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quarta-feira, 23 de março de 2022

Inscrições abertas para o VII Simpósio Internacional sobre Migração e Religião


 

Estão abertas as inscrições no VII Simpósio Internacional sobre Migração e Religião, cujo tema de 2022 é “Religião e migração na perspectiva da ecologia integral. Um olhar a partir da Pan-Amazônia”. O simpósio ocorre de 6 a 8 de junho na modalidade online.



Confira abaixo as regras completas para submissão de comunicações e envio de textos:

Promoção:

Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciência da Religião (PUC-SP)
Missão Paz – CEM (Centro de Estudos Migratórios – São Paulo)
SIMI – Scalabrini International Migration Institute (Roma)
Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais (PUC-SP)
Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Integral, seção Migrações e Refugiados, Vaticano

Comitê científico:

Aldo Skoda (SIMI, Roma), Edin Sued Abumansur (PUCSP), José Carlos Pereira (CEM, São Paulo), Paolo Parise (Missão Paz, São Paulo) e Lúcia Bógus (PUCSP).

Comissão organizadora:

Atilla Kus (PUC-SP), Bernadete A. de M. Marcelino (PUC-SP), Dulce Tourinho Baptista (PUC-SP), Eulálio A. Pereira Figueira (PUC-SP), Fernando Altemeyer Jr. (PUC-SP), Gioacchino Campese (SIMI, Roma), João Décio Passos (PUC-SP), José Carlos Pereira (CEM), Julio Gulin (UC-Chile), Lauro Bocchi (INCAMI), Lúcia Bógus (PUC-SP), Paolo Parise (Missão Paz), Sidney Dornelas (CEMLA-Argentina, Suzana Ramos Coutinho (PUC-SP), Wagner Lopes Sanchez (PUC-SP) e Wellington da Silva Barros (CEM).



PROGRAMAÇÃO:

6 DE JUNHO

09h – Abertura:

Profa. Dra. Carla Reis Longhi (diretora da Faculdade de Ciências Sociais, da PUCSP), Prof. Dr. Fábio Baggio (Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Integral, seção Migrações e Refugiados, Vaticano), Prof. Dr. Edin Sued Abumansur (PEPG-CRE PUC-SP), Prof. Dr. Paolo Parise (Missão Paz), e Prof. Dr. Aldo Skoda (SIMI, Roma).

09h30 – Evento cultural
10h – Conferência de Abertura: Migração, meio ambiente e religião. Uma perspectiva a partir da Pan-Amazônia
12h – Intervalo

14h – Painel 1: Panorama da migração venezuelana na América Latina Peru e Colômbia

– Trabalhadores transfronteiriços na tríplice fronteira – Profa. Dra. Vanessa Quintero Ríos (Universidade Nacional Aberta e à Distância – Colômbia)
– Realidade dos migrantes na fronteira amazónica entre Perú e Brasil – Carol Jeri Pezo (Responsável pela área social e de direitos humanos de Caritas Madre de Deus – Perú)
– Amazônia peruana – Deborah Delgado Pugley (Departamento de Ciências Sociais – PUC Perú)

15h30 – Intervalo
16h – Conferência: Ecologia integral e migrações
Prof. Dr. Fábio Baggio (Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Integral, seção Migrações e Refugiados, Vaticano)

7 DE JUNHO

8h10 – Evento Cultural

8h30 – Painel 2: Cone Sul e questão ecológica Chile e Argentina

Ocupação urbana do conurbano de Buenos Aires – século XX – Profa. Dra. Denise Ganza (Universidad de Buenos Aires – UBA)
Movimento Laudato Si’ – Silvia Alonso (Movimento Laudato Si’ – Argentina)
A unidade de vinculação e desenvolvimento comunitário da Universidade Católica – Profa. Maryon Urbina B. (PUC de Chile)
10h – Intervalo
10h30 – Conferência – Desafios internacionais da Pan-Amazônia
Prof. Dr. Virgílio Viana (Fundação Amazônia Sustentável)
12h – Intervalo
14h – Mesas de comunicações

8 DE JUNHO

8h10 – Evento cultural

8h30 – Painel 3: Desafios da ecologia integral para as religiões na Pan-Amazônia

Pentecostalismo – Prof. Dr. Moab César Carvalho Costa (Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão)
Religiões indígenas – Profa. Ms. Jama Wapichana
10h – Intervalo

11h00 – Painel 4: Interdisciplinaridade e intercuturalidade nas pesquisas sobre migração na Amazônia

“Brasivianos”: migrar, rezar e reexistir em trânsitos culturais – Profa. Dra. Geórgia Pereira Lima (Universidade Federal do Acre – UFAC – e PUC-SP).
Haitianos em Manaus: o papel da religião no processo de inserção socioreligiosa – Prof. Dr. Sidney Antonio da Silva (Universidade Federal do Amazonas -UFAM).
Roraima e novos atores nas dinâmicas de acolhimento das instituições religiosas – Prof. Dr. João Carlos Jarochinski Silva – (Universidade Federal de Roraima – UFRR).

12h – Intervalo

13h30 – Painel 5: Depoimentos de migrantes

15h30 – Conferência de encerramento: Prospectivas globais a partir da Pan-Amazônia. O papel das religiões
Prof. Dr. Juan José Tamayo (Universidade Carlos III de Madrid)
16h30 – Encerramento
Prof. Dr. Edin Sued Abumansur (PEPG-CRE PUC-SP), Prof. Dr. Paolo Parise (Missão Paz) e Prof. Dr. Aldo Skoda (SIMI, Roma).

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Dia Mundial da Religião: frases e mensagens para homenagens

 


No dia 21 de janeiro, comemora-se o Dia Mundial das Religiões. Acima de tudo, deseja-se que o respeito entre os diversos credos se imponha e que todos os povos possam se amar e cooperar por um mundo melhor. Desta forma, veja essas mensagens e envie para pessoas queridas:

Dia Mundial da Religião

"Cada pessoa tem a sua crença, seja vinda de berço, porque a vida a fez enxergar melhor e/ou porque ela aprendeu que era o melhor, mas seja como for, nós devemos amar e respeitar o próximo acima de tudo, não temos que ter preconceito quando se trata de religião. Pensando nisso, o dia 21 de janeiro comemora o Dia Mundial da Religião!"

"O dia mundial da religião é um dia para demonstrar sua fé e seu respeito por todas as religiões do mundo. Imponha o respeito que todos nós merecemos!"

"A fé move muitas pessoas e faz com que elas acreditem em si e na vida. Por isso, saiba respeitar mais todas as pessoas e as religiões delas, porque é isso que, muitas vezes, nos ajuda a seguir. Vamos comemorar esse Dia Mundial da Religião com muito amor e fé na humanidade!"

"Está na hora de passarmos a compreender melhor as pessoas e o porquê elas acreditam em certas coisas, o Dia Mundial da Religião foi criado exatamente por isso… Vamos comemorá-lo dando voz às pessoas e sabendo que devemos respeitá-las também!"

"No dia 21 de janeiro, não importa se a religião acredita em um Deus (monoteísta) ou em vários deuses e entidades (politeísta), quase todas buscam ter o mesmo objetivo: a paz e o respeito entre os seres, principalmente nos assuntos religiosos."

"Cada pessoa é livre para acreditar no que quer e seguir o que acha ser o melhor para si, não temos o direito de criticar nem querer induzir ninguém! Por isso, ame incondicionalmente e sem julgamentos, ainda mais quando se trata de religião. Hoje, no dia 21 de janeiro, é comemorado o Dia Mundial da Religião, ajude a quebrar todas as barreiras!"

"Precisamos aprender a ter mais tolerância uns com os outros. Muitas vezes, queremos obrigar os outros a crerem no que nós acreditamos ou não, mas isso não é uma atitude boa! Por isso, vamos aproveitar esse Dia Mundial da Religião e respeitar mais todas as pessoas, pois foi por isso que ele foi criado."


FONTE: CLIQUE AQUI

domingo, 19 de setembro de 2021

Filosofia e Religião são inimigas?

 


Não existe consenso generalizado entre os grandes estudiosos sobre a seguinte questão: "RELIGIÃO E FILOSOFIA SÃO INIMIGAS? 

A resposta pode ser sim, ou não, dependendo muito da filiação religiosa ou filosófica de cada um.

Porém, muitos acreditam que uma precisa da outra. 

Por que? 

A resposta é óbvia, pois, uma não existe sem a outra, ou seja, não existe religião sem uma base filosófica nem filosofia sem raízes religiosas. Sendo assim, uma vive da outra e ambas se influenciam dando sustentação mútua.

Os ataques contra a religião do ponto de vista científico ou filosófico são ataques de um ponto de vista religioso adverso. 

A colisão entre ciência natural e religião cristã é, na verdade, entre o instinto da religião natural, fundido na observação natural científica, e o valor da consciência cristã do Universo que garante ao espírito sua preeminência no mundo natural. Esse instinto é o próprio instinto da racionalidade.

Uma tradição puramente racionalista é tão impossível quanto uma tradição puramente religiosa. 

O idealismo crítico de Kant, por exemplo, é de origem religiosa, e para salvar a religião, Kant ultrapassou os limites da razão depois de dissolvê-la, em certo modo, no ceticismo. 

O sistema de antítese, contradições e antinomias sobre a qual Hegel constitui seu idealismo absoluto se origina em Kant e essa raiz é uma raiz irracional.


[Do sentido do trágico da Vida]
Unamuno

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Homem - um enigma ambulante


Na impossibilidade de sabermos alguma coisa com absoluta certeza sobre o que é o Homem, vários pensadores tomaram para si a tarefa de defini-lo, o que não é de todo pacífico, pois, sua natureza é diversa.

O filósofo estoico Epiteto de Hierápolis (c. 50-130 d. C.) enfatizava, sobretudo, a grandeza e a dignidade da natureza humana ignorando assim, suas respetivas misérias...

Para o monge agostiniano Martinho Lutero (1483-1546), o homem é um ser corrompido, envenenado e pecaminoso, sua natureza e essência são impuras...

Segundo o fundador da Ciência Política Moderna, Nicolau Maquiavel (1469-1527), o homem é mau por natureza, a menos que precise ser bom...

Ao contrário de Epiteto, o filósofo Michel de Montaigne (1513-1592), apontava a fraqueza, a debilidade e a miséria do homem engajado pela sua imaginação, volúvel e escravo da opinião pública, sujeito às doenças e à morte...

Para o francês Blaise Pascal (1623-1662), "o homem é um ser oco e cheio de lixo". Tomando Epiteto e Montaigne como referências, classifica o homem como um ser paradoxal, ou seja, um amontado de grandezas e misérias. Para ele, o homem não é, pois, senão disfarce, mentira e hipocrisia, quer em si mesmo, quer em relação aos outros. Não quer que se lhe diga a verdade, evita dizê-la aos outros...

Para o filósofo John Locke (1632-1704), o homem nasce como se fosse uma folha em branco e todo o processo do conhecer, do saber e do agir é aprendido através da experiência...

Contrariamente a Maquiavel, Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), acreditava que homem é bom por natureza, mas a sociedade o corrompe...

Para o filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860), o homem possui a consciência da sua vontade, mas essa vontade é cega, robusta e irracional, que carrega um aleijado que enxerga...

Para o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), o homem é uma corda, atada entre o animal e o super-homem – uma corda sobre o abismo...

Agora é sua vez!

Consegue desvendar esse enigma que é o homem???

segunda-feira, 7 de junho de 2021

"Guernica Amazônica"




Triste realidade! "A Guernica Amazônica" é uma referência à obra do pintor espanhol Pablo Picasso que mostra o bombardeio dos Nazistas à pequena cidade de Guernica, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

O bombardeiro aconteceu no dia 26 de abril de 1937. Aviões alemães da Legião Condor destruíram quase completamente a cidade com cerca de 6 mil habitantes, ceifando a vida de 1660 pessoas e ferindo cerca de 890.

O quadro tem um significado político e é uma crítica à devastação causada pelas forças nazistas à semelhança do que está acontecendo com a Amazônia.

Portanto, qualquer semelhança da 'Guernica' de Picasso com a 'Guernica Amazônica' não é pura coincidência. No limite, o que muda é o método e os meios empregados para tal, mas, as intenções e os objetivos são os mesmos.


segunda-feira, 24 de maio de 2021

Congressos e Eventos na Área de Teologia e Ciência da Religião

 


 

1.SOTER 2021: julho de 2021<http://br936.teste.website/~sethco21/SOTER.ORG.BR/novosite/edicoes-2020-2021-23/edicoes-2020-2021-23

2.ANPTECRE 2021: 28 a 30 de Setembro de 2021<https://www.anptecre.org.br/index.php?pagina=grupo_conteudo&tela=30>.

3.Congresso latino-americano de Ciencia y Religion: 15 a 17 de setembro <https://fjs.ucc.edu.ar/curso.php?id=21629#:~:text=El%20X%20Congreso%20Latinoamericano%20de,y%20especialistas%20en%20otras%20disciplinas

4.Congresso ALALITE: 26, 27, 28 de outubro <https://www.congresoalalite2021.cl/

5.RELIGIOCOM – 1º Congresso Internacional de Comunicação e Religiões: 15 e 16 de junho de 2021 (Evento gratuito) < https://www.even3.com.br/religiocom2021/

6.Semana de Estudos de Religião UMESP 2021 (Evento gratuito): 9, 10 e 11 de novembro <www.estudosdereligiao.com.br>. 

7.Colóquio Internacional TEOTOPIAS - Cinquentenário do nascimento de Daniel Faria: <http://www.teotopias.org/2021-2/>. 

8.Semana Paul Tillich: setembro (Evento gratuito) <www.paultillich.com.br>. 

9.VII congresso latino-americano de gênero e religião: 24-27 de agosto <https://ava.est.edu.br/moodle/course/view.php?id=2376>. 

 

segunda-feira, 12 de abril de 2021

QUEM É O HOMEM?


O Homem já foi classificado de várias formas: "Zoon Politikon" Animal Político (Aristóteles); "Contratante Social" (Rousseau); "Caniço Pensante" (Pascal); "Homo Economicus" (manchesterianos); "Homo Sapiens" (Lineu) [...].

Mas, não é nenhum desses homens que me preocupa, mas sim, o "Homem de carne e osso" como diria Unamuno. Aquele que nasce, cresce, come, bebe, joga, dorme, pensa, mas, sobretudo, SOFRE E MORRE, só!

Esse homem que perdeu o medo do seu 'trágico' destino, principalmente, porque perdeu o senso de proteção da sua própria vida e a dos outros...

Esse homem que podemos chamar de "mamífero vertical" bípede (sem pernas), racional (sem cérebro/razão), humano (sem humanidade). Ou seja, "um ser oco e cheio de lixo" como diria Pascal. Esse sim, é motivo de preocupação...

Sejamos mais dignos, pois, Kant já dizia que “o valor do ser humano é a sua dignidade”. Ter dignidade significa: ter qualidade moral que infunde respeito, consciência do próprio valor, honra, autoridade, nobreza, elevação, respeito[...].

São homens desse tipo que estamos procurando como fazia Diógenes (Filósofo da Grécia Antiga) que andava com uma lanterna acesa durante o dia à procura de homens honestos...

Agora, além de procurarmos 'homens honestos' estamos a procura, principalmente, daqueles que queiram preservar a humanidade face a maior ameaça deste século até agora, a COVID-19.

E você, que tipo de homem se tornou? Qual é a cara que você carrega. Clarice Lispector diria que "depois de certo tempo cada um é responsável pela cara que tem". De toda a forma, o homem, como disse o gênio francês, não é nem anjo, nem animal, mas exibe características próprias de cada um...

Então, sejamos todos responsáveis, não só pela cara que carregamos, mas, pelo comprometimento com a raça humana.

Vamos nos proteger e proteger os outros! SEMPRE!

SOBRE O SENTIDO DA VIDA



Cada ano, mês, dia, hora, minuto ou segundos que passam, aproximamos continuamente da morte. Mas, não sabemos a que distância estamos dela e ela de nós.

Nesse sentido, concordo com o Filósofo Andrei Venturini Martins, pois, segundo ele, certo grau de cegueira quanto ao nosso destino é fundamental para vivermos nossa vida.

Mas isso não deve ser um salvo conduto para nos expormos ao perigo da ignorância, pois, a atual maneira de submeter uma nação ou um povo sem fazer nenhum disparo é deixá-los na ignorância.

Para quem não está disposto a pagar pra ver o quão esta perto da morte, então, deve manter distância das grandes AGLOMERAÇÕES, PRAIAS LOTADAS, BARES, FESTAS CLANDESTINAS...

Fiquemos em casa com nossas familias e disfrutemos cada fração de tempo, pois, a fraçao seguinte não nos pertence mais, e tudo pode acontecer!

A vida é o valor supremo que nos foi oferecido gratuitamente, por isso, não podemos desperdiçá-la por nos acharmos imortais.

Valorisêmo-la em sua justa medida pela importância de quem a criou e, pela graça, nos escolheu...

Muitos pensam que, o que nos difere dos animais é a nossa capacidade racional. Unamuno diria que não, pois, para ele a diferença reside na nossa capacidade afetiva ou sentimental.

Talvez seja o sentimento de autopreservação que nos difere dos outros animais, pois, somos capazes de amar, colocar no lugar dos outros, ser solidários, dar a vida por um amigo, ou seja, ter os sentimentos mais nobres, mas também somos capazes das atrocidades mais terriveis.

Mas nada disso importa do ponto de vista da morte, pois, por mais bela que seja nossa vida, Martins nos alerta que, um dia jogar-nos-ão terra sobre a cabeça...
Eis a verdade infalível!

Depois de sabermos tudo isso, estaremos dispostos ainda em arriscar nossas vidas, a dos nos familiares e amigos, simplesmente, porque entre nós existem homens que continuam desafiando e estimulando outros a desafiarem a morte?

Saibam que, esse é e será sempre um desfio, absolutamente, inglório...

Cuidemo-nos... e como disse Charles Bukowski para onde quer que vá a multidão, vá em direção contrária...


sexta-feira, 2 de abril de 2021

A maldição das aglomerações

 



A atual crise existencial em que vivemos tem reflexos na política, na religião, na moral, na ética e nas infinitas formas com que nós nos relacionamos com os outros seres viventes. Essa crise faz com que nós não sejamos mais autores da nossa própria história, mas, apenas repetidores de padrões exteriores de comportamentos.

As conseqüências já são conhecidas, pois, o Homem atual prefere a comodidade e a aprovação das massas ao protagonismo do ‘Eu’. Esse Homem que esqueceu o seu ‘Eu’ reflete a incapacidade de lidar com o sentimento de vazio que nos invadiu e corrói nossa existência a ponto de querermos fugir de nós mesmos e procurar o amparo das multidões, ou seja, das grandes aglomerações.

As multidões, como se sabe, têm como premissa básica livrar-nos do tédio, da solidão e da angústia, estratégias mais do que suficientes para alimentar nossa tendência a desviarmos de nós mesmos e refugiar, em última instância, na estéril diversão, no jogo, na algazarra das aglomerações, manifestações empíricas das nossas infinitas misérias existenciais.

No decorrer dos últimos tempos e, especialmente, no último ano, fomos obrigados a aprender a conviver com a tensão permanente entre a vida e a morte, o agora e o depois, o sim e o não, a alegria e a tristeza, a harmonia e a desordem (...) paradoxos que só os que estão agonizando numa CTI são capazes de superar, pois, nada além da vida é mais importante.

Perante a luta pela vida, todos os paradoxos dissolvem-se. Mas, apenas aqueles que dão por perdido a vida que não merece ser vivida, a guardarão. Isso significa abrir mão das ilusões e das distrações mundanas, das mais variadas formas de escapismos e das satisfações fugazes desse breve instante que nos fomos convidados a permanecer na terra.

Precisamos urgentemente (re)descobrir esse cenário cada vez mais complexo e desafiador em que cada biografia é feita de lutas que não tem sua origem e destino no palco contingente da nossa telegráfica existência.

Então, aproveitemos essa curta existência e cuidemo-nos uns dos outros!            

 

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Críticas à religião - Marilena Chauí


As primeiras críticas à religião feitas no pensamento ocidental vieram dos filósofos pré-socráticos, que criticaram o politeísmo e o antropomorfismo. Em outras palavras, afirmaram que, do ponto de vista da razão, a pluralidade dos deuses é absurda, pois a essência da divindade é a plenitude infinita, não podendo haver senão uma potência divina.

Declararam também absurdo o antropomorfismo, uma vez que este reduz os deuses à condição de seres super-humanos, isto é, as qualidades da essência divina não podem confundir-se com as da natureza humana. Essas críticas foram retomadas e sistematizadas por Platão, Aristóteles e pelos estoicos.

Uma outra crítica à religião foi feita pelo grego Epicuro e retomada pelo latino Lucrécio. A religião, dizem eles, é fabulação ilusória, nascida do medo da morte e da Natureza. É superstição. No século XVII, o filósofo Espinosa retoma essa crítica, mas em lugar de começar pela religião, começa pela superstição. Os homens, diz ele, têm medo dos males e esperança de bens. Movidos pelas paixões (medo e esperança), não confiam em si mesmos nem nos conhecimentos racionais para evitar males e conseguir bens.

Passional ou irracionalmente, depositam males e bens em forças caprichosas, como a sorte e a fortuna, e as transformam em poderes que os governam arbitrariamente, instaurando a superstição. Para alimentá-la, criam a religião e esta, para conservar seu domínio sobre eles, institui o poder teológico-político. 

Nascida do medo supersticioso, a religião está a serviço da tirania, tanto mais forte quanto mais os homens forem deixados na ignorância da verdadeira natureza de Deus e das causas de todas as coisas. 

Essa diferença entre religião e verdadeiro conhecimento de Deus levou, no século XVIII, à ideia de religião natural ou deísmo. Voltando-se contra a religião institucionalizada como poder eclesiástico e poder teológico-político, os filósofos da Ilustração afirmaram a existência de um Deus que é força e energia inteligente, imanente à Natureza, conhecido pela razão e contrário à superstição. 

Observamos, portanto, que as críticas à religião voltam-se contra dois de seus aspectos: o encantamento do mundo, considerado superstição; e o poder teológico-político institucional, considerado tirânico. 

No século XIX, o filósofo Feuerbach criticou a religião como alienação. Os seres humanos vivem, desde sempre, numa relação com a Natureza e, desde muito cedo, sentem necessidade de explicá-la, e o fazem analisando a origem das coisas, a regularidade dos acontecimentos naturais, a origem da vida, a causa da dor e da morte, a conservação do tempo passado na memória e a esperança de um tempo futuro. Para isso, criam os deuses. Dão-lhes forças e poderes que exprimem desejos humanos. Fazem-nos criadores da realidade. Pouco a pouco, passam a concebê-los como governantes da realidade, dotados de forças e poderes maiores do que os humanos. 

Nesse movimento, gradualmente, de geração a geração, os seres humanos se esquecem de que foram os criadores da divindade, invertem as posições e julgam-se criaturas dos deuses. Estes, cada vez mais, tornam-se seres onipotentes, oniscientes e distantes dos humanos, exigindo destes, culto, rito e obediência. Tornam-se transcendentes e passam a dominar a imaginação e a vida dos seres humanos.

 A alienação religiosa é esse longo processo pelo qual os homens não se reconhecem no produto de sua própria criação, transformando-o num outro (alienus), estranho, distante, poderoso e dominador. O domínio da criatura (deuses) sobre seus criadores (homens) é a alienação. 

A análise de Feuerbach foi retomada por Marx, de quem conhecemos a célebre expressão: “A religião é o ópio do povo”. Com essa afirmação, Marx pretende mostrar que a religião – referindo-se ao judaísmo, ao cristianismo e ao islamismo, isto é, às religiões da salvação – amortece a combatividade dos oprimidos e explorados, porque lhes promete uma vida futura feliz. Na esperança de felicidade e justiça no outro mundo, os despossuídos, explorados e humilhados deixam de combater as causas de suas misérias neste mundo. 

Todavia, Marx fez uma outra afirmação que, em geral, não é lembrada. Disse ele que “a religião é lógica e enciclopédia popular, espírito de um mundo sem espírito”. Que significam essas palavras? 

Com elas, Marx procurou mostrar que a religião é uma forma de conhecimento e de explicação da realidade, usadas pelas classes populares – lógica e enciclopédia – para dar sentido às coisas, às relações sociais e políticas, encontrando significações – o espírito no mundo sem espírito -, que lhes permitem, periodicamente, lutar contra os poderes tirânicos. 

Marx tinha na lembrança as revoltas camponesas e populares durante a Reforma Protestante, bem como na Revolução Inglesa de 1644, na Revolução Francesa de 1789, e nos movimentos milenaristas que exprimiram, na Idade Média, e no início dos movimentos socialistas, a luta popular contra a injustiça social e política. 

Se por um lado na religião há a face opiácea do conformismo, há, por outro lado, a face combativa dos que usam o saber religioso contra as instituições legitimadas pelo poder teológico-político.

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Fonte:

CHAUÍ, Marilena. Convite a filosofia. 12ª ed. – São Paulo: Editora Ática, 2002.

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