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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

CHEGADA E IMPLEMENTAÇÃO DA IGREJA EM CABO VERDE

[Santiago-Cidade-Velha-igreja-convento-são-francisco]


Arquipélago de Cabo Verde (país insular) é formado por 10 Ilhas e fica situada na Costa Ocidental africana, ocupando uma área de aproximadamente de 4.000 quilômetros quadrados. Atualmente a população total é de 529 400 habitantes. Porém, de acordo com o Jornal Público “Cabo Verde é o país que tem mais gente fora do que dentro.” A diáspora é uma das grandes fontes de receitas do país, chamado da 11.ª ilha pela importância e impacto na economia e na cultura de Cabo Verde.
  
O arquipélago foi descoberto pelos portugueses (Diogo Gomes a serviço de do Infante D. Henrique, a mais importante figura do inicio da era das descobertas), na década de 1450 a 1460, mas, há quem diga que povos Árabes já haviam estado nas ilhas a procura de sal que, na época, era considerada uma especiaria, mas não existem documentos que comprovem essa teoria.

O povoamento só começou anos depois em 1462, devido a sua situação geoestratégica privilegiada, situada entre três continentes, Europa, América e África. Inicialmente funcionou como um entreposto comercial do tráfico negreiro. Africanos do continente eram capturados (escravizados), e levados para o arquipélago onde eram ladinizados, para mais tarde seguiam para trabalhar nas produções de cana-de-açúcar, café e algodão no Brasil e nas Antilhas.

Em Cabo Verde, foi erigida a primeira cidade europeia nas colônias, a Cidade de Ribeira Grande, atualmente patrimônio mundial da UNESCO[1]. Ficou ativa por mais de três séculos, antes que a capital fosse transferida para cidade de Praia, atual Capital de Cabo Verde.  

Os cabo-verdianos professam maioritariamente à religião Católica (mais de 90%). Outras denominações cristãs também estão implantadas em Cabo Verde, com destaque para os protestantes. A Igreja Universal do Reino de Deus também tem seguidores em Cabo Verde. Por isso, a liberdade religiosa é garantida pela Constituição e respeitada pelo governo.

Em 1466, quando chegaram à Ribeira Grande, os primeiros capuchinhos, terão encontrado já construído uma igreja, levando a supor que clérigos da Ordem de Cristo os tivessem ali precedido desde 1462, altura em que foi constituída a freguesia de Ribeira Grande.

Nos anos que seguiram, a Igreja foi acompanhando a fixação de povoações em Santiago e no Fogo, e construindo templos para o culto, entrando Cabo Verde na dependência da Diocese do Funchal em 1514.

Em 1533, altura em que Ribeira Grande ascende a cidade, é criada a respetiva Diocese, com o nome de Santiago, e nomeado primeiro bispo de Cabo Verde cuja jurisdição se estendia também às populações da Guiné, do rio Gâmbia ao Cabo das Palmas (Costa do Marfim).

Regista-se neste período um vigor religioso intenso, testemunhado pela construção de inúmeros edifícios religiosos, como atrás ficou descrito, com destaque para a sé catedral, a igreja e a Casa da Misericórdia, e o Paço Episcopal. Em 1570 o provimento de cargos eclesiásticos passou a ser feito localmente e por candidatura, resultando na sua progressiva ocupação pelos clérigos locais.

Em 1582 a Igreja abrange já o essencial do arquipélago, com duas grandes paróquias em Santiago (Ribeira Grande e N. Senhora da Graça da Praia) e oito menores, ditas “de fora”. Em Julho de 1604 chega uma missão de jesuítas à Ribeira Grande, que é reforçada em 1607, e em 1610 já tem um colégio em funcionamento, numa prova clara da missão de ensinar que sempre acompanhou a Igreja, e que em Cabo Verde explica a vertente do desenvolvimento do ensino que desde cedo emergiu na sociedade cabo-verdiana.

Na sequência da criação pela Santa Sé da Congregação para a Propagação da Fé, em Roma, em 1623, passam a chegar, entretanto missionários de outras nacionalidades, especialmente capuchinhos e franciscanos, interrompendo em 1642 os jesuítas, infelizmente, a sua presença no arquipélago.

A partir de 1676 os bispos que chegam a Ribeira Grande eram franciscanos, e desenvolvem uma ação religiosa sustentada em sintonia com a comunidade de padres franciscanos que ocupa as paróquias.

Até que, em 1754, inaugura-se um novo ciclo, com Pedro Jacinto Valente, da Ordem de Cristo, dominava a Ribeira Grande o famoso e omnipotente capitão-mor António Barros Bezerra de Oliveira. Finalmente, em 1866, o sonho de todos os bispos de Cabo Verde, o de abrir um seminário em que fosse ministrado ensino adequado ao clero cabo-verdiano. Porém, contribuíram mais para a formação de elites eruditas na sociedade cabo-verdiana que para a ordenação de ministros da Igreja.

Já no século XX (1941) chegaram a Santiago e ao Maio os padres do Espírito Santo, uma congregação religiosa muito pujante de origem francesa, que desenvolveram um trabalho religioso que refletiu a modernização que a Igreja Católica

Foi precisamente dos Padres do Espírito Santo que emergiu o primeiro bispo cabo-verdiano, Paulino Évora (1975/2009). Outro cabo-verdiano, Arlindo Furtado, ocupa em 2003 a cabeça da segunda diocese do país, então criada no Mindelo, dividindo-se assim o país pelas dioceses de Sotavento e Barlavento.

Por resignação de D. Paulino Évora em 2009, passou para a frente da diocese da Praia D. Arlindo Furtado (atualmente foi nomeado pelo para Francisco, o primeiro cardeal católico cabo-verdiano), numa altura em que boa parte dos padres em Cabo Verde são nacionais, oriundos do Seminário de S. José, do qual, mais uma vez, à semelhança do que se passara em S. Nicolau no séc. XIX, tem emergido bom número de cidadãos que passam a integrar o escola da sociedade civil. 

Fontes: 

[Cidade Velha Património Mundial UNESCO] Disponível em: < http://cidadevelha.com/cidade-velha-patrimonio-mundial-unesco/>. Acesso em 22/12/2016.

[Papel da Igreja Católica na Construção da Sociedade Cabo-Verdiana] . Disponível em <http://www.caboverde-info.com/Identidade/Historia/Papel-da-Igreja-Catolica-na-Construcao-da-Sociedade-Cabo-Verdiana>. Acesso em 22/12/2016.
  




[1] A Cidade Velha (localizada em Cabo Verde) foi declarada Patrimônio Mundial da Humanidade no dia 26 de junho de 2009, numa decisão da UNESCO, órgão da União das Nações Unidas (ONU) que cuida da educação e da cultura.
A decisão da UNESCO põe termo a um projeto iniciado há uma década e vai permitir o desenvolvimento daquele que foi o primeiro núcleo populacional surgido na ilha de Santiago (Cabo Verde) [...] Também conhecida por Ribeira Grande de Santiago, a localidade foi descoberta pelos portugueses em 1460. E, dois anos mais tarde, foi lá criada a primeira cidade do mundo construída por europeus nos trópicos, mais precisamente por Portugal, tornando-se a primeira capital do arquipélago, título que ostentou até 1770, quando se deu a passagem oficial para a Praia de Santa Maria, a atual Cidade da Praia. O processo de candidatura da Cidade Velha, 15 quilômetros a oeste da Cidade da Praia, arrastava-se há 10 anos, mas ganhou impulso após a apresentação do dossiê à UNESCO, a 31 de Janeiro de 2008. [Cidade Velha Património Mundial UNESCO] Disponível em: < http://cidadevelha.com/cidade-velha-patrimonio-mundial-unesco/>. Acesso em 22/12/2016.

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