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segunda-feira, 11 de março de 2019

3º Seminário de Ciência da Religião Aplicada - PUCSP/2019

"O Seminário de Ciência da Religião Aplicada (SEMCREA) é um evento discente anual do Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciência da Religião da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), e tem como objetivo semear contribuições e aplicações profissionais que cientistas das religiões podem apresentar à sociedade."

O EVENTO É GRATUITO E ACONTECERÁ NO DIA 25/03/2019


Anais do Primeiro Seminário de Ciência da Religião Aplicada - 1edição - 2017:

Anais do Segundo Seminário de Ciência da Religião Aplicada - 2ª edição - 2018:

PARA MAIS INFORMAÇÕES CLIQUE EM: [http://congressos.pucsp.br/index.php/SEMCREA/2019]

Fonte: Página do evento. Acesso em 11/03/2019.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Diferença entre ontologia 'dualista'​ ontologia 'monista'

A raiz do termo ontologia vem do grego ontos (ser) mais logia (estudo) então, ontologia pode ser definida como sendo o estudo filosófico da essência do ser e da realidade englobando questões gerais relacionadas ao significado da existência de todos os tipos de entidades, imanentes ou transcendentes, abstratas ou concretas, físicas ou metafísicas que constituem o mundo. Tradicionalmente, ela se divide em ontologia ‘dualista’ e ontologia ‘monista’.

Os assim chamados de pensadores dualistas defendem a existência de uma duplicidade de substâncias, significado comum difundido por uma grande parte da tradição filosófica. Já a ontologia monista é aquela que admite apenas a existência de uma única substância, compreendendo nessa categoria tanto os materialistas ou os idealistas. Os primeiros só admitem a existência de entes ou realidades físicas e concretas, enquanto que os segundos admitem apenas a existência de ideias ou entes abstratas ou metafísicas.

Basicamente, a diferença entre o dualismo e o monismo consiste precisamente em que, o primeiro (dualismo) vê o ‘cosmos’ composto por realidades terrestres (físicas) em que o ser supremo é imanente e realidades transcendentes (metafísicas) em que o ser supremo é transcendente; enquanto que o segundo (monismo) defende a existência de uma única realidade onde não existe separação necessária, ou seja, existe uma unicidade substancial. Para os dualistas, essas realidades (físicas ou metafísicas; imanentes ou transcendentes) são realidades que por sua natureza compõe um todo organizado enquanto que os monistas vêm apenas uma dessas realidades como sendo a única que de fato existe, ou seja, a imanência exclui a transcendência, a física exclui a metafísica, o abstrato exclui o concreto e vice-versa.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

A ideia cristã do 'pecado original' é incompatível com o Hinduísmo, o Budismo e o Islã


De acordo com os cristãos, a doutrina do ‘pecado original’  pretende explicar a origem da imperfeição humana, do sofrimento e da existência do mal através da queda do primeiro homem que desobedeceu aos desígnios do Criador (Deus) e como resultado, a natureza de Adão e toda a sua descendência tornou-se pecaminosa. No entanto, essa doutrina apenas faz referência ao Cristianismo, e, por isso, é considerada incompatível com as outras religiões mundiais, ou seja, o Hinduísmo, o Budismo e o Islamismo.

No primeiro caso (Hinduísmo), e, por acreditarem em sucessíveis reencarnações, a ideia de pecado é substituída por duas noções intimamente ligadas. A primeira: o samsara, ciclo de morte e renascimentos que mantém preso todo ser vivo; segunda o Karma, ou seja, o ato e sua consequência inseparáveis que aprisiona todo ser no ciclo das mortes e renascimentos. Para sair desse ciclo, cada ser precisa melhorar seu Karma ao longo das várias reencarnações, por isso, o hinduísmo apresenta várias vias para alcançar o moksha, ou seja, a libertação do ciclo de renascimentos como objetivo de vida de todo hindu. 

No Budismo também não existe a noção de pecado original, pois, segundo os budistas, ninguém nasce pecador, mas as pessoas sofrem porque vivem. Então a primeira sensação do viver é o sofrimento e não a felicidade uma vez que, a vida é sofrimento. O objetivo dos budistas é alcançar o nirvana através do conhecimento das quatro nobres verdades e percorrendo o caminho óctuplo que significa ter entendimento, pensamento, linguagem, ação e esforço corretos antes dos desejos. 

O islamismo também não ensina nada semelhante à ideia cristã de pecado original, pois, o Islã ensina que os homens pecam por livre escolha, não por terem nascido pecadores, como é no caso do Cristianismo. Por isso, eles adotam a doutrina pelagiana que, sustenta que o homem é responsável pela sua própria salvação e, por isso, não precisa de graça. No entanto, os muçulmanos reconhecem, que, o pecado é algo contrário à Deus, ou seja, é a inclinação humana para fazer aquilo que é contrário a Deus.   

Dia Mundial das Religiões (21 de Janeiro)


Conhecer melhor a própria religião e a religião alheia pode ser instrumento necessário para o convívio pacífico e respeitoso entre pessoas de diferentes crenças. Como dizia Gandhi “Não quero que minha casa seja cercada por muros de todos os lados e que as minhas janelas estejam tapadas. Quero que as culturas de todos os povos andem pela minha casa com o máximo de liberdade possível”. Isto não significa a perda das próprias raízes e convicções, ao contrário, significa maior clareza de suas próprias opções a ponto de ter os braços e as mãos livres para dá-los aos demais respeitando o direito à diferença e à liberdade de opção religiosa, inclusive a liberdade de não possuir crenças religiosas.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Funções espirituais do 'imposto social'​ e o 'jejum'​ no Islamismo



O Islã é um termo que em árabe significa ‘submissão’ a Deus. A religião Islâmica, ou seja, o Islamismo é a terceira grande expressão de fé monoteísta e seus primórdios remontam à missão do profeta Maomé na Arábia do século VII, cujo documento central é o Alcorão. Os seguidores do Islamismo são conhecidos como muçulmanos, ou seja, aquele que ‘submete’ às leis divinas. O islamismo ensina códigos sociais e pessoais de conduta que afetam homens e mulheres.

Ela assenta-se sobre os cinco pilares ou atos de fé que os muçulmanos professam, a saber: (1) prestar testemunho; (2) oração diária; (3) jejum no mês de ramadã; (4) imposto social; (5) peregrinação à Meca. Todos os muçulmanos sabem que devem observar suas obrigações a Deus, do contrário arriscam a desintegração dos pilares, o que minaria a própria fundação da religião. Falando especificamente do Jejum no mês de ramadã, é uma das obrigações ou culto que Deus Glorificado determinou para os muçulmanos, conforme a Sua revelação no Alcorão Sagrado: “ó crente, o jejum vos foi prescrito, assim como prescrito aos que vos antecederam”. 

O jejum consiste em privar-se de comer, beber e ter relações sexuais durante o mês islâmico de ramadã que ocupa o nono mês do calendário islâmico onde os muçulmanos observam um rígido período de abstenção, reflexão e purificação. O jejum possui um papel pedagógico no desenvolvimento do autocontrole, na força da vontade, no comportamento para a preservação moral e física afastando-se assim das concupiscências e luxurias. O imposto social é uma obrigação que cada muçulmano deve cumprir pagando anualmente uma quantia, calculada a partir dos rendimentos em benefício dos pobres, como forma de purificação e de culto.

Esse valor é fixado aproximadamente em 2,5% da riqueza (dinheiro, ouro, prata) da pessoa, podendo variar em alguns casos, por exemplo, de produtos agrícolas em que a contribuição é aproximadamente 10% da colheita. Nesses dois pilares específicos, ambos possuem uma função espiritual muito importante que é o da purificação, no primeiro caso através da abstinência rígida de certos prazeres, e, no segundo através da ajuda dada aos mais pobres (prisioneiros, viajantes, endividados...). 



quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Diferença entre as 'budologias'​ do Budismo 'Theravada'​ e do Budismo 'Mahayana'​


O objetivo inicial do Budismo era que o indivíduo atingisse a salvação por seus próprios esforços. Atualmente existem duas escolas do Budismo, ambas com visões diferentes, ou seja, o 'Theravada' e o 'Mahayana'. Existe uma grande diferença entre a budologia 'Theravada' e o budologia 'Mahayana'. O primeiro é chamado de Hinayana, ou seja, o ‘pequeno veículo’, tendo em conta que leva apenas alguns monges à salvação, pois, o objetivo de cada um é se tornar Arhat, ou seja, uma pessoa que está livre do sofrimento. Ela é a forma mais antiga e considerada o núcleo primitivo difundido principalmente em Sri Lanka, Mianmar, Camboja, Laos e Tailândia. 

Seus seguidores buscam o nirvana dentro de uma ordem monástica e rejeitam o conceito mais amplo e compreensivo do budismo Mahayana. Este é conhecido como ‘o grande veículo’ e seu nome reflete a crença, predominante no budismo do Norte da Ásia, de que é possível levar todas as pessoas à redenção, diferente do budismo Theravada. O objetivo do Mahayana é seguir o caminho do Budhisattva (aquele que ilumina a si e os outros). Uma outra diferença entre essas duas escolas é que o Theravada considera o Buda apenas como um ideal de salvação enquanto que a Mahayana os seguidores acreditam no buda como o salvador.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

os “avatares” de Vishnu e sua funcionalidade diante do desafio do Budismo para o Hinduísmo.


A teologia hinduísta fundamenta-se no culto aos ‘avatares’ da divindade suprema, ou seja, o Brâmane, pois, nele um avatar é uma manifestação corporal de um ser imortal. O termo avatar significa ‘descida’, denotando uma (região) das encarnações de Vishnu, ou seja, aquele que desce de deus ou simplesmente encarnação. Nesse sentido, avatar é uma forma encarnada do Ser Supremo. Assim, as várias formas divinas residem em um plano espiritual. 

No Hinduísmo, uma das três principais divindades é o Vishnu, pois, ele é o Deus da preservação, ou seja, que sustenta a existência do universo e governa sua harmonia, e, por isso, já apareceu nove vezes e é esperado em uma décima vez, pois, sempre que acontece alguma coisa ruim, Ele tem o papel de restabelecer a harmonia na terra para que o bem triunfe sobre o mal.Em cada encarnação, Vishnu apresenta-se com caraterísticas bem diferentes, apresentando formas humanas e animal, porém, a partir da quinta encarnação assume apenas forma humana.

Suas encarnações seguem a seguinte ordem: Matsya, (homem-peixe) é a primeira encarnação; Kurma, (homem tartaruga) é a segunda; Varaha, (homem com cabeça de um javali) é a terceira; Narasimha (metade homem e metade leão) é a quarta; Vamana (forma humana) é a quinta; Parashurama (forma humana total) é a sexta; Rama é a sétima; Krishna é a oitava; Buda é a nona, e remonta o período em que o Budismo ganhou popularidade entre as castas inferiores; e, Kalki, será a última encarnação que acontecerá na terra. A nona encarnação de Vishnu é a ponte entre o Hinduísmo e o Budismo, pois, seu avatar foi Buda, e, apesar da evidente tentativa de colocar o Budismo como doutrina subordinada ao Hinduísmo, ele triunfou, devido ao desprezo pelas castas e diferenças sociais, oferecendo a todos, os mesmos meios para a salvação e iluminação através da remoção das impurezas e ilusões, pois, o objetivo de cada budista é a iluminação, ou seja, o nirvana. 

De qualquer forma, o Budismo está no Hinduísmo, já que Buda (Siddhartha Gautama) é a nona encarnação de Vishnu e cresceu dentro do Hinduísmo como caminho individual para a salvação, que prosperou porque ofereceu a salvação por meio da crença no iluminado.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

MIGRAÇÕES INTERNACIONAIS E RELIGIÃO: PROBLEMAS E SOLUÇÕES


RESUMO

A relação entre migração internacional e religião como ‘fenômeno’ contemporâneo está associada a vários problemas nacionais e internacionais. Este artigo tem como objetivo, refletir sobre as interfaces entre migração e religião, um tema que nos últimos anos tem desafiado vários pesquisadores e acadêmicos pelo grau de importância que o assunto se reveste. Há muito, esse tema vem sendo investigado, e, graças a isso, podemos contar com um acervo composto por vários livros e trabalhos monográficos, que de certa forma nos servirá de suporte para desenvolver nossa pesquisa.

Palavras-chaves: migração; religião; fenômeno contemporâneo.

Texto completo, clique aqui: 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Mãe Stella de Oxóssi [1925-2018]



"Pra quem não é de candomblé, deixa eu explicar uma coisa: neste dia perdemos mais que um grande nome dentro do candomblé, perdemos uma grande mulher. Um grandessíssimo exemplo de mulher.

Mãe Stella foi raspada (iniciada no candomblé) com 13 anos de idade, mas essa não é a questão. Com 51 anos, foi escolhida para liderar o terreiro Ilê Axé Opó Afonjá.

Com esta idade muitos costumam achar que já fizeram demais ou que nada mais tem a desenvolver. Mãe Stella não.

Em 1999, Mãe Stella conseguiu que o terreiro fosse tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).


Em 2005, recebeu o título de doutor honoris causa pela Universidade Federal da Bahia (Ufba). Quatro anos depois, recebeu o mesmo título pela Universidade do Estado da Bahia.
Além disso, Mãe Stella foi agraciada com a Comenda Maria Quitéria, da Prefeitura de Salvador, com a Ordem do Cavaleiro, do Governo do Estado, e a Ordem do Mérito, do Ministério da Cultura.

Estudiosa e divulgadora da crença religiosa africana, Mãe Stella foi a primeira ialorixá no Brasil a escrever livros e artigos sobre o candomblé.

Em 2013, foi eleita, por unanimidade, para a Academia de Letras da Bahia, ocupando a cadeira de número 33, cujo patrono é o poeta Castro Alves.

A ialorixá tem nove livros publicados, entre eles “Meu tempo é agora”, “Òsósi – O Caçador de Alegrias”, “Epé Laiyé- terra viva” e "Ófun".

No Ilê Axé Opô Afonjá, montou o primeiro museu aberto em uma casa de candomblé, onde podem ser vistas as roupas e os objetos usados pelas mães de santo da casa e pelos orixás.

Em 2014, ela também foi a homenageada da Flica, festa literária que é realizada todos os anos na cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano. Na mesma época, criou a biblioteca itinerante adaptando um ônibus para levar a qualquer lugar livros que abordam curiosidades sobre todas as religiões.

Em 2017, Mãe Stella idealizou e lançou um aplicativo com orientações e mensagens de fé e motivação e ainda decidiu criar um canal no YouTube com ensinamentos e referências da cultura iorubá, memórias, depoimentos e textos sobre a sua vida.

Perdemos hoje uma mulher que nos ensinou mais que religião, nos ensinou que todo dia temos a oportunidade de fazer mais, de ir além. Nos mostrou a força e a resiliência feminina."


Fonte
Renata Cassini. Publicado em:<https://www.facebook.com/raizancestralndanji/posts/2316572028622674>. Acesso em 28/11/2018.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Modelos e práticas do ensino religioso e diversidade religiosa


Arlindo Nascimento Rocha[1]


Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião, esse direito inclui liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente em público ou em particular.

[Declaração Universal dos Direitos Humanos][2]




Resumo

Atualmente o Ensino Religioso e a diversidade/liberdade religiosa são temas que pela sua relevância carecem ainda de reflexão e fundamentação teórica para que na prática cotidiana de todo e qualquer cidadão possamos observar mudanças no comportamento social e religioso. Por isso, nosso objetivo ao elaborar esse artigo é trazer à tona alguns conceitos abordados anteriormente por outros autores, mas, precisam ainda ser multiplicados para que se possa atingir um público cada vez mais amplo. Acredita-se que, mudanças só são possíveis através de uma boa educação desde a base até ao topo. Sendo a religião uma dimensão humana que não conhece fronteiras nem classes sociais, ela precisa estar integrada ao processo educativo através de um ensino que dê conta de salvaguardar a liberdade, o respeito e a tolerância religiosa. Mas, é preciso saber como fazê-lo. Por isso, existem os modelos de Ensino Religioso que precisam ser estudados e postos em prática em sala de aulas, para que se possa atingir as metas e os objetivos educacionais. 

Palavras-chave: Ensino Religioso; Diversidade Religiosa; Tolerância Religiosa.

Artigo completo disponível em:




[1] Doutorando em Mestre em Ciência da Religião (PUC-SP); bolsista da CAPES; Pós-Graduado em Administração, Supervisão e Orientação Pedagógica e Educacional, pela UCP/IPETEC; Licenciado em Filosofia para a docência pela Uni-CV. E-mail. arlindonascimentorocha@gmail.com  
[2] Com o término da Segunda Guerra Mundial foi necessário iniciar a reconstrução dos direitos humanos como paradigma ético para guiar a humanidade. Em 1945, foi criada a (ONU) Organização das Nações Unidas e em 1948 foi elaborado a Declaração Universal dos Direitos Humanos que representa a aceitação de valores universais por todas as nações do mundo.