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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Predomínio da imagem e anemia simbólica


Arlindo nascimento Rocha [1] 


Para ver a apresentação em PowerPoint, clique no link: <https://pt.slideshare.net/kularocha/situao-atual-do-smbolo>.

Resumo 

Vivemos uma situação paradoxal: quanto mais cresce o império da imagem em nossa sociedade, mais definha a presença do símbolo. O símbolo vive da evocação e inspiração do ausente. Este trabalho baseado na obra A vida do símbolo – A dimensão simbólica da religião de José Maria Mardones[2], e tem como propósito refletir sobre esse paradoxo aparente, como um desvelamento da lógica das contradições e empobrecimento da nossa cultura atual, ou seja, a cultura da imagem. O predomínio ditatorial da imagem em nosso mundo pode ser lido como indicador de uma decadência da palavra e, mais ainda, do símbolo. As consequências e perguntas são numerosas, mas a primeira dessas consequências e a opressão do símbolo pela imagem.

A vida do símbolo – a dimensão simbólica da religião

      A obra de José Maria Mardones A vida do símbolo – A dimensão simbólica da religião é uma tentativa de resgatar o simbólico na cultura da modernidade, visando ao esclarecimento da dimensão transcendente da vida humana, mas também a saúde da religião, que depende da vitalidade com que os símbolos religiosos são vividos. O autor propõe analisar a dimensão simbólica em um de seus âmbitos mais expressivos: o religioso.

   Segundo ele, no momento em que se vive o novo paradigma da racionalidade, o presente ensaio incentiva e estimula o exercício de uma razão não unilateral, mas aberta ao simbólico e enraizada no mundo da evocação e da corporeidade, consciente de sua relação constitutiva e vital com a tradição, e sensível à alteridade da interpretação do outro no rosto humano das vítimas da história.

     A obra está dividida em dois capítulos e seis partes: a primeira – situação da cultura ocidental em relação ao símbolo, a segunda – busca das raízes do símbolo; a terceira – o campo simbólico; a quarta – armadilhas que espreitam a religião na sua relação com o símbolo; a quinta – aborda três aspectos em que o símbolo desempenha papel relevante na crença cristã; a sexta – aborda o imaginário e o desdobramento simbólico que possuem um peso importante.

O Império da visão

     O enorme crescimento da fotografia, vídeo e televisão, a civilização ocidental é a expressão incontestável para a visualização total da realidade, a “civilização da imagem”, contrariando assim, o Cogito, ergo sum de Descartes, que significa “penso, logo existo” que, se estivesse vivo, diria, com certeza “posto logo existo” […].

A racionalidade moderna caminha para uma decomposição analítica, que no fundo, quer visualizar o segredo guardado pela realidade. A pretensão é trazer à luz dos olhos, da imagem retiniana, as coisas tais quais elas são. A análise da ciência como caminho de acesso à verdade vem de uma lógica que se costuma atribuir a Aristóteles, filósofo grego, aluno de Platão, nascido: 384 a.C., Calcídica, Grécia e falecido em: 322 a.C., Cálcis, Grécia.

A lógica aristotélica consiste no raciocínio binário, dialético, que propõe duas alternativas que excluem a terceira. É conhecida como a lógica silogística baseada nos seguintes princípios:

1- Princípio de Identidade: A é A;
2- Princípio de não contradição: é impossível que A seja A e não A ao mesmo tempo;
3- Princípio do terceiro excluído: A é x ou não-x, não há terceira possibilidade.  

A verdade se consegue por meio de uma argumentação que propõe uma “imagem” ou “visão” mental da verdade clara e distinta. A teoria do conhecimento também era regida pelo ideal da imagem. Conhecer era produzir na realidade, uma espécie de espelho da natureza. Conhecer era reproduzir a realidade tal como ela era. Com o avanço tecnológico, a metáfora do espelho da natureza foi substituída pela fotografia. O conhecimento seria como uma máquina fotográfica que registra com beleza, neutralidade e detalhe tudo o que tivesse diante de si, isto é, tudo o que conhecesse.

A história da teoria do conhecimento foi à destruição crescente das concepções em que se tornaram ilusões. Não há tal espelho e tal máquina fotográfica; o conhecimento humano é mais complexo e menos mecânico. O próprio sujeito, o ambiente social e cultural e até a situação introduzem em nosso aparato conceitual muitos elementos que tornam pouco confiável a representação do conhecimento por meio de um espelho ou de uma máquina fotográfica.

Nem mesmo uma câmera de vídeo cinematográfica pode expressar esse secreto anseio de conhecer, de reproduzir em imagens o que temos diante de nós. Conhecer deve ser de algum modo, o mesmo que ver a realidade. A imagem permaneceu como paradigma do conhecimento. A teoria, o saber, tem que ser semelhante ao ver.

Somos uma civilização presidida pelo anseio de ver conceitualmente, e quanto mais claro, melhor. Daí a autoridade da imagem, que vale mais do que mil palavras. Assim chegamos a apoteose da imagem. Queremos dizer, contar, expressar tudo em imagem. A ponto do que existe em imagem não existe na realidade. A imagem se entronizou de tal forma que assumiu o lugar da realidade e a substituiu.

Uma primeira impressão talvez levasse a crer que a civilização da imagem significa uma espécie de entronização da imaginação. É, porém, o contrário. O movimento que estamos descrevendo marca o processo de desvalorização do imaginário em geral e do símbolo em particular.

O imaginário também é desvalorizado pela avalanche de imagens e de publicidade que suplanta a realidade e que faz a simulação passar por realidade. O ser, nestes tempos do capitalismo consumista, equivale ao aparecer… O homo virtualis, que vive da permuta consumista, não tem que imaginar ou evocar nada; somente assimilar as sensações que o rodeiam.

Por isso, Mardones, elabora uma série de questões na tentativa de compreender o que acontece com essa nossa sociedade: Onde fica aquela realidade mais além daquilo que se vê? A cultura da imagem não é um perigoso inimigo do imaginar e um esquecimento de um ouvir e de um escutar? Não estamos confundindo o ver interior com ver exterior? Não estamos esquecendo a lição poética e a da sabedoria, que representam a realidade sem despoja-la de uma profundidade e mistério?

Segundo ele, não há dúvida que, o resultado desse processo enaltecedor da imagem que chega até a suplantação da realidade, é que no caminho já perdemos a própria realidade. Esse funcionamento instrumentalizador da realidade, que deus tantas contribuições a sociedade e ao ser humano, enlouqueceu ao pretender ser dono de toda a realidade. Confundir a manipulação das coisas com a posse de sua realidade tem sido o pecado dessa nossa modernidade tardia.

O esvaziamento da interioridade

O predomínio da cultura de imagem nos roubou a interioridade. O anseio de vê-la toda nos levou ao desejo de mostrá-la toda, inclusive o interior do sujeito. Quisemos trazer a luz a introspeção, e esta se converteu em exibicionismo. A falta de cuidado em salvaguardar o rasto de mistério do ser humano e de sua interioridade desembocou na trivialidade. A exterioridade da imagem do indivíduo devora sua interioridade.

Vivemos uma época do “Voyeurismo”, convertemo-nos em “mirões”. A falta de profundidade interior desencadeia a sede de conhecimento desse continente oculto. Essa interioridade fascina, mas não temos paciência para penetrara nas regiões delicadas e sagradas dos outros.

Ansiamos por nos conhecer e conhecer os outros, e não damos tempo de dedicar a essa tarefa tão delicada. Substitui-se o conhecimento da interioridade, pela iluminação violenta de imagens dos comportamentos obscuros dos seres humanos. Assim, as imagens captam assassinos ou suicidas diante das câmeras, e a pornografia mostra até o último detalhe anatômico, mas em vão, porque não se capta nada do segredo do sujeito.

A cultura da imagem, que não sabe restringir a aparente clareza e revelação total, incorre no erro do vazio. Em vez de mostrar o sujeito, fotografa suas partes pudendas. O sujeito, a pessoa, está toda aí, plena, clara e virtualmente, mas não verdadeiramente.

Talvez hoje estejamos vivendo uma nova virada sociocultural no olhar mediático: já não somos observados pelo “Big Brother” Orweliano; já não é a tirania do sistema, que vigia todos nossos movimentos, agora nós olhamos para o “Big Brother”, a fim de obter algo dele.

A necessidade de mostrar a interioridade denuncia a pobreza da humanidade, de sentido e de relação da nossa sociedade e das pessoas. Ansiamos pelo sentido, pelo encontro interpessoal, e carecemos de preparação e até de meios para procurá-lo.

No fundo, o mercado

A imagem está a serviço das relações comerciais. Em nossa sociedade a publicidade recorre a toda simbologia, inclusive a religiosa. Violenta-se a simbologia tradicional para usá-la como estímulo ao consumo. Nada detém o interesse publicitário, isto é, comercial, para provocar o espetador e incentivar o consumo. O símbolo se degrada até ser a piscadela que vende perfume, e as figuras controvertidas da mitologia cristã descem ao nível irresistível do sabor de um sorvete.

O Futebol se tornou o “símbolo da globalização” é a diversão planetária, com verdadeiros ídolos, que substituem os de outrora: cantores de ópera ou artistas do cinema que estão além das fronteiras nacionais. Essa cultura de massa globaliza as modas, os gostos, os sabores, a música. Esse uso comercial e degustativo da imagem, simples sinais com valor meramente conotativo. Ficamos reféns da imagem da realidade e somos conduzidos ao mundo do mercado.

A imagem é o grande veículo que nos introduz e nos transporta ao supermercado do mundo. A aparência é o novo nome da veste das relações mercantis. Tudo fica reduzido ao símbolo mercantil e significado de consumo.

Assim, a imagem se converte em instrumento a serviço da sociedade de sensações. Veículo de excitação e até produto de consumo. A sociedade de sensações é um mercado de sensações. A imagem se transforma em instrumento a serviço da fuga de si mesmo e da imersão no mundo dos produtos e das marcas, da simulação e da guerra comercial dos objetos.

Consequências paradoxais da “civilização da imagem”

O poder da imagem cresceu desmedidamente nesta era da “globalização” cultural. Alguns dirão imediatamente que se trata de uma cultura trivial, de aparência juvenil e de gozo de sensações. A sociedade denominada por “Sociedade das sensações” tem aqui sua realização mais relevante. Contudo, a civilização da imagem ameaça, com sua ditadura, o equilíbrio mental e o bom desenvolvimento do homo sapiens. Não está claro se, por traz da avalanche de imagens icônicas, cinematográficas e televisivas de vídeo e internet, temos capacidade imaginativa maior ou se nossa imaginação ficará anestesiada.

Uma das consequências indesejadas e até perversas desta anestesia da imaginação é sua incidência no mundo moral: ao reduzir a pessoa à categoria de consumidor passivo, rouba-lhe a capacidade reflexiva e impede-lhe de qualquer discernimento. O espectador digere, sem estrutura crítica, nem moral, aquilo que a tela lhe oferece.

Dá na mesma que seja uma tragédia na África, um atentado na Espanha, uma receita de cozinha ou um atentado no Oriente Médio. Estamos a um passo da contemplação dos assim chamados “olhos mortos”, olhar senil sem critério nem sentido. Ou talvez Bauman tenha razão ao falar de “modernidade líquida” na qual os indivíduos não possuem critérios de escolha racional.

Os meios de comunicação geram em torno de si uma turbulência que arrasta na avalanche da informação do desnorteamento generalizado.  Criam-se as condições objetivas para que o reino da imagem se converta no reino da manipulação. Essa visão apocalíptica da “civilização da imagem” é difícil que se imponha. Contar-se-á sempre – como mostra a chamada “teoria dos passos” como uma parte de relações pessoais e comunicações de pequeno grupo, família etc.

Encontramos diante de um esvaziamento do espaço público por desinteresse de cidadania. A pessoa fica trancada no círculo da mesmice. Uma sociedade “enclausurada” na imanência positivista do dado.

O fechamento diante do Mistério

O processo de inundação do mundo pela imagem equivale a uma crescente marcha para a superfície das coisas. Quando o fluxo das imagens prolifera, o feixe de sensações estimula uma gratificação imediata que submerge o indicio de um pressentimento indefinido. Ficamos presos ao imediatismo e ao dado, sem poder passar para o sentido das coisas.
Nessa situação sociocultural de predomínio da imagem, estamos a um passo do fechamento da transcendência. Não há capacidade no sujeito para romper o emaranhado de imagens e representações que o agarram e o retém na frívola imanência.

Em nossa cultura, a imagem tem a pretensão que outrora, pertencia a ciência: ser a desveladora da realidade, representada em imagens e informações se oferece sem espessura nem complexidade: tanta clareza e transparência liquida a fugacidade e o absurdo das coisas e ensina a aceitar e amar os ídolos.

A cultura da imagem, enquanto não for iniciação ao mistério da vida, um caminha pelo deserto em busca da terra prometida, na qual, como Moisés, nunca chegaremos a pôr os pés, será uma fraude. Somente o símbolo pode sugerir e evocar o caminho, ele é o guia para os nômades do deserto que tem apenas algumas pistas nessas busca da terra prometida.

A imagem e a nova situação moderna

A visão da civilização da imagem nos leva a uma conclusão arriscada. mas precisamos formula-la. Para J. Habermas é uma modernidade tardia ou segunda modernidade, para U. Beck até pouco tempo denominava-o de pós-modernidade, enquanto que para Z. Bauman chama de modernidade líquida. A modernidade é apresentada, nas visões críticas e também nas estereotipadas. Como uma sociedade com um núcleo e algumas estruturas duras, sólidas condensadas, constituindo um sistema.

Nesta sociedade os indivíduos se voltam totalmente para si mesmos e seus interesses, porque são inimigos declarados do cidadão e de qualquer preocupação pelo bem comum ou pela sociedade justa.

Conclusão: 
Um novo espaço de significação na era pós-humanista?

O predomínio da imagem, até a tirania, coloca um problema de fundo cultural, civilizatório, educativo e de doação de sentido. Até ontem, a denominada cultura ocidental era presidida pelas palavras. A herança Greco-hebraica era verbalista até o logocentrismo. O discurso racionalista era a maneira normal de transmissão de significado e sentido.

O que acontece quando a imagem toma lugar da informação quando a palavra é subordinada a imagem? Uma tarefa fascinante, mas diante do qual só podemos fazer conjeturas, contudo estamos assistindo a uma mudança de sensibilidade que penetra até as raízes da comunicação e do sentido.

A torrente velocidade e sedução da produção de imagens castram a imaginação e reduz o indivíduo a um consumidor de imagens, em vez de exercitador de seu imaginário, e assim sua atividade criativa fica seca e vazia. Estamos perigosamente em uma cultura simbolicamente empobrecida, uma cultura literalmente in-transcendente, sem saída para a transcendência e o mistério.

Referência 
MARDONES, José Maria – A vida do símbolo – A dimensão simbólica da religião – São Paulo: Paulinas 2006. Tradução Euclides Martins balancim. (Coleção espaço filosófico)

[1] Mestrando em Ciência da Religião – PUC – SP – primeiro semestre.

[2] José Maria Mardones, doutor em Sociologia e Teologia, foi pesquisador no Instituto de Filosofia do Centro Superior de Investigações Científicas de Madrid. Nasceu em 14 de Novembro de 1943 em Aguera Montija. Viveu sua infância sob a influência do tio, que era coroinha, e, desde jovem começou a sentir uma vocação religiosa que o levou em 1961, com 18 anos a participar do seminário dos Irmãos Maristas. Formou na Escola de Educação em Balmaseda (Vizcaya) e começou sua carreira como professor na Faculdade de San Luis. Ele era um homem generoso e humilde, sempre incentivando o comprometimento intelectual, social e político. Morreu em 23 de Junho de 2006, assistindo a um jogo de futebol com os colegas.

Ensaio publicado inicialmente em <http://www.publikador.com/estudos-academicos/arlindo-nascimento-rocha/predominio-da-imagem-e-anemia-simbolica>, 23/12/2014.


sábado, 18 de novembro de 2017

História da Ciência da Religião


Seminário: 

"Apresentação do tema "História da Ciência da Religião" enquadrado na disciplina "Introdução a Pesquisa em Ciências da Religião I" - PUC-SP (Segundo semestre - 2014). 



PowerPoint disponível em: 


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

QUESTÕES PARA REFLEXÃO


A DESPEITO DE UMA CONVERSA COM OUTRO CIENTISTA DA RELIGIÃO SOBRE ALGUMAS QUESTÕES RELATIVAMENTE À NOSSA ÁREA DE ESTUDOS, "NO GRUPO DO FACEBOOK", QUERO LANÇAR AQUI, ALGUMAS QUESTÕES PARA A NOSSA REFLEXÃO E DEBATE:



Primeiro: No Brasil, a Ciência da Religião já goza de total reconhecimento institucional e social?

Segundo: A tão desejada autonomia da Ciência da Religião (como disciplina acadêmica autônoma instituída por Müller, ‘1870’), já é uma realidade no Brasil?

Terceiro: A Ciência da Religião é uma disciplina AINDA em construção no Brasil ou essa visão resulta de uma interpretação equivocada dos fatos? A leitura dos “clássicos” da Ciência da Religião resolveria esse problema?    

Quarto: A Ciência da Religião precisa ou não das outras ciências auxiliares para uma melhor fundamentação epistemológica?


Quinto: Em que medida a contribuição de professores de outras áreas (filosofia, sociologia, antropologia, psicologia...), que lecionam no curso de Ciência da Religião, podem ou não contribuir para o desenvolvimento da nossa área?   




quinta-feira, 28 de setembro de 2017

PUBLICAÇÕES EM CIÊNCIA DA RELIGIÃO


O objetivo deste post é fazer um mapeamento das principais obras publicadas no Brasil sobre Ciência da Religião e outras disciplinas afins. É obvio que muitas obras não foram contempladas aqui, mas, para quem quiser iniciar no estudo da Ciência da Religião, aqui encontrará material suficiente para para tal...
O compêndio de Ciência da Religião, é "um marco na história da pesquisa no Brasil. O Compêndio sai no momento no momento em que a nova área de Ciência da Religião e Teologia conquista autonomia acadêmica. A obra considera a Ciência da Religião, partindo de uma reflexão de caráter metateórico, indicando a história do campo, questões epistemológicas de fundo, e relações com disciplinas peculiares (Filosofia da Religião, Teologia). Organizado em cinco cessões temáticas - Epistemologia da Ciência da Religião, Ciências Sociais da Religião, Ciências Psicológicas da Religião, Ciências das Linguagens Religiosas,  e Ciência da religião Aplicada - o Compêndio tem como objetivo contribuir para a discussão sobre a posição institucional, as especificidades e as conquistas intelectuais da Ciência da Religião. Organizado por professores do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Religião da PUC-SP, reúne reflexões de dezenas de autores, do Brasil e de outros países que atuam e pesquisam essa área de conhecimento". 

O Compêndio do Ensino Religioso é resultado de um processo de resistência de uma área de conhecimento. Procura dar um panorama dos principais assuntos que envolvem essa área do saber. Aborda aspectos da história, da legislação e da organização do Ensino Religioso e contextualiza o ensino e a aprendizagem ao apontar a dimensão epistemológica e prática no currículo escolar.


Este livro é uma introdução ao objeto e às tarefas da ciência da religião e oferece uma visão geral das áreas mais importantes da pesquisa histórico-religiosa. Nesta obra a ciência da religião é apresentada tanto como um disciplina autônoma das ciências humanas como em sua relação com a teologia e filosofia.

Este livro pertence à coleção Repensando a Religião, cujo foco é a discussão epistemológica das Ciências da Religião. Há uma demanda na academia brasileira por obras que esclareçam as devidas distâncias entre a pesquisa científica da religião e as produções propriamente teológicas, em que o componente confessional é explicitado ou pressuposto nas entrelinhas do discurso. A preocupação de fundo desta coleção e, especificamente, deste livro organizado por Frank Usarski é demarcar o que constitui as Ciências da Religião, insistindo na importância de uma aproximação científica ao mundo religioso. A obra convida-nos a interagir com a discussão em andamento sobre a forma mais adequada e os conteúdos mais pertinentes a uma introdução à pesquisa em Ciências da Religião. Na primeira parte consideram-se as perspectivas das subdisciplinas "clássicas" da ciência da religião: a história das religiões, a antropologia, a sociologia e a psicologia da religião. Na segunda parte, são apresentadas duas subdisciplinas "complementares": a geografia e a estética da religião.


História das Religiões é uma síntese abrangente e inédita para o público brasileiro da perspectiva histórico-religiosa realizada pela Escola Italiana de História das Religiões. Na primeira parte, são oferecidos os fundamentos básicos dessa disciplina e metodologia de estudos extremamente profícua e urgente, não somente para o estudante do curso de História, mas geralmente para o de Ciências Sociais: tendo em vista a urgência do restabelecimento de um diálogo entre várias disciplinas e vertentes. A obra utiliza, entre outros recursos analíticos, a tradução de alguns textos basilares, fundadores e exemplares desse percurso metodológico da escola Histórico-Religiosa. Na segunda, são aprofundadas algumas problemáticas do "religioso" ao longo da Antiguidade tardia, Idade Média, Renascimento e Idade Moderna, bem como conceitos que estruturaram o caminho universalizante e inclusivo do Ocidente (Direito, Religião, Civilização e Antropologia). No interior desse percurso, destaca-se a articulação entre Antropologia e História, a qual fez surgir tanto uma comparação sistemática entre culturas quanto a História das Religiões. A obra percorre, em termos gerais, as etapas, historicamente determinadas e cada vez prioritárias, dos respectivos códigos de Direito, Religião, Civilização e Antropologia: neles se inscreve um percurso - não linear, evidentemente, mas historicamente complexo - através do qual se estruturou o caminho caracteristicamente universalizante e inclusivo do Ocidente. No interior desse percurso foi se impondo, de fato, a articulação cada vez mais significativa entre Antropologia e História que viu surgir, de um lado, a exigência de uma comparação sistemática entre culturas (histórica e diferentemente orientadas) e, de outro lado, com a exigência dessa comparação, a História das Religiões.

A obra segue um caminho indutivo apontando ao estudante e pesquisador na área das religiões a via a seguir para construir seu conhecimento da realidade concreta das religiões antes de se lançar nas generalizações apressadas e no estabelecimento de teorias ou termos de comparação, que se revelam, quase sempre, fruto de "preconceitos", numa área em que a objetividade científica só pode ser alcançada através de uma intensa auto-crítica.


Alocado na seção Pressupostos, este livro se propõe a nos introduzir à sociologia da religião. Seu principal diferencial é a associação entre teoria sociológica e história na análise da religião. O autor procura assim demonstrar como as mudanças ocorridas na sociedade moderna levaram a transformações na vida religiosa e como tal fenômeno foi percebido pelas diversas teorias sociológicas. Outra qualidade deste trabalho é a atenção dedicada a autores brasileiros que se tornaram referência no estudo sociológico da religião.


A coleção Religião e Universidade é um espaço a mais de divulgação da produção coletiva da academia. Seus livros querem ser expressão do intenso trabalho que vem sendo desenvolvido nos meios acadêmicos em duas direções complementares: 1) oferecer à sociedade um conhecimento mais amplo do fenômeno religioso contemporâneo; 2) acolher em nossos centros de pesquisa a palavra ética e sábia de nossas tradições religiosas. O mercado mundial com seus bens de consumo parece ser a panaceia deste século, a seduzir ricos e pobres, potências mundiais e nações carentes. Na expectativa de realização humana imediata, discursos críticos que apontem as dominações e os interesses do mercado já não obtêm a adesão de outrora. Não é educado duvidar de que seja possível ser feliz aqui e agora. Para tanto, basta consumir, e assim obter cidadania. Este livro propõe-se a uma aproximação crítica a este fenômeno, dividida em três partes. Primeiro apresenta o atual estado da cultura de consumo, tal como se verifica em situações de hiperconsumo e subconsumo de bens materiais e culturais. Em seguida, analisa os vários sentidos e significados decorrentes do impacto desta nova sociedade sobre as múltiplas crenças e práticas religiosas e o influxo destas sobre a mesma sociedade. Finalmente, avaliando a questão à luz da Tradição cristã, a obra oferece alguns fundamentos para a crítica ético-teológica desta cultura consumista.

O presente livro é o primeiro da seção Pressupostos da coleção Temas do Ensino Religioso. A seção trata das questões de fundo, a saber, definições, teorias, paradigmas e sujeitos envolvidos no fenômeno religioso. Descartando os modelos catequético e teológico para o Ensino Religioso, esta obra defende o modelo das Ciências da Religião como o único habilitado a sustentar a necessária autonomia dessa área de conhecimento. O autor reconhece o valor teórico, social e pedagógico do estudo da religião para a formação do cidadão. Assim, o ensino religioso na rede pública é mais que educação da religiosidade; visa à educação do cidadão, uma vez que a dimensão religiosa está presente no indivíduo e na sociedade. A coleção é referência básica a todos os interessados no estudo das religiões, principalmente os docentes encarregados de disciplinas afins ao tema. Cada volume nos introduz em aspectos como culturas e tradições religiosas; textos sagrados e tradições orais; ritos e éthos. Além disso, somos apresentados a questões prementes do Ensino Religioso, entre as quais educação, interdisciplinaridade, questões de legislação e as principais características do campo religioso brasileiro.

O livro mostra a importância das diferenças, que, no contexto da mundialização, refletem a pluralidade das identidades que só se podem afirmar e construir no seio da diversidade. De fato, o pluralismo religioso surge como uma imposição da história, na modernidade, que rompe com a visão monolítica do passado, pelo menos Ocidental, e instaura a pluralização de visões de mundo. Diante do pluralismo, instaurou-se aos poucos o diálogo inter-religioso. Com a modernidade, pode-se reivindicar a capacidade das religiões de se abrirem ao reconhecimento positivo umas das outras, que se tornou hoje, para elas, um critério de legitimidade. De fato, no Ocidente cristão, essa abertura ao outro, em grande parte imposta pelas condições históricas, deu também origem ao ecumenismo, uma exigência do pluralismo religioso no âmbito das Igrejas cristãs. Assim como no caso do diálogo inter-religioso, a construção da unidade no cristianismo tem como pressuposto o reconhecimento das diversas legitimidades. Por fim, o livro trata da diversidade religiosa e do pluralismo religioso no Brasil, em que se está passamdo da hegemonia da Igreja Católica ao ecumenismo e ao diálogo inter-religioso, hoje acolhido por um grande número de teólogos católicos que o entendem como um sinal da universalidade da salvação professada pelo cristianismo desde suas origens. Didático, cada capítulo traz a definição dos objetivos, a ênfase nas questões centrais e uma coleção de textos para o leitor aprofundar e problematizar o tema. Espera-se que o estudo do pluralismo religioso crie no leitor a admiração pela diversidade religiosa e o desejo de mergulhar no rico universo das religiões, que é hoje o caminho para que cada um descubra sua própria identidade.


Este é o segundo livro da coleção Religião e Universidade e resulta da parceria entre Paulinas Editora e Educ - editora da PUC-SP. A coleção pretende expressar o intenso trabalho que vem sendo desenvolvido nos meios acadêmicos em duas direções complementares: oferecer à sociedade um conhecimento mais amplo do fenômeno religioso contemporâneo; e acolher em nossos centros de pesquisa a palavra ética e sábia das tradições religiosas da humanidade. A universidade católica tem como tarefa buscar a articulação entre a fé e a razão, pois o diálogo entre teologia e ciências constitui, ainda, um projeto a ser concretizado pelas universidades confessionais, do ponto de vista epistemológico, político e pedagógico. As reflexões desta obra buscam concretizar esse projeto no âmbito universitário e nascem do esforço concreto de colocar a teologia e as ciências em diálogo, envolvendo algumas unidades acadêmicas da universidade. Portanto, sobre temas comuns debruçaram teólogos e cientistas no intuito de resgatar aspectos históricos, confrontar aspectos comuns e distintos, e de buscar aproximações entre as suas respectivas áreas de conhecimento. O livro divide-se em quatro seções. A primeira enfoca a história da relação entre teologia e ciência. A segunda seção concentra-se na questão interdisciplinar. A terceira, apresenta a possibilidade de ricos diálogos interdisciplinares que incluem o conhecimento teológico. Uma quarta seção esboça alguns desafios e aponta conquistas já obtidas. A última seção é propositiva e prática, destacando o que já vem sendo feito no dia-a-dia universitário.


Escrita por um antropólogo, atuante na área dos estudos da religião, a obra discute o estatuto epistemológico e a identidade acadêmica do que hoje se denomina, de forma abrangente, a(s) ciência(s) da religião. É composta de sete ensaios, todos voltados para o esclarecimento de tal objeto e sua integração no corpo das ciências humanas, tal como são praticadas no mundo acadêmico brasileiro. A unidade do volume decorre da atenção constante ao debate acerca do perfil teórico-metodológico que deve definir esta área de conhecimento em processo de consolidação em que é proposta uma articulação entre objetificação e essencialismo no que se refere à abordagem do fenômeno religioso, em busca de uma composição que não exclua a tensão entre determinismo e significação/sentido último no tratamento da religião. Chama também a atenção para a presença significativa das Ciências Sociais nos estudos sobre a religião, a ciência da religião, propondo-se estabelecer entre elas uma "via de mão dupla" em que ambas se deixem "afetar" mutuamente, e em que a religião empregue métodos socioculturais e históricos como forma de autocompreensão e as ciências (sociais), conceitos e experimentos do universo religioso (por exemplo, o carisma) para interrogar suas problemáticas. O autor se empenha em defender seu ponto de vista perpassando os diversos debates e as situações concretas vividas na atualidade universitária brasileira, conferindo assim à obra um valor informativo útil a todas as áreas interessadas nessa reflexão, desde a antropologia e a sociologia, passando pela psicologia, até a própria teologia.



O livro apresenta uma série de artigos, inicialmente elaborados por ocasião de um seminário sobre o tema em Juiz de Fora (MG), que debate a legitimidade e a cientificidade dos cursos de Ciência(s) da Religião no Brasil. A discussão vai desde o título dado a esta área de estudo (Ciência/Ciências) até suas fronteiras e autonomia quando comparada com matérias afins, como a Teologia, a Filosofia da Religião, a Sociologia da Religião etc. É um livro pioneiro na área e sem dúvida de muita utilidade para todos aqueles que se interessam ou se dedicam ao estudo da(s) religião(ões).



Nunca como hoje a religião foi objeto de tantos estudos por parte das mais variadas disciplinas. Pensa-se na multiplicação das histórias religiosas particulares, que tendem a especializar-se numa atitude, muitas vezes, negativa e desgastante. Este livro ajuda a pessoa a descobrir o valor de viver o momento presente, desfrutando-o por inteiro.


Escrita por um antropólogo, atuante na área dos estudos da religião, a obra discute o estatuto epistemológico e a identidade acadêmica do que hoje se denomina, de forma abrangente, a(s) ciência(s) da religião. É composta de sete ensaios, todos voltados para o esclarecimento de tal objeto e sua integração no corpo das ciências humanas, tal como são praticadas no mundo acadêmico brasileiro. A unidade do volume decorre da atenção constante ao debate acerca do perfil teórico-metodológico que deve definir esta área de conhecimento em processo de consolidação em que é proposta uma articulação entre objetificação e essencialismo no que se refere à abordagem do fenômeno religioso, em busca de uma composição que não exclua a tensão entre determinismo e significação/sentido último no tratamento da religião. Chama também a atenção para a presença significativa das Ciências Sociais nos estudos sobre a religião, a ciência da religião, propondo-se estabelecer entre elas uma "via de mão dupla" em que ambas se deixem "afetar" mutuamente, e em que a religião empregue métodos socioculturais e históricos como forma de autocompreensão e as ciências (sociais), conceitos e experimentos do universo religioso (por exemplo, o carisma) para interrogar suas problemáticas. O autor se empenha em defender seu ponto de vista perpassando os diversos debates e as situações concretas vividas na atualidade universitária brasileira, conferindo assim à obra um valor informativo útil a todas as áreas interessadas nessa reflexão, desde a antropologia e a sociologia, passando pela psicologia, até a própria teologia.

Alocado na seção Pressupostos, este livro se propõe a familiarizar o docente de Ensino Religioso com as discussões e consensos que fazem parte do cotidiano de seus colegas de Física, Matemática, Química e Biologia. Além disso, o autor pretende oferecer subsídios epistemológicos para o Ensino Religioso, contribuindo para que esta disciplina escolar venha somar-se aos esforços de fazer o aluno pensar sobre a realidade que o cerca e agir responsavelmente nela, o que inclui uma visão menos acrítica do componente religioso/espiritual que a permeia. 

Sem dúvida alguma, é uma obra que alcança o objetivo a que se propõe: ver no mundo a possibilidade de plantar a paz entre as pessoas, entre as religiões, entre as nações, em busca de uma ética mundial, de um etos universal.


As linguagens da experiência religiosa' contém o seguinte itinerário de estudo- em primeiro lugar, define a Fenomenologia da Religião a fim de distingui-la das demais ciências que estudam o fenômeno religioso; num segundo momento, analisa a experiência religiosa em si; posteriormente, trata das linguagens, do mito, do rito e da doutrina da experiência religiosa; por fim, apresenta uma antologia de textos religiosos de diversas tradições culturais.


Faltava, na bibliografia brasileira, um livro de introdução amplo, objetivo e sério sobre a diversidade religiosa que hoje se observa no mundo globalizado, encarando não apenas os fatos religiosos em si mesmos, por meio da história e na pluralidade de suas expressões culturais, mas procurando analisar a significação que possa ter cada uma das manifestações religiosas do passado e do presente, numa perspectiva humanista e cristã. É o que nos proporciona essa Introdução ao estudo comparado das religiões.





terça-feira, 19 de setembro de 2017

Os dois paradigmas da Modernidade: Capitalismo vs Socialismo


Em sua obra Nova era: a nova civilização planetária; desafios à sociedade e ao cristianismo, Leonardo Boff faz uma comparação entre os dois paradigmas da modernidade, ou seja, o capitalismo e o socialismo, demonstrando assim, que ambos fracassaram...

Segundo ele, o paradigma da modernidade se expressou em dois sistemas sociais antagônicos: o capitalismo e o socialismo. 

o capitalismo privatizou os bens e socializou os sonhos. O socialismo socializou os bens e privatizou os sonhos. ou seja, o capitalismo privatizou os bens (as fábricas, terras, bancos são propriedades privadas), mas deixou que os sonhos pudessem se exprimir por todos os meios de comunicação social, especialmente pela propaganda e pela televisão.  Quer dizer, permite a socialização dos sonhos. Apenas cuida para que os sonhos se realizem dentro dos limites impostos pelos interesses do capital. Numa favela pode faltar pão, mas não o aparelho da televisão. Esta alimenta os sonhos pelas propagandas, pelas novelas, e pelas imagens falantes. 

O socialismo socializou os bens, as terras, as fábricas, a educação. Mas privatizou os sonhos. Somente eram aceites os sonhos sonhados pelo partido único ou que estivesse em concordância com o único sonho socialista. Todos os demais sonhos eram reprimidos e perseguidos. 

Hoje, podemos fazer um balanço. O socialismo fracassou. Impedindo os sonhos, impediu a liberdade, a criatividade e assim destruiu o senso humanitário. Implodiu. 

O capitalismo permite os sonhos. Os sonhos mesmo falaciosos, sustentam a esperança e prolongam a vida. por isso, ele continua. Mas, os sonhos ficaram só no imaginário...

Por isso, também ele não resolveu nenhum problema que o socialismo propunha a se resolver. Antes pelo contrário: os problemas se agravaram a nível mundial. Há hoje mais problemas e mais pobreza e mais violência generalizada do que há cinco anos, tanto nos países ricos quanto nos países empobrecidos.

Qual a suprema ironia? depois de quinhentos anos, o sonho de desenvolvimento provocou subdesenvolvimento da maioria dos países do mundo. A dominação da natureza provocou sua rebelião ameaçando, pela poluição, pelo buraco do azônio e por outros desequilíbrios ecológicos, a vida das pessoas e outras espécies vivas. 

O capitalismo criou uma cultura do eu sem nós. O socialismo criou uma cultura do nós sem eu. Agora precisamos da síntese que permite a convivência do eu com o nós. Nem individualismos nem coletivismos, mas democracia social e participativa. Precisamos fazer uma autocorreção com referência a concepção de ser humano, à integração do feminino e à aliança com a natureza. Daí, pode nascer a nova espiritualidade e o fio que tudo re-liga. 

Fonte:  BOFF, Leonardo. Nova era: a nova civilização planetária; desafios à sociedade e ao cristianismo. São Paulo: Ática, 1994.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Estudo revela que o Cristianismo e o Islamismo não são as religiões que mais crescem no mundo


Uma pesquisa global recente realizada pela National Geographic mostra que a religião que mais cresce no mundo não é o Islã ou o Cristianismo, mas o ateísmo. O estudo feito em conjunto com NatGeo e a nova série de televisão "The Story of God", estrelado por Morgan Freeman, que viaja no mundo, vendo crenças religiosas praticadas por diferentes culturas. Com as manchetes globais dominadas pelo Estado islâmico, a imigração islâmica em toda a Europa / África e as recentes leis de liberdade religiosa passaram nos Estados Unidos, para um olho sem treinamento pareceria que a religião é tão forte como sempre - mas você ficaria enganado. Na verdade, o contrário está ocorrendo e o velho paradigma da piedade está se deslocando rapidamente.



O estudo refere-se aos ateus como "não religiosos" ou pessoas que não seguem ou se identificam com qualquer religião. De acordo com os resultados, o ateísmo é agora a segunda maior filiação religiosa na América do Norte e a maioria da Europa. Somente nos Estados Unidos, aproximadamente 22,8% da população agora se identifica como ateu, um aumento de 6,7% em relação a 2007. Além disso, os ateus dos EUA representam agora uma parcela maior da população do que católicos, protestantes e todos os outros seguidores de fé não cristã - como Islã e Budismo. Este não foi o caso há apenas uma década.



O estudo conclui que a França, a Nova Zelândia e os Países Baixos são líderes mundiais no secularismo (a crença de que as pessoas devem estar livres de ensinamentos religiosos) e esses países terão em breve uma maior população de ateus do que qualquer outra afiliação religiosa. Se as estatísticas continuarem a tendência na direção atual, o estudo descobre que o Reino Unido e a Austrália logo se juntarão a esses países. Como está atualmente, Austrália e o Reino Unido já estão à beira de perder suas maiorias cristãs. Com exceção do budismo, a China completa a lista de líderes mundiais que hospedam crenças seculares.


Do outro lado do espectro, nenhum lugar na Terra a religião está crescendo mais rápido do que na África Sub-Sahara. Esta parcela do mundo está experimentando simultaneamente os níveis mais altos de natalidade e quando você prevê o boom da população a longo prazo esperado desta região nos próximos 25 anos, a pesquisa indica que o número de pessoas religiosas que saem desta região pode ser suficiente para ultrapassar o número de ateus produzidos em todo o mundo durante o mesmo período.

Quanto às crenças religiosas individuais, o Islã aumenta significativamente em comparação com qualquer outra religião, tanto que, no ano de 2050, o Islã antecipa superar o cristianismo como a religião mais popular do mundo.




Por fim, o estudo descobre que a geração milenar está levando a carga para o ateísmo, achando que a maior população demográfica de pessoas afiliadas não religiosas na Terra é composta por esta geração. Estendendo a linha de tempo para o exterior, cerca de 11% das pessoas teriam sido criadas em lares seculares e não religiosos desde 1970. O estudo também observa que uma maior porcentagem de pessoas negras se identificam como religiosas comparativamente aos brancos por uma grande margem - aproximadamente 78% de todos os ateus são considerados brancos. Quanto ao gênero, em geral, as mulheres tendem a ser muito mais religiosas do que os homens - aproximadamente 68% dos ateus são do sexo masculino.

O estudo também afirma que existe correlação direta entre religião e níveis de pobreza. Essencialmente, quanto mais pobre um país ou comunidade, maior a população de pessoas religiosas que encontramos lá. Aqueles que vêm de riqueza ou privilégio são estatisticamente menos propensos a manter crenças religiosas. Além disso, o estudo conclui que há correlação direta entre educação e religião. Quanto maior o nível de obtenção de alguém educado, menos provável é que eles mantenham crenças religiosas devotas.


Para mais informações, consulte o vídeo abaixo. Abrange outro estudo sobre este assunto e aborda alguns pontos positivos. O que você acha sobre tudo isso?



Fonte:
Hack Spirit. New study reveals the world’s fastest growing religion, and it’s not Christianity or Islam. Disponível em: <https://hackspirit.com/new-study-reveals-worlds-fastest-growing-religion-not-christianity-islam/>. Tradução: Angelina Carr (Doutoranda em Ciência da Religião (PUC-SP), setembro de 2017.   


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Reflexões sobre magia e pensamento mágico

  
A magia fascina a imaginação pela aura de mistério que a envolve. No encontro com a racionalidade ocidental, os poderes mágicos aparecem como inquietantes e obscuros. Desde seu inicio, no final do século passado, a antropologia procurou desenvolver os mistérios da magia.
[Paula Montero]


Arlindo Nascimento Rocha[1]


A magia é uma das expressões da autoconfiança do homem diante do desconhecido, pois, foi durante muitos séculos uma forma do homem se posicionar no mundo com alguma segurança face às adversidades que a natureza lhe impunha.   

De acordo com o sociólogo e antropólogo francês Marcel Mauss (1872-1950), há muito a magia é objeto de especulações. Quem corrobora essa ideia é Paula Montero em sua obra Magia e pensamento Mágico, onde ela acompanha o debate antropológico em torno da natureza do pensamento mágico.

Segundo Montero (1990), muito já se escreveu sobre magia, pois, esse tema inquieta o pensamento antropológico. Sua racionalidade, ora afirmada, ora questionada. A antropologia tem colocado inúmeras questões, começando pela questão da crença, que se traduz na seguinte questão: Por que as pessoas acreditam na magia? A essa questão, muitas respostas já foram dadas.

Ainda segundo Montero, a antropologia clássica descreve a magia como uma tentativa ilusória e falsa, de intervir na ordem do mundo, e cita alguns antropólogos como James Frazer e Lévy-Bruhl, cujo seus pensamentos nos ajudam a entender determinados preconceitos ainda enraizados no nosso pensamento atual.  

Assim para James Frazer (1854-1941), antropólogo dos primeiros estágios dos estudos modernos de mitologia e religião comparada, afirma em sua obra O ramo de ouro (1978), que a magia não passa de uma falsa ciência. Disso deriva uma avaliação negativa. Segundo ele: “a magia é um sistema espúrio de lei, bem como um guia engenhoso de comportamento: é tanto uma falsa ciência quanto uma obra abortada”. (FRAZER, 1982, p. 34 apud MASSENZIO, 2005, p. 59).

Na obra Introdução ao estudo comparado das religiões, de Aldo Natale Terrim, publicado no Brasil em 2003, encontramos mais uma vez, a visão negativa de Frazer em relação à magia. Segundo Terrim, (2003, p. 60), “para Frazer, magia seria a coerção direta das forças naturais por parte do homem [...] A atitude é mágica ditada pela vontade de obter exigindo e obrigando” [...] Nessa perspectiva a magia acaba por ser reconhecida por aquilo que não é, e não pelo que é.

Segundo Mauss (2003), em Frazer, a magia é uma espécie de ciência antes da ciência. Para ele as práticas mágicas produzem efeitos através das leis de simpatia, similaridade e contiguidade, ou seja:

O semelhante produz o semelhante, as coisas que estiveram em contato, mas já não estão mais, continuam a agir umas sobre as outras como se o contato persistisse, a parte está para o todo assim como imagem para a coisa representada. (MAUSS, 2003, p. 50).   

Ainda segundo Mauss, essa definição tende a absorver a magia na magia simpática, que para Frazer, é uma caraterística necessária e suficiente da magia, assim, todos os ritos mágicos são simpáticos e todos os ritos simpáticos são mágicos. Portanto,

A magia assim entendida torna-se a forma primeira do pensamento humano. Ele teria existido em um estado puro e, na origem, o homem teria sabido pensar se não em termos mágicos [...] Ela é a primeira etapa da evolução mental que pudemos supor ou constatar. A religião resultou dos fracassos e dos erros da magia. (MAUSS, 2003, p. 50).

Apesar das fortes críticas a pensamento mágico, Terrim (2003, p. 59), o considera como “um dos nomes mais conhecidos no campo etnólogo por sua imensa obra O ramo de ouro; uma coleção muito ampla de material etnológico e religioso da qual colheram material, por exemplo, a escola sociológica francesa”. Mauss (2003, p. 59) também afirma que ”a teoria de Frazer, tal como exposta na segunda edição do seu O ramo de ouro, é, para nós, a expressão mais clara de toda uma tradição para qual contribuíram, além de Tylor, sir Alfred Lyall, Jevons, Lang e também Oldenberg”.  

Outro antropólogo que abordou essa questão foi Edward Tylor (1832-1917), em sua obra Primitive culture (1871), onde o tema magia aprece duas vezes. Segundo Mauss (2003, p. 49), ele associa primeiro a demonologia mágica ao animismo primitivo e em seu segundo volume é o primeiro a falar da magia simpática, isto é, de ritos mágicos que procedem, segundo as leis ditas de simpatia, ou seja:

Do mesmo ao mesmo, do próximo ao próximo da imagem à coisa, da parte ao todo; mas isso é, sobretudo, para mostrar que, em nossas sociedades, ela faz parte do sistema das sobrevivências. Tylor só dá uma explicação de magia na medida em que o animismo constitui uma explicação. (MAUSS, 2003, p. 49). 
     
Portanto, a magia para Tylor representava uma forma primitiva de crença, ou seja, o animismo, na qual os objetos presentes na natureza eram pensados como possuindo espíritos que exerciam poderes supraempíricos. Assim, Tylor define o animismo como sendo a crença em seres espirituais e afirma que todas as religiões, desde as mais simples as mais complexas possuem alguma forma de animismo. Ele afirma que a filosofia animista é uma tentativa as causas dos sonhos, da vida e da morte. Por isso, ele defende que as primeiras religiões surgiram de um erro, pois, os povos primitivos confundiam sonhos com experiências reais.    

De acordo com Montero (1990), se a crença na magia parecia absurda para esses antropólogos, e atualmente não é diferente, pois, para muitos é preciso encontrar uma explicação para tal disparate. Ainda segundo ela os primeiros a deixar de lado a primeira pergunta, por que as pessoas acreditam na magia, foram Émile Durkheim (1858-1917), sociólogo, antropólogo e cientista político e Marcel Mauss (1872-1950), sociólogo e antropólogo, ambos franceses. “para eles a questão fundamental deixava de ser ‘por que as pessoas creem’?, e se tornava ‘qual o sentido da crença”? (MONTERO. 1990, p. 6).

De acordo com Terrim (2003, p. 62), Émile Durkheim foi “o fundador da escola sociológica francesa e certamente o autor que mais que qualquer outro influenciou e continua a influenciando a sociologia da religião”. Sua obra segundo o mesmo autor tem um fundo etnológico e faz referência a conceito de totemismo, como religião dos primeiros povos.

Para esse sociólogo a magia possuía um caráter utilitário. Com Durkheim os fenômenos sociais começam a ser objetos de investigação sócio-antropológica. Marcel Mauss, sobrinho e discípulo de Durkheim, também deu uma grande contribuição ao estudo da magia. Realizou estudos originais sobre o sacrifício e sobre a magia. Mauss entende que a magia é um fenômeno social, por isso não há uma definição clara. Provavelmente ela alimentou a ciência.    

 A partir desses dois autores, segundo Montero: 

A magia passa a ser compreendida como um sistema simbólico. E, quando se fala de símbolos, está-se falando em elementos (ideias, objetos, gestos) que representam por uma lógica implícita que cabe ao antropólogo descobrir, noções vitais para a organização social. (MONTERO, 1990, p. 6).  

A partir desse contexto se começa a questionar a questão da eficácia da magia. Em seu livro Da Doença a Desordem a Magia na Umbanda, publicado em (1985), Montero afirma que a magia constitui-se num sistema simbólico que produz um conhecimento sobre o mundo, isto e, lhe atribui significados. Através dessa rede de sentidos é possível pensar o mundo e certas práticas sociais.

Relativamente a esse assunto o antropólogo Lévi-Strauss (1908-2009), afirma em seu livro Antropologia Estrutural (Cap, IX) – O feiticeiro e sua magia: que:

Não há, pois, razão de duvidar da eficácia de certas práticas mágicas. Mas, vê-se, ao mesmo termo, que a ciência da magia implica a crença na magia, e que esta se apresenta sob três aspetos complementares: existe inicialmente a crença do feiticeiro na eficácia de suas técnicas; em seguida, a crença do doente que ele cura, ou da vítima que ele persegue, no poder do próprio feiticeiro; finalmente a confiança e as exigências da opinião coletiva, que formam à cada instante uma espécie de campo de gravitação no seio do qual se definem e situam as relações entre feiticeiro e aqueles que ele enfeitiça. (LEVY-STRASS, 1967, PP. 194, 195).

Segundo Montero, a magia realmente deve ter alguma eficácia já que se mostra tão perene, tendo em conta os avanços tecnológicos em nossas sociedades que, segundo muitos estudiosos, poria fim a esse tipo de pensamento.  Mas apesar de tudo a magia conseguiu acompanhar o desenvolvimento tecnológico e industrial das cidades e manter-se viva. Por isso, consideramos que a magia está cada vez mais presente disputando terreno com outras formas de conhecimento, e, seu proclamado desaparecimento sendo adiado indefinidamente.  


Referências

LÉVI-STRAUSS, Claud, Antropologia estrutural. - 4ª edição. - Rio de Janeiro. Edições Tempo Brasileiro Ltda., 1967.

MASSENZIO, Marcello. A história das religiões na cultura moderna. 1ª ed. – São Paulo, Hedra, 2005.

MAUSS, Marcel. Sociologia e antropologia. Tradução Paulo Neves. - São Paulo: Cosac Nayfi, 2003.

MONTERO Paula. Desordem a Magia na Umbanda. 1ª edição. – EDIÇÕES GRAAL LTDA. 1985.

_________. Magia e pensamento mágico. - 2ª edição. Editora ática, 1990.

TERRIM, Aldo Natale. Introdução ao estudo comparado das religiões. São Paulo: Paulinas, 2003 (Coleção, religião e cultura).




[1] Doutorando e Mestre em Ciência da Religião na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – SP; Pós Graduado (lato senso) em Administração, Supervisão e Orientação Pedagógica e Educacional na Universidade Católica de Petrópolis – RJ; Licenciado em Filosofia para docência na Universidade Pública de Cabo Verde; Curso de Formação de Professores do Ensino Básico Integrado pelo Instituto Pedagógico do Mindelo – Cabo Verde. E-mail: arlindonascimentorocha@gmail.com.