sociólogo Zygmunt Bauman, pode nos oferecer um diagnóstico das inúmeras faces da nossa sociedade paralizada pelo medo. A série 'O diagnóstico de Zygmunt Bauman' para a Pós-modernidade, reflete sobre o despertar do sono da modernidade, a crença na razão e na vida administrada.Discutem a Pós-modernidade em suas varios aspetos, o Cientista da Religião Frank Usarski , os Filosófos, Luiz Felipe Pondé e Franklin Leopoldo e Silva e a Psicanalista e professora Catherina Koltai," 



Frank Usarski - Religião na pós-modernidade primeira parte

Primeira Parte - subparte 1 - de uma palestra de Frank Usarski, Professor da PUC, sobre a Religião na Pós-Modernidade. Uma análise baseada no pensamento de Zygmunt Bauman.


Segunda parte


Terceira parte


Luiz Felipe Pondé - A Pós-Modernidade (Zygmunt Bauman)


Luiz Felipe de Cerqueira e Silva Pondé filosofo brasileiro que nos guia neste vídeo, em uma conversa filosófica, pela perspectiva do filosofo polonês Zygmunt Bauman, a crise no homem pós-moderno pela busca da felicidade, sobre seus valores e suas buscas,e os resultados das utopias criada pelo homem moderno através da razão.




Franklin Leopoldo e Silva - A ética pós-moderna

A pós-modernidade, conceito filosófico, social e psicológico, é marcada por uma série de desafios. Sua raiz é o despertar do sono dogmático da modernidade e sua crença na razão instrumental e na vida administrada. As utopias modernas jazem sob os escombros do projeto iluminista. Neste cenário, a obra do sociólogo Zymunt Bauman pode nos fornecer um diagnóstico das inúmeras faces de nossa sociedade paralisada pelo medo.



Catherina Koltai: A família pós moderna amor e liberdade

Catherina Koltai discute a possibilidade de se amar depois de toda liberdade conquistada desde a consolidação da modernidade. A partir de reflexões sobre as obras de Freud e Zygmunt Bauman que tratam do mal estar, ela reflete sobre as diferenças entre a infelicidade moderna e a infelicidade pós-moderna. Ela põe em discussão a percepção de que o moderno era infeliz porque era civilizado e reprimido e o pós-moderno é infeliz porque é livre.



LER MAIS EM: 

MELCHIOR, Marcelo Nascimento do : A religião Pós-moderna em Zygmunt Bauman. Disponível em: http://www.abhr.org.br/wp-content/uploads/2013/01/art_MELCHIOR_pos_moderna_bauman.pdf


segunda-feira, 27 de junho de 2016

QUEM FOI MADRE TERESA DE CALCUTÁ?



Madre Teresa de Calcutá, santa ou fraude?

Madre Teresa de Calcutá é considerada uma santa. Assim a opinião pública decidiu – e, daí para frente, sua santidade não foi mais questionada, fizesse ela o que fizesse.

O modo como aceitava dinheiro e favores de ladrões e corruptos. Um dos casos mais famosos é o de Charles Keatings, do Lincoln Savings and Loan, da Califórnia.

Charles era um católico fundamentalista. Foi condenado a 10 anos de prisão por roubar em torno de US$ 252.000.000 de 17.000 fundos de aposentadoria de gente humilde. Mas, deu a ela mais de um milhão de dólares e lhe emprestava com freqüência seu avião particular.

Em troca, ele fazia uso de seu prestígio como “santa”. E ainda queria se comparar ao apóstolo Paulo... Note-se que o apóstolo Paulo vivia do próprio trabalho e não às custas dos crentes.

As pessoas enviavam a ela milhões e milhões de dólares em donativos para que ela construísse seus hospitais. Apenas numa conta, nos EUA, havia mais de US$ 50 milhões. O resto estava espalhado pelo mundo (menos na Índia, onde ela teria que prestar contas pelo que recebia).

Entretanto, esse dinheiro era usado para construir novos conventos da ordem pelo mundo. Quando ela morreu, as irmãs já estavam instaladas em 150 países. Seus hospitais eram, na verdade, galpões rústicos e mal-equipados aonde as pessoas iam para morrer.

Não havia médicos nem higiene e os “diagnósticos” eram feitos por leigos, como as irmãs e os voluntários. E não havia interesse em se encaminhar os doentes para hospitais de verdade. A idéia era a de que se deitassem nas macas ou no chão e sofressem até morrer.

Em todos eles havia um quadro na parede que dizia: “Hoje eu vou para o Céu”. Faltava morfina, anestésicos e antibióticos. Apesar dos milhões nos bancos, que permitiriam a construção de hospitais-modelo, a economia era a palavra de ordem. As injeções, quando havia o que injetar, eram feitas com agulhas lavadas na torneira e que eram usadas até ficarem rombudas e provocarem enorme sofrimento nos doentes.

Penalizadas, as voluntárias pediam dinheiro para comprar agulhas novas; mas, as irmãs insistiam na virtude da pobreza. E quando uma irmã ficava doente? “Reze”, era a resposta.

Aliás, madre Teresa dava grande importância ao sofrimento. Dizia que o sofrimento dos pobres purificava o mundo e que eles davam um belo exemplo (e, naturalmente, não fazia nada para reduzi-lo). Será que alguém perguntou a opinião dos pobres? Note-se, contudo, que quando ela própria ficava doente, corria a internar-se nos melhores e mais caros hospitais, jamais em suas “Casas de Moribundos”.

Apesar de toda sua fortuna, madre Teresa insistia em manter a imagem de uma ordem de irmãs pobres e mendicantes. Tudo tinha que ser mendigado a cada dia: comida, roupas, serviços. Se a coleta fosse pequena, comia-se menos.

Em certa ocasião, as irmãs receberam um grande carregamento de tomates e, para que não se estragassem, fizeram extrato. Foram severamente repreendidas por madre Teresa: “Quem guarda comida de um dia para o outro, está duvidando da Providência Divina”.

Assista este video e tire suas proprias conlusões!!

MADRE TERESA DE CALCUTÁ
Santa ou demônio?


AJO DO INFERNO- MADRE TERESA DE CALCUTÁ


MADRE TERESA DE CALCUTÁ 
(Filme completo)

Leia mais: http://forum.antinovaordemmundial.com/Topico-madre-teresa-de-calcut%C3%A1-santa-ou-fraude#ixzz4CmnW5xy6

quinta-feira, 16 de junho de 2016

FRANK USARSKI - REFLEXÕES


O que define uma religião?

A diversidade da fé 

Fé e espiritualidade nos tempos modernos 

Interação entre as religiões orientais e ocidentais  

A ciência é maior que a religião? 

Frank Usarski é "Livre Docente na área de Ciências da Religião pela PUC-SP, Doutor com tese sobre os mecanismos e motivos da estigmatização pública de Novos Movimentos Religiosos na Alemanha Ocidental (1987) e pós-doutorado (1992-93) na área de Ciência da Religião pela Universidade de Hannover (Alemanha) sobre o papel das religiões nas Exposições Mundiais entre 1851 e 1900. Desde sua chegada no Brasil em 1998 faz parte do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da PUC-SP. Entre suas atividades acadêmicas destacam-se a pesquisa, o ensino e diversas publicações sobre as Religiões Orientais bem como sobre a história e o perfil atual da Ciência da Religião. Além disso é fundador e editor da Revista de Estudos da Religião (REVER) e líder do grupo de pesquisa Centro de Estudos de Religiões Alternativas de Origem Oriental no Brasil (CERAL)". (informações extraídas do currículo Lates em 16/06/2016)   

terça-feira, 14 de junho de 2016

As religiões são boas ou ruins?

Kwame Anthony Appiah: 
Religiões são boas ou ruins? (É uma pegadinha)


As pessoas estão sempre a falar de religião. O grande Christopher Hitchens, já falecido, escreveu um livro chamado "Deus Não É Grande", cujo subtítulo era "Como a religião envenena tudo". Mas no mês passado, na revista Time, o rabi David Wolpe que, vim a saber, é chamado o rabi da América, disse para contrabalançar essa caracterização negativa que não pode haver nenhuma forma de mudança social a não ser através da religião organizada.

Observações deste tipo, tanto negativas como positivas, são muito antigas. Tenho aqui no meu bolso uma delas do século I a.C, de Lucrécio, o autor de "Sobre a Natureza das Coisas", que disse: "Tantum religio potuit suadere malorum" — devia ter aprendido isto de cor, ou seja, "A tantos males pode a religião persuadir". Referia-se à decisão de Agamémnon de pôr a sua filha Ifigénia no altar de sacrifícios, a fim de preservar as perspetivas do seu exército. Portanto, tem havido longos debates sobre religião ao longo dos séculos, podemos mesmo dizer, ao longo de milênios. As pessoas falam muito sobre isso e dizem coisas boas e más e coisas indiferentes sobre ela.

Aquilo de que vos quero convencer hoje é uma afirmação muito simples: é que estes debates de certa forma, são estapafúrdios, porque não existe essa coisa de religião sobre a qual se façam essas afirmações. Não há uma coisa chamada religião e, portanto, não pode ser boa ou má. Nem sequer pode ser indiferente. Se pensarmos nas afirmações sobre a não existência das coisas, uma forma óbvia de tentar estabelecer a não existência duma determinada coisa será apresentar uma definição para essa coisa e depois ver se há alguma coisa que a satisfaça. Para começar, vou iniciar-me nessa via.

Se procurarem nos dicionários e pensarem nisso, uma definição muito natural de religião é a que envolve a crença em deuses ou em seres espirituais. Como disse, isto é em muitos dicionários, mas também a encontraremos na obra de Sir Edward Tylor, que foi o primeiro professor de antropologia em Oxford, um dos primeiros antropólogos modernos. No seu livro sobre a cultura primitiva, diz que o cerne da religião é aquilo a que chamou animismo, ou seja, a crença numa ação espiritual, a crença em espíritos. O primeiro problema para esta definição vem num recente romance de Paul Beatty chamado "Tuff". Um homem conversa com um rabi. O rabi diz que não acredita em Deus. O homem diz: "És um rabi, como é que não acreditas em Deus?" E a resposta é: "É o que há de grandioso em ser judeu. "Não é preciso acreditar num Deus 'per se', "basta ser judeu". Portanto, se este homem é um rabi, e um rabi judeu, e se é preciso acreditar em Deus para ser religioso, temos que tirar a conclusão muito pouco intuitiva de que, se é possível ser um rabi judeu sem acreditar em Deus, o judaísmo não é uma religião. Isto parece um pensamento muito pouco intuitivo.

Há outro argumento contra esta perspectiva. Um amigo meu, um amigo meu indiano, foi à casa do avô, quando ainda era muito jovem, em criança, e disse-lhe: "Quero falar de religião". O avô disse: "És muito novo. Volta quando fores adolescente". Ele voltou quando era adolescente e disse ao avô: "Agora talvez seja tarde demais "porque descobri que não acredito em deuses". E o avô, que era um homem sábio, disse: "Oh, então pertences ao ramo ateísta "da tradição hindu".

E, por fim, há este homem que todos sabem que não acredita em Deus. Chama-se Dalai Lama. Brinca muitas vezes por ser um dos principais ateus do mundo. Mas é verdade, porque a religião do Dalai Lama não envolve a crença em Deus.

Ora bem, podem pensar que isto apenas mostra que eu vos dei a definição errada e que devia aparecer com outra definição qualquer e testá-la contra estes casos. Procurar e descobrir qualquer coisa que capte o judaísmo ateísta, o hinduísmo ateísta, e o budismo ateísta como formas de religiosidade. Na verdade, acho que é uma má ideia. E acho que é uma má ideia porque penso que não é assim que funciona o nosso conceito de religião. Penso que o nosso conceito de religião funciona com aquele que temos. Temos uma lista de religiões paradigmas e dos seus subgrupos. Se aparece alguma coisa de novo que pretenda ser uma religião, o que perguntamos, é: "Será parecida com alguma destas?" E penso que não é só como pensamos sobre a religião, mas é, como sempre foi, do nosso ponto de vista, que tudo nessa lista tem que ser uma religião. Por isso penso que um conceito de religião, que exclua o budismo e o judaísmo, tem hipóteses de ser um bom começo porque estes estão na nossa lista. Mas, porque é que temos esta lista? O que se passa? Como é que aconteceu termos esta lista?

Penso que a resposta é muito simples e, portanto, crua e controversa. De certeza muita gente discordará, mas eis a minha história. Verdadeira ou não, é uma história que eu acho que vos dará uma boa ideia de como a lista poderá ter aparecido. Talvez vos possa pôr a pensar sobre o uso que a lista pode ter. Penso que a resposta é: Os viajantes europeus, por volta da época de Colombo, começaram a passear pelo mundo. Eram provenientes duma cultura cristã e, quando chegavam a um sítio novo, reparavam que alguns povos não tinham cristianismo e faziam a si mesmos esta pergunta: "O que é que eles têm em vez do cristianismo?" E essa lista, na sua essência, foi construída, foi formada pelas coisas que os outros povos tinham, em vez do cristianismo.

Ora, há uma dificuldade em prosseguir por esta via. O cristianismo é extremamente... mesmo nesta lista, é uma tradição extremamente específica. Tem nele todo o tipo de coisas que são muito, muito particulares que são o resultado da especificidade da história cristã. E uma coisa que está no seu âmago, uma coisa que está no âmago da compreensão do cristianismo, que é o resultado da história específica do cristianismo, é que é uma religião recheada de credos. É uma religião em que as pessoas se preocupam realmente sobre se acreditam no que é correto. A história interior do cristianismo é, sobretudo, a história de pessoas que matam outras porque elas acreditavam na coisa errada e também está envolvida em guerras com outras religiões, que começam obviamente na Idade Média, na luta com o Islão, em que, de novo, foi a infidelidade, o fato de não acreditarem nas coisas certas, que pareciam tão ofensivas ao mundo cristão. É uma história muito específica e especial que o cristianismo tem e não é em toda a parte que se põe tudo numa lista como esta. Aqui há outro problema. Aconteceu uma coisa muito específica. Já fora anunciada antes, mas aconteceu uma coisa muito específica na história do tipo de cristianismo que vemos à nossa volta, sobretudo hoje nos Estados Unidos. Aconteceu no final do século XIX. Essa coisa específica que aconteceu no final do século XIX foi uma espécie de acordo que foi cancelado entre a ciência, essa nova forma de organizar a autoridade intelectual, e a religião. Se pensarmos no século XVIII, se pensarmos na vida intelectualantes do final do século XIX, tudo o que fazíamos, tudo aquilo em que pensávamos, quer fosse o mundo físico, o mundo humano, o mundo natural, para além do mundo humano ou da moral, tudo o que fazíamos estava enquadrado num cenário dum conjunto de pressupostos que eram religiosos: os pressupostos cristãos. Não podíamos dar uma explicação do mundo natural que não dissesse qualquer coisa sobre a sua relação, por exemplo, com a história da criação na tradição de Abraão, a história da criação no primeiro livro da Torá. Portanto, tudo estava enquadrado desse modo.

Mas isso mudou no final do século XIX. Pela primeira vez, é possível que as pessoas desenvolvam carreiras intelectuais sérias, como os historiadores naturais, como Darwin. Darwin preocupou-se com a relação entre o que dizia e as verdades da religião, mas pôde prosseguir, pôde escrever livro sobre o seu tema sem ter que dizer qual era a relação com as afirmações religiosas. Os geólogos puderam falar sobre isso cada vez mais. No início do século XIX, se os geólogos falassem sobre a idade da Terra, teriam que explicar se isso era consistente, com a idade da Terra implícita no relato do Génesis. No final do século XIX, podíamos escrever um manual de geologia com argumentos sobre a idade da Terra. Portanto, foi uma grande mudança. Essa divisão intelectual do trabalho ocorre, e de certo modo, solidifica-se, de modo que, no final do século XIX na Europa, há uma real divisão intelectual de trabalho. Podemos fazer todo o tipo de coisas sérias incluindo, de modo crescente, a própria filosofia,sem sermos constrangidos pelo pensamento: "O que eu tenho que dizer tem que ser consistente "com as verdades profundas que me foram dadas "pela nossa tradição religiosa".

Imaginem alguém saído desse mundo, desse mundo do final do século XIX, a chegar ao país em que eu cresci, o Gana, à sociedade em que eu cresci, em Ashanti a chegar a esse mundo no virar do século XX com esta pergunta que eu pus na lista: "O que é que eles têm em vez do cristianismo?"

Bem, há aqui uma coisa em que teriam reparado. A propósito, houve uma pessoa que reparou. Foi o capitão Rattray. Foi um antropólogo do governo britânico, que escreveu um livro sobre a religião ashanti.

Isto é um disco-alma, Há muitos no Museu Britânico. Podia dar-vos uma história interessante, diferente de como há tantas coisas da minha sociedade que acabaram no Museu Britânico... Mas não há tempo para isso. Este objeto é um disco-alma. O que é um disco-alma? Usava-se ao pescoço dos lavadores de almas do rei ashanti. Qual era a sua função? Lavar a alma do rei. Levaria muito tempo para explicar como é que uma alma era uma coisa que podia ser lavada, mas Rattray percebeu que era uma religião porque havia almas em jogo.

E do mesmo modo, havia muitas outras coisas, muitas outras práticas. Por exemplo, sempre que alguém tomava uma bebida, despejava um pouco no chão no que se chamava uma libação. e davam um pouco aos antepassados. O meu pai fazia isso. Quando abria uma garrafa de "whisky", — e fazia-o com frequência — tirava a rolha e despejava um pouquinho no chão, falava com Akroma-Ampim, o fundador da nossa linhagem. ou com Yao Antony, o meu tio-avô, falava com eles, oferecia-lhes um pouco daquilo.

E, por fim, havia enormes cerimoniais públicos. Isto é um desenho do início do séc. XIX de um oficial militar britânico de um cerimonial desses, em que o rei estava envolvido. A função do rei, uma parte principal da sua função, para além de organizar a guerra e coisas dessas, era tomar conta dos túmulos dos seus antepassados. Quando morria um rei bom, o banco onde ele se sentava era enegrecido e colocado no templo real ancestral e, todos os 40 dias, o rei de Ashanti tinha que lá ir e prestar culto aos seus antepassados. Era parte importante do seu cargo. Acreditava-se que se ele não fizesse isso,as coisas desmoronar-se-iam. Portanto, temos aqui uma figura religiosa, — como Rattray teria dito — e também uma figura política.

Tudo isto contou como religião para Rattray. Mas o meu ponto é que, quando olhamos para as vidas dessas pessoas, também percebemos que, sempre que elas fazem qualquer coisa, estão conscientes dos antepassados. Todas as manhãs, ao pequeno-almoço, podemos sair pela porta da rua, fazer uma oferenda ao deus-árvore, o "nyame dua", em frente de casa e, de novo, falar com os deuses, os altos deuses e os baixos deuses, os antepassados, etc. Isto é um mundo em que ainda não se deu a separação entre a religião e a ciência. A religião ainda não foi separada de quaisquer outras áreas da vida e, em especial, o que é fundamental compreender sobre este mundo, é que é um mundo em que a função que a ciência exerce para nós é feita pelo que Rattray vai chamar de religião porque, se querem uma explicação de qualquer coisa, porque é que as colheitas falharam, porque é que está a chover ou não está a chover, se precisam da chuva, se querem saber porque é que o avô morreu, vão apelar a essas mesmas entidades, na mesma linguagem, falar com os mesmos deuses sobre isso. Por outras palavras, esta grande separação entre a religião e a ciência ainda não ocorreu.

Ora bem, isto seria uma curiosidade meramente histórica exceto que, em muitas partes do mundo, isto continua a ser verdade. Tive o privilégio de ir a um casamento outro dia no norte da Namíbia, a 30 km do sul da fronteira com Angola numa aldeia de 200 pessoas. Eram pessoas modernas. Estava lá a Oona Chaplin, de que já devem ter ouvido falar. Uma pessoa da aldeia foi ter com ela e disse: "Vi-a em 'A Guerra dos Tronos'". Portanto, não eram pessoas que estivessem isoladas do nosso mundo mas, apesar disso, para elas, os deuses e os espíritos ainda estão muito presentes. Quando íamos de autocarro para os diversos locais da cerimónia rezavam, não de modo genérico, mas pela segurança da viagem e faziam-no com convicção. Quando me disseram que a minha mãe — a mãe do noivo —estava connosco, não o disseram de modo figurativo. Queriam dizer — apesar de ela já ter morrido —queriam dizer que ela continuava ali. Portanto, em muitos sítios do mundo, hoje em dia, a separação entre a ciência e a religião não ocorreu em muitos sítios do mundo. E, como digo, não são... Este homem trabalhou para o Chase Bank e para o Banco Mundial. (Risos) São cidadãos do mundo tal como nós. mas vêm dum local em que a religião ocupa um papel muito diferente

O que eu queria que vocês pensassem, quando alguém fizer uma grande generalização sobre religião,é que talvez não exista essa coisa de religião, e que, portanto, o que eles dizem, pode não ser verdade.


Translated by Margarida Ferreira
Reviewed by Isabel M. Vaz Belchior

terça-feira, 31 de maio de 2016

Por que a jihad global está perdendo?

Bobby Ghosh: 
Por que a jihad global está perdendo


"Para a grande maioria dos muçulmanos praticantes, jihad é uma luta interna pela fé. É uma luta interior, uma luta contra vício, pecado, tentação, luxúria, ganância. É uma luta para tentar e viver uma vida que seja baseada em códigos morais escritos no Alcorão. Na ideia original, o conceito de jihad é tão importante para muçulmanos como a ideia de graça é para cristãos. É uma palavra muito poderosa, jihad, se você olhar neste aspecto, e existe uma quase mística ressonância nela. E é essa a razão pela qual, por centenas de anos, muçulmanos em toda parte tem chamado seus filhos por Jihad, suas filhas tanto quanto seus filhos, da mesma forma que, digamos, cristãos chamam suas filhas de Graça, e hindus, meu povo, nomeiam suas filhas por Bhakti, que significa, em sânscrito, "culto espiritual".

Porém sempre existiu, no Islã, um pequeno grupo, uma minoria, que acredita que jihad não é apenas uma luta interior, mas também uma luta exterior contra forças que poderiam ameaçar a fé, ou os seguidores dessa fé. E algumas dessas pessoas acreditam que nesta luta, é válido usar armas às vezes. E assim, milhares de rapazes muçulmanos que emigraram para o Afeganistão nos anos 1980 para lutar contra a ocupação soviética de um país muçulmano, em suas cabeças eles estavam lutando uma jihad,eles estavam realizando jihad, e chamaram a si mesmos os "mujahideen", que é uma palavra oriunda da mesma raiz de jihad. E nós esquecemos isso agora, mas naquele tempo os mujahideen eram celebrados neste país, nos Estados Unidos.. Nós pensávamos neles como guerreiros sagrados que estavam lutando a boa guerra contra os comunistas ateus. Os Estados Unidos forneceram armas, dinheiro, apoio, encorajamento.

Mas dentro daquele grupo, uma parte ainda menor, uma minoria dentro de uma minoria dentro de uma minoria, estava emergindo com um novo e perigoso conceito de jihad, e depois esse grupo seria liderado por Osama bin Laden, e ele refinou a ideia. Sua ideia de jihad era de uma guerra global de terror,primariamente dirigida ao longínquo inimigo, ao cruzados do Oeste, contra os Estados Unidos. E as coisas que ele fez para buscar esta jihad foram tão horrendas e mostruosas, e tiveram tão grande impacto, que sua definição foi a que permaneceu, não apenas aqui no mundo ocidental. Não conhecíamos outra forma. Não paramos para perguntar. Apenas assumimos que se este homem insano e seus seguidores psicopatas estavam chamando o que fizeram de "jihad", então isso é o que "jihad" deveria significar. Mas não era apenas nós. Até no mundo muçulmano, sua definição de "jihad" começou a ganhar aceitação.

Um ano atrás eu estava em Tunis e encontrei o sacerdote (imam) de uma pequenina mesquita, um idoso .Quinze anos atrás, ele batizou sua neta "Jihad", seguindo o antigo significado. Ele esperava que um nome assim a inspirasse a viver uma vida espiritual. Mas ele contou-me que após 11 de setembro, ele começou a ter outras reflexões. Ele estava preocupado que se a chamasse pelo nome, especialmente ao ar livre, fora de casa em público, poderia ser visto como apoiador à ideia de "jihad" de Bin Laden. Às sextas em sua mesquita, ele dava sermões tentando resgatar o significado da palavra, mas seus fiéis, as pessoas que vieram à sua mesquita, eles têm visto os vídeos. Eles têm visto imagens de aviões batendo em torres, as torres caindo. Eles ouviram Bin Laden dizer que isso era "jihad", e reivindicando vitória por isso. E então o velho sacerdote preocupou-se que suas palavras não estão sendo ouvidas. Ninguém estava prestando atenção.

Ele estava errado. Algumas pessoas estavam atentas, mas por motivos errados. Os Estados Unidos, nesse ponto, estavam pressionando todos seus aliados árabes, incluindo a Tunísia, para acabar com o extremismo em suas sociedades, e esse sacerdote se encontrou repentinamente na mira do serviço de inteligência tunisiano. Eles nunca tinham prestado atenção antes ao idoso da pequena mesquita - mas agora eles começaram a prestar atenção, e às vezes arrastá-lo para questionamentos, e sempre com a mesma pergunta: "Por que você batizou sua neta de 'Jihad'? Por que continua usando a palavra "jihad" nos sermões de sexta-feira? Você odeia os norte-americanos? Qual é sua conexão com Osama Bin Laden?"
Então para a agência de inteligência tunisiana, e organizações similares em todo o mundo árabe, "jihad" é igual a extremismo, A definição de Bin Laden se institucionalizou. Este foi o poder da palavra que ele foi capaz de fazer. E isso encheu o idoso, encheu-o com grande tristeza. Ele me contou que, de todos os crimes de Bin Laden, este era, a seu ver, um que não teve atenção suficiente, que ele roubou essa palavra, essa ideia linda. Ele não apenas apropriou-se dela, mas a sequestrou e a rebaixou e corrompeu e transformou-a em algo que ela jamais foi, e então convenceu todos nós que sempre foi uma jihad global.

Mas a boa notícia é que a jihad global está quase acabada, como Bin Laden a definiu. Esta morrendo bem antes dele próprio, e agora está em seus últimos passos. Pesquisas de opinião em todo o mundo árabe mostram que há muito pouco interesse entre muçulmanos numa guerra santa global contra o mundo ocidental, contra o distante inimigo. O apoio de jovens desejosos de lutar e morrer pela causa está diminuindo. O suprimento de dinheiro -- tão importante, ou talvez mais importante -- o suprimento de dinheiro para esta atividade está diminuindo. Os fanáticos ricos que estavam antes financiando esse tipo de atividade estão agora menos generosos.

O que isso significa para nós no mundo ocidental? Significa que podemos abrir nossas champagnes, lavar as mãos, despreocupar, dormir bem? Não. Despreocupar não é uma opção, porque se deixar a jihad local sobreviver, ela se torna jihad internacional.

 Hoje há muitas e diferentes jihads violentas em todo o mundo. Na Somália, em Mali, na Nigéria, no Iraque, no Afeganistão, Paquistão, há grupos que reivindicam serem os herdeiros do legado de Osama Bin Laden. Eles usam seu discurso. Eles até usam o nome da marca que ele criou para sua jihad. Então existe agora umaAal Qaeda no Maghreb islâmico,existe uma Al Qaeda na Península Árabe, existe uma Al Qaeda na Mesopotâmia. Há outros grupos -- na Nigéria, Boko Haram, na Somália, Al Shabaab -- e todos eles prestam homenagem a Osama Bin Laden. Mas se você olhar de perto, eles não lutam uma jihad global. Eles estão lutando batalhas em questões muito menores. Geralmente, tem a ver com etnia ou raça ou sectarismo, ou é uma luta por poder. Na maioria das vezes, é uma luta por poder em uma país ou mesmo uma pequena região dentro de um país.Ocasionalmente, eles atravessam fronteiras, do Iraque para Síria, de Mali para Argélia, da Somália para Quênia, mas eles não lutam uma jihad global contra algum inimigo distante.

Mas isso não significa que podemos relaxar. Estava no Iêmen recentemente, onde é a casa da última franquia Al Qaeda que ainda aspira atacar os Estados Unidos, atacar o mundo ocidental. É a velha escola da Al Qaeda. Você deve lembrar desses caras. Eles são os que tentaram enviar um homem-bomba para cá, e eles estavam usando a Internet para tentar e instigar a violência entre muçulmanos americanos. Mas eles foram confundidos recentemente. Ano passado, eles tomaram o controle de uma porção sulina do Iêmen, e a administraram ao estilo do Taliban. E então os militares do Iêmen se recompuseram, e pessoas comuns se levantaram contra esses caras e os expulsaram, e desde então a maioria de suas atividades, a maioria de seus ataques estão sendo dirigidos ao povo do Iêmen.

Então eu penso que chegamos ao ponto agora onde podemos dizer que, assim como toda política, toda jihad é local. Mas que ainda não é razão para nos despreocuparmos, porque já vimos esse filme antes no Afeganistão. Quando aqueles mujahideen derrotaram a União Soviética, nós nos despreocupamos. E mesmo antes de terminar o barulho de abrir a champagne, o Talibã havia tomado Kabul, e dissemos, "Jihad local, não é nosso problema." E então o Talibã deu as chaves de Kandabar para Osama bin Laden. Ele tornou isso nosso problema. Jihad local, se você a ignora, torna-se jihad global novamente.

A boa notícia é que isso não precisa que acontecer. Sabemos como combatê-la agora. Temos as ferramentas. Temos o conhecimento e podemos pegar as lições que aprendemos da luta contra a jihad global, da vitória contra a jihad global, e aplicá-las à jihad local.
Quais são essas lições? Sabemos quem matou bin Laden: Equipe 6 da SEAL (equipe de operações especial da marinha dos EUA) Nós sabemos, compreendemos quem matou o bin Ladenismo? Quem pôs fim à jihad global? Aí estão as respostas para resolver a jihad local.

Quem matou o bin Ladenismo? Começou pelo próprio bin Laden. Ele provavelmente pensou que o 11 de setembro fora uma grande conquista. Na verdade, foi o começo de seu fim. Ele matou 3 mil pessoas inocentes e isso encheu o mundo muçulmano de horror e repulsa, e isso significou que sua ideia de jihadjamais poderia ser a corrente principal. Ele se condenou a operar na marginalidade de sua própria comunidade. 11 de setembro não lhe deu poder, mas o amaldiçoou.

Quem matou o bin Ladenismo? Abu Musab al-Zarqawi o matou. Ele era o sádico chefe da al Qaeda no Iraque que enviou centenas de homens-bomba suicidas atacar não os americanos, mas os iraquianos. Muçulmanos, sunitas e também xiitas. Qualquer reivindicação de que al Qaeda estivesse protegendo o Islam dos cruzados ocidentais afundou no sangue dos muçulmanos iraquianos.

Quem matou Osama Bin Laden? A equipe 6 da SEAL. Quem matou Bin Ladenismo? Al Jazeera matou, Al Jazeera e meia dúzia de outras estações (via satélite) de notícias em árabe, porque eles ultrapassaram as velhas e governamentais estações de TV em muitos países que eram projetadas para esconder informação do povo. Al Jazeera trouxe informação para eles, mostrou a eles que o que estava sendo dito e feito em nome de sua religião, expôs a hipocrisia de Osama Bin Laden e Al Qaeda, e permitiu a eles, deram-lhes a informação que permitiu a eles tirarem suas próprias conclusões.
Quem matou o bin Ladenismo? A Primavera Árabe matou, porque mostrou um caminho para os jovens muçulmanos de trazer mudança numa maneira que Osama Bin Laden, com sua imaginação limitada, jamais poderia conceber.

Quem derrotou a jihad global? As forças militares norte-americanas derrotaram, os soldados americanos, seus aliados, lutando em campos de batalha distantes. E talvez, chegará a hora em que eles terão o justo crédito por isso.

Então todos esses fatores, e muitos outros, que alguns deles sequer compreendemos completamente,se juntaram para derrotar uma monstruosidade tão grande quanto o bin Ladenismo, a jihad global, exigiu esse esforço de grupo.

Agora, nem todas essas coisas funcionarão na jihad local. As forças militares norte-americanas não marcharão na Nigéria para pegar grupo Boko Haram, e é improvável que a Equipe 6 da SEAL irá invadiras casas de líderes do Shabaab para pegá-los.

Mas muitos desses outros fatores que estavam em jogo são agora mais fortes que antes. Metade do trabalho já foi feito. Não temos que re-inventar a roda. A noção de jihad violenta onde mais muçulmanos são mortos mais que qualquer outro povo já está totalmente desacreditada. Não precisamos voltar nisso. Tv via satélite e Internet estão informando e dando poder a jovens muçulmanos de forma nova e estimuladora. E a Primavera Árabe produziu governos, muitos deles governos islâmicos, que sabem que, para sua própria continuidade, precisam pegar os extremistas em seu meio. Não precisamos os persuadir, mas precisamos realmente ajudá-los porque eles não estiveram nessa situação antes.

A boa notícia, novamente, é que muitas coisas que eles precisam nós temos, e somos bons em dar:assistência econômica, não apenas dinheiro, mas perícia, tecnologia, conhecimento prático,investimento privado, termos justos de comércio, medicina, educação, suporte técnico para treinamentopara suas forças policiais tornarem-se mais efetivas, para suas forças anti-terroristas tornarem-se mais eficientes. Nós temos muitas dessas coisas.

Algumas das outras coisas de que precisam não somos muito bons em dar. Talvez ninguém seja.Tempo, paciência, sutileza, compreensão -- essas são difíceis de dar. Eu moro em Nova York agora. Nesta semana, posters foram fixados nas estações de metrô de Nova York descrevendo jihad como selvagem.

Mas em todos os muitos anos que cobri o Oriente Médio, nunca fui tão otimista como sou hoje que a diferença entre o mundo muçulmano e o ocidente está diminuindo rapidamente, e uma das muitas razões para meu otimismo é porque sei que existem milhões, centenas de milhões de pessoas, muçulmanos como o velho sacerdote em Tunis, que estão recuperando essa palavra e restaurando seu belo propósito original. Bin Laden está morto. Bin Ladenismo foi derrotado. Sua definição de jihad pode ser apagada agora. Para essa jihad, podemos dizer "Adeus. Boa viagem." Para a verdadeira jihad, podemos dizer "Bem-vinda de volta. Boa sorte." 

Obrigado. 


Translated by Weber Martins  
Reviewed by Rafael Porteza

quarta-feira, 25 de maio de 2016

A moral e a ética

Na filosofia, é sabido que as religiões sempre tiveram papel essencial naquilo que os povos compreendem como fundamento dos valores morais. Religiões são, por isso, definidos costumeiramente como sistemas de sentido para a vida das pessoas neste mundo e no mundo vindouro que elas acreditam existir. 

Originalmente, moral é ética são sinônimos e descendem do que foi escrito por filósofos como Aristóteles na Grécia, e Cícero em Roma. Ambos descrevem o que seriam hábitos e costumes de um povo, e as normas que os regram e que deles brotam a partir da tradição de comportamento herdado e das discussões que as pessoas estabelecem conscientemente ao longo do tempo de vida delas e de suas instituições IIgrejas, escolas, famílias, governos, arte etc.). 

Com o tempo, moral acabou por constituir-se no estudo mais amplo desse espectro de hábitos e costumes, e a ética passou a designar a disciplina filosófica específica que busca estabelecer as normas para esses comportamentos de modo reflexivo e racional. A medida que a sociedade ocidental se modernizou, hábitos e costumes foram sendo dilacerados e contaminados pela ciência moderna e pelo secularismo, implicando um esforço comum de enfrentamento desses processos de desencaixe das tradições antigas e medievais. Entre elas, as crenças fundamentais do Cristianismo. 

Referência: 

PONDÉ, Luiz Felipe. O catolicismo hoje.- São Paulo: Benvirá, 2011. 136p.- (Para entender). 

OS SETE PECADOS CAPITAIS

No séc. IV, o filósofo cristão grego Evágrio do Ponto elaborara para os "maus desejos" a teoria dos oito pecados capitais: soberba, avareza, inveja, ira, luxuria, gula, preguiça, e tristeza. No séc. VII, a Igreja Validaria a tese de Evárgio, suprimindo a tristeza.Assim reduzindo a lista para que os sete pecados capitais tão bem conhecidos no Ocidente. A superação deu-se justamente porque a tristeza, ao contrário das demais faltas, não corresponde a um desejo. Na teoria moderna para a depressão, trata-se exatamente de ausência de qualquer desejo. Donde poderíamos concluir que ou se é escravo do desejo, ou se é escravo da depressão [...] 

  • Prazeres & Pecados, dirigido por Leonardo Brant, aborda os contrastes e alterações dos códigos morais no mundo contemporâneo.O que é proibido e o que é permitido na sociedade atual? Quais são os códigos morais e referenciais éticos que permeiam atitudes, moldam o cidadão contemporâneo e constroem a ideia de futuro e convívio em sociedade?


GULA 
AVAREZA
INVEJA
IRA 
LUXURIA 
PREGUIÇA
SOBERBA


Direção e argumento: Leonardo Brant
Com a colaboração de: Caio Amon
Produção Executiva Claudia Taddei e Leonardo Brant
Direção de Fotografia Leandro Virno
Montagem, som, trilha e finalização: Caio Amon
Correção de cor: Edu Rabin
Produção:Graziela Mantoanelli
Assistente de produção: Giulliano Dierchx
Maquiagem: Cristina Lopes
Participação especial: Leandro Karnal, Luiz Felipe Pondé, Luiz Estevam de Oliveira Fernandes, Padre Contieri, José Alves de Freitas Neto e Oswaldo Giacoia
Produção Cultural: Comtato
Produção audiovisual: Deusdará
Internet: Caio Amon, Lucas Guedes, Matheus Pichonelli
Apoio: Deusdará, Comtato, CPFL Cultura
Patrocínio: CPFL Energia
Realização: Ministério da Cultura

Esta produção faz parte do projeto Mostra do Contemporâneo sob o Programa de Apoio à Cultura - PRONAC 127044

FONTE



domingo, 22 de maio de 2016

O papel de Max Müller para a consolidação da Ciência da Religião




Friedrich Max Müller, (1823-1900), foi um estudioso alemão de linguagem comparada, religião e mitologia. As áreas especiais de interesse de Müller foram a filologia sânscrita e as religiões da Índia. Müller foi educado em sânscrito, a língua clássica da Índia, e outras línguas em Leipzig, Berlim e Paris. Ele mudou para a Inglaterra em 1846 e se estabeleceu em Oxford em 1848, onde se tornou vice professor de línguas modernas em 1850. Ele foi nomeado professor de filologia comparativa em 1868.



Ainda na época que acontece a institucionalização da Ciência da Religião, teólogos, filósofos e filólogos europeus como, por exemplo, o suíço Johann Georg Muller, desde 1837 davam cursos da área de história de religiões. Paralelamente, aqui, e ali, o termo “Ciência da Religião” já havia sido aplicado. 

Pelo que se sabe, os primeiros dois autores que usaram essa designação foram Abbé Prosper Leblanc (1852) e F. Stiefelhagem (1858), porém, não no sentido estrito como no caso do orientalista alemão Max Müller, formado em Paris por Eugène Burnouf e desde 1854 contratado pela universidade de Oxford como indólogo e filólogo. 

Foi ele que, no prefácio do seu livro Chips from german Workshop, publicado em 1867 em Londres, introduziu o termo Ciência da Religião no sentido de uma disciplina própria. O que Muller esperava tornou-se mais claro no título de uma outra obra lançada em 1870, Uber die vergleichend Religionswissenchaft. 

Segundo ele, a Ciência da Religião teria de ser uma disciplina comparativa. Porém, não era muito concreto quanto a programática dessa nova matéria acadêmica. Mais do que isso, como representante do “paradigma mitológico-natural”, defendeu uma abordagem cada vez menos aceita à medida que no séc. XIX aproximava-se de seu fim.   

Essa escola de pensamento iniciada por Adalbert Kuhn n seu livro, Die Herabkunft dês feures und dês Gottertranks, publicada em 1859 em Berlim, referiu-se à fisiologia comparativa das línguas dos chamados povos indo-europeus interpretando os seus resultados de uma maneira específica. No olhar da “escola mitológica-natural”, figuras mitológicas e religiosas teriam de ser interpretados como personificações de objetos e fenômenos naturais, especificamente das grandes estrelas e eventos metrológicos como a tempestade e a chuva.   

Não somente do ponto de vista de hoje tal paradigma é obsoleto. As teorias de seus representantes já sofreram fortes críticas de contemporâneos, e Max Muller, o grande popularizador da “escola mitológica-natural”, tornou-se o objetivo preferido de escárnio. Cada vez mais desafiado por um paradigma alternativo, o da escola animista de Edward Burnett Tyler, Müller precisou observar a desmontagem da sua abordagem. 

Não obstante, Max Müller é até hoje apreciado como um dos mais importante pioneiros da Ciência da Religião. Além de ter insistido no status próprio da disciplina, ele despertou, em suas teses polêmicas, enorme interesse público por sua nova matéria e “incentivou, em vários sentidos, o uso das fontes, como base obrigatória do trabalho científico com as religiões. Exatamente por isso a contribuição mais duradora e valorosa do filólogo alemão foi a organização dos famosos Sacred Books of the Earth. Entre 1879 e 1898, dois anos antes da morte de Müller, a série chegou a 50 volumes.  
  
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Referências 
USARSKI, Frank. Constituintes da Ciência da Religião: cinco ensaio em prol de uma disciplina autônoma.- São Paulo: Paulinas, 2006 (Coleção representando a religião)
GRESCHAT, Hans-Jürgen. O que é ciência da religião? Trad. Frank Usarski. São Paulo: Ed. Paulinas, 2005.


sexta-feira, 20 de maio de 2016

O BUDISMO



O Budismo é um dos fenômenos mais antigos do mundo. É a quarta religião depois do Cristianismo, do Judaísmo e do Hinduísmo. O Budismo não é propriamente uma religião mas mais uma filosofia de vida, visto que, no centro da sua mensagem está o homem; Deus fica numa enigmática penumbra.

O objectivo do Budismo – não é a fusão em Brama (o Absoluto), nem a união com Deus, mas chegar ao Nirvana que significa apagar os fogos da saudade e do apego (este pode ser atingido nesta vida). Ensina a via para fugir ao sofrimento e à dor.

A História
O verdadeiro nome de Buda (= iluminado) foi Siddharta Gotama. Nasceu no Nepal, Nordeste da Índia, entre o séc. VI e IV a.C.) (segundo a tradição por volta do ano 566 a. C.), numa família real do clã Xáquia. O pai, temendo que pudesse ser abalado por desagradáveis, manteve-o na área do palácio. Todavia, aos 29 anos, Gotama viu o sofrimento humano, pela primeira vez, sob a forma de um velho, um doente e um morto. Ao deparar com um asceta (monge), resolveu seguir essa antiga via e fugir de casa, de noite, deixando a mulher e a família. Após seis anos de severa austeridade, atingiu o seu objectivo. Mas não escapara ainda ao sofrimento. Sentado debaixo de uma árvore Bodhi, a da iluminação, passou por todas as fases de meditação e atingiu a iluminação, compreendendo a verdadeira natureza do sofrimento. A partir daí foi conhecido por Buda, literalmente "o acordado", e, durante cerca de 40 anos, até morrer, dedicou-se a ensinar a outros o caminho para chegar à iluminação.

O espectro de postura do Budismo diante de desafios inter-religiosos

Ao longo de uma história de mais de dois mil e quinhentos anos, o Budismo adquiriu um rico repertório de figuras retóricas e estratégicas argumentativas que lhe permitiram firmar posição em situações inter-religiosas. Essa pluralidade tem a ver com os seguinte fatos: conforme a teoria de Niklas Luhman, sistemas abertos como os sociais mantêm suas identidades através da demarcação nos ambientes em que se desenvolvem. Isso significa, nos termos da Sociologia da Religião, que qualquer comunidade religiosa convicta de possuir uma oferta espiritual válida e espacial tem interesse em proteger sua herança espiritual contra infiltrações externas que poderiam eclodir a "estrutura de pausibilidade" e a integridade do grupo em questão. 

Dentro desse quadro geral, o Budismo primitivo enfrentou a situação de que, desde a morte de Sidhartha Gautama, a comunidade não possui mais um porta-voz ou uma hierarquia institucional cuja cúpula pudesse falar em nome oficial de uma religião relativamente homogênea. Além das divergências internas, o Budismo foi transplantado para regiões fora da sua terra de origem e teve de se adequar linguística, doutrinária e simbolicamente às modalidades de novas culturas. 

Em todos os casos o Budismo, foi exposto a uma rede complexa de fatores feográficas, socioeconômicas e políticas, além de interesses religiosos multilaterais. A variedade de opções retóricas acumuladas pelo Budismo corresponde à variedade das circunstâncias. Foram, portanto, os desafios implícitos nas situações dadas que estimularam o Budismo a elaborar, aperfeiçoar e modificar respostas adequadas, sejam em conceitos apologéticos, argumentos em prol da sua autojustificativa e raciocínios proseletistas, sejam em termos de consenso com o interlocutor alheio sobre um determinado tópico. 

Entre as constelações que desafiaram o autorreconhecimento do Budismo como credo representativo de ago especial ou mesmo único, há três que que se deve recordar. São elas: 

1.  Os esforços do Budismo, como sistema religioso recém fundado, de se impor em um ambiente ideologicamente pré-definido pelo Bramanismo; 
2.  Atividades proseletistas budistas em novos territórios onde o budismo inicialmente assumiu sua posição minoritária;
3.  Processo de expansão do budismo para o Ocidente, a confrontação do Budismo com contextos multirreligiosos contemporâneos. 

USARSKI, Frank. O Budismo e as outras: encontros e desencontro entre as grandes religiões mundiais. - Aparecida SP: Editora Ideias & Lettras, 2009. 
Budismo: http://religioes.home.sapo.pt/budismo.htm 20/05/2016







quinta-feira, 19 de maio de 2016

AS DIVERSAS NOMENCLATURAS DA CIÊNCIA DA RELIGIÃO

[...] Devido às preferência individuais a respeito do escopo e o caráter da matéria, do seu estatuto epistemológico e das suas funções acadêmicas  e extra-acadêmicas, não surpreende que o debate tenha trazido um consenso sobre todos os pormenores da necessária adaptação curricular da disciplina oferecida para os candidatos de mestrado. Porém, contribui para verificar uma unanimidade pelo menos sobre os seguintes cinco aspetos intimamente inter-relacionados: 

  • 1) Encontra-se uma variedade de nomenclaturas da disciplina. Dependendo da opção pelo singular ou pelo plural das constituintes da denominação, usa-se em diferentes contextos um dos quatro rótulos possíveis: ciências da religião, ciência da religião, ciência das religiões, ciência das religiões. Entretanto essa heterogeneidade pode ser relevante para a apresentação externa da disciplina em seus respetivos ambientes, ela não atinge o consenso de seus representantes sobre a estrutura interna da matéria. Pelo contrário, há unanimidade sobre seu caráter "pluralista", no sentido de uma abordagem "poli-metodológica";
  • 2) Tal pluralidade interna não é um sintoma de falta de reflexão metateórica sobre a disciplina ou de desinteresse por sua autonomia institucional, mas uma consequência da complexidade, ou seja, da multidimensionalidade do seu objeto;
  • 3) A ciência da religião mostra sua competência em liderar com tal riqueza fenomenológica na medida em que atua como uma "ciência integral das religiões"  que se constitui mediante um intercâmbio permanente com outras disciplinas cujo saber específico contribui dieta ou indiretamente para um saber mais profundo e completo sobre a religião e suas manifestações múltiplas;
  • 4) A futura prosperidade da ciência da religião depende não apenas da dinâmica entre ela e suas matérias auxiliares "aprovadas" e disciplinas de referência tradicionais, mas também de sua abertura contínua aos discursos inovadores em área de pesquisas até então negligenciadas;
  • 5) A riqueza do material relevante promovido tanto por esforços interdisciplinares quanto pela referência a suas subdisciplinas e disciplinas auxiliares requer do cientista da religião a disponibilidade de submeter seu trabalho individual a uma dinâmica coletiva conforme o princípio da divisão de trabalho organizado de acordo com as especialidade individuais e em função da produção de um conhecimento integrado [...] 

USARSKI, Frank. O espectro disciplinar da ciência da religião/ Frank Usarski (org). - São Paulo: Paulinas, 2007.- (Coleção repensando a religião)