Pesquisar neste blogue

quinta-feira, 20 de julho de 2023

Estado Laico e Estado Ateu: Compreendendo suas Diferenças

 


Os termos "Estado laico" e "Estado ateu" referem-se a conceitos distintos relacionados à relação entre religião e governo em uma sociedade. 

Ambos os modelos têm como objetivo garantir a liberdade religiosa, mas suas abordagens para alcançar esse objetivo são diferentes. 


Vamos explorar as principais características e diferenças entre um Estado laico e um Estado ateu:


Estado Laico:

Um Estado laico é aquele em que as instituições governamentais são oficialmente separadas de qualquer organização religiosa. Nesse modelo, o governo não adota nenhuma religião específica como oficial ou dominante e não promove nenhuma crença religiosa em particular. Em vez disso, busca-se garantir a liberdade religiosa para todos os cidadãos, permitindo que cada indivíduo tenha suas próprias crenças e pratique sua fé sem interferência estatal.

 

Principais características de um Estado laico:

Separação entre Igreja e Estado: A religião não tem papel oficial no governo, e o Estado não influencia a prática religiosa.

Neutralidade Religiosa: O Estado não favorece nem discrimina qualquer religião, tratando todos os cidadãos com igualdade, independentemente de suas crenças.

Liberdade Religiosa: Garante-se aos cidadãos o direito de seguir sua própria religião ou de não seguir nenhuma.

Espaço Público Plural: As instituições públicas e as políticas governamentais não são baseadas em doutrinas religiosas específicas.


Estado Ateu:

Um Estado ateu, por outro lado, é aquele em que o governo expressamente nega a existência de qualquer entidade divina ou divindade e proíbe a prática religiosa de seus cidadãos. Nesse modelo, a religião é vista como uma crença sem fundamento e é suprimida pelo Estado. 

Essa abordagem é muito mais rara na prática, já que a maioria dos países modernos adota o princípio do Estado laico.


Principais características de um Estado ateu:

Negativa da Religião: O Estado afirma que não há existência de qualquer deus ou ser divino, negando assim qualquer crença religiosa.

Proibição da Prática Religiosa: A religião é suprimida e proibida pelo governo, o que pode levar a restrições severas à liberdade religiosa dos cidadãos.

Ateísmo como Ideologia Oficial: O ateísmo é promovido e aceito como a ideologia oficial do Estado.

 

Diferenças entre Estado Laico e Estado Ateu:

A principal diferença entre um Estado laico e um Estado ateu reside no tratamento da religião pelo governo. Enquanto o Estado laico busca proteger a liberdade religiosa e separar as instituições governamentais das questões religiosas, o Estado ateu nega e proíbe a religião, considerando-a como uma crença inválida ou perigosa.

Embora ambos os modelos possam ter como objetivo garantir a liberdade de consciência, a abordagem do Estado laico é amplamente adotada em muitos países como uma forma de garantir a diversidade religiosa e a coexistência pacífica entre diferentes crenças, respeitando a liberdade de escolha individual. O Estado ateu, por sua vez, é menos comum e pode gerar tensões e conflitos, já que restringe a liberdade religiosa e viola o direito das pessoas de expressar suas crenças e valores espirituais.

 

Em suma, o Estado laico busca criar um ambiente em que as diversas crenças possam coexistir harmoniosamente, enquanto o Estado ateu procura eliminar qualquer expressão religiosa, adotando o ateísmo como ideologia oficial.

domingo, 19 de junho de 2022

A VENERAÇÃO DOS "SANTOS" E A FORÇA DOS SIMBOLOS NA SOCIEDADE LAICA

(a propósito de um artigo do meu amigo Padre Antonio Fidalgo)

"Com a Reforma de Calvino e Lutero, as igrejas protestantes aboliram o culto das imagens, virando as costas à Igreja Católica Apostólica Romana. Desde esses tumultuosos anos do século XVI, diversas confissões protestantes foram emergindo. O cristianismo moderno é multiconfessional, com igrejas e seitas evangélicas a prosperarem pelo Brasil e Estados-Unidos da América.

A cruz, símbolo da cristandade, é para os cristãos, sem distinção, o que é o candelabro de sete braços para os judeus, ou o crescente lunar para os muçulmanos. O que diferencia as confissões cristãs é o conhecimento que cada uma reivindica da verdade bíblica conforme a sua própria exegética (no islão ainda é pior, com o Corão).

"A Bíblia proíbe imagens ou estátuas?" - o padre Antonio Fidalgo de Barros dissertou recentemente, na sua página Facebook, sobre este tema controverso da cristandade. E explica: - "Os católicos adoram as imagens dos santos? Claro que não. Eles veneram as imagens dos santos? Claro que sim. Eles adoram a Deus e veneram os santos".

Não me atrevo a meter foice nesta seara. Simples leigo, apenas tento compreender e interpretar o porquê das coisas nesta nossa sociedade laica. Esta é apenas uma achega, e será mera coincidência se parecer como uma "mãozinha" ao Padre Fidalgo, por sinal meu amigo.

Dito isto, pergunto: os católicos veneram realmente as imagens dos santos? Ou veneram os seus santos através delas? Ora, Padre Fidalgo faz uma nítida distinção entre "adorar" (a Deus)" e "venerar" (os santos), e eu vislumbro aqui uma subtileza: venerar uma imagem e venerar o que ela representa, não sei se é exatamente a mesma coisa! O "bezerro de ouro" do Antigo Testamento (Êxodo 32.1 – 6) não é a mesma coisa que a imagem de S. António, como objecto de culto! Quero crer que as estátuas não encarnam os "santos", antes os representam - e que é a este título que se compreende o louvor ou "veneração".

Então, "idolatria" ou simbologia? Pensando bem, a sacralização de ícones e símbolos existe igualmente na sociedade secular, ou seja fora das igrejas e templos. Todas as nações "veneram", por assim dizer, os seus símbolos fundadores. Uma bandeira é um pedaço de tecido, mas ninguém vê mal em mostrar reverência à sua bandeira, que os eleitos se inclinem perante ela, que a tropa lhe faça a continência! Porque aquele pedaço de pano simboliza a pátria, e à pátria devemos respeito. Entoamos de pé o hino nacional porque não é uma toada qualquer - é a voz da nação nos momentos solenes e nas competições internacionais! Qualquer caboverdeano se comove ao ver desfraldada a nossa bandeira lá fora; ao ouvir os nossos briosos "Tubarões Azuis" entoar o hino de Cabo Verde com a mão no peito.

É assim: os católicos louvam os seus "santos" como os cidadãos comuns reverenciam a bandeira. Em ambos os casos, estamos perante representações subliminares que transcendem simples objectos de pano ou de barro.

Mais um exemplo? O dinheiro - para os gananciosos, o mais "venerado" de todos os símbolos! A atração pelo dinheiro (que em demasia é cupidez) não o é pelos pedaços de papel ou de metal que circulam de mão em mão, mas sim pela riqueza, poder ou prosperidade que representam. Quando uma moeda ou nota bancária é retirada de circulação, já não interessa a ninguém, a não ser a algum coleccionador.

Icones e os símbolos só valem, pois, por aquilo que representam: um pedaço de pano representa uma nação, um pedaço de papel representa riqueza, uma estátua representa um herói... ou um santo!

Enfim - política, futebol e religião, cada um sabe de si... mas a tradição tem a pele dura: neste mês das festas juninas, o povo acredita que do alto dos seus andores, três santos nos contemplam!"


Mantenhas da terra-mãe, 19 de junho 2022

FONTE: FACEBOOK - DAVID LEITE - Mindelo Cabo Verde

segunda-feira, 25 de abril de 2022

O 'Dom da Graça' – da Teologia à Política




No século V da nossa era, “graça” foi um dos temas mais polêmicos que colocou o ‘Monge Pelágio’ e ‘Santo Agostinho’, em lados opostos.

Pelágio defendia que a ‘graça’ já está no homem de forma ‘suficiente’ de tal modo que bastava fazer bom uso do livre-arbítrio para realizar o bem.

Agostinho defendia que a ‘graça’ presente no homem depois da queda adâmica é ‘insuficiente’. Apenas a ‘graça eficaz’ regenera a vontade corrompida pela queda e possibilita o homem cooperar com Deus.

Os tomistas, defendiam uma posição mediana: Deus concede a todos os homens a ‘graça suficiente’, mas a alguns somente a ‘graça eficaz’ necessária para que a ‘graça suficiente’ produza seus frutos.

Essa polêmica foi retomada na França do séc. XVII entre jansenistas (herdeiros da tradição agostiniana) jesuítas (herdeiros da tradição pelagiana). Em verdade o que estava em jogo era da autossuficiência 'versus' insuficiência humana. A ‘graça’ era uma questão soteriológica (salvação). Em outras palavras, a controvérsia opunha o discurso afirmativo da autonomia humana 'contra' a tendência em desfavor dessa mesma autonomia.

Nesse novo cenário, Blaise Pascal deu um brilho permanente a esses debates teológicos, tendo redigido ‘Os escritos sobre a graça’, uma obra teológica em que manifesta sua aderência à posição jansenista contra o pelagianismo jesuítico.

Da Teologia francesa do século XVII a Política brasileira do séc. XXI, muita coisa mudou. Quem tinha o real poder de conceder a ‘graça’, foi relegado ao segundo Plano. Neste ‘continente’, o falso ‘Messias’ já pode conceder a graça a quem bem entender.

Conclusão: Pelágio 'ganhou' e Santo Agostinho perdeu. O homem 'ganhou' e Deus perdeu.

Caso queira aprofundar mais sobre o tema adquira meu livro: "Paradoxos da Condição Humana".



quarta-feira, 23 de março de 2022

Inscrições abertas para o VII Simpósio Internacional sobre Migração e Religião


 

Estão abertas as inscrições no VII Simpósio Internacional sobre Migração e Religião, cujo tema de 2022 é “Religião e migração na perspectiva da ecologia integral. Um olhar a partir da Pan-Amazônia”. O simpósio ocorre de 6 a 8 de junho na modalidade online.



Confira abaixo as regras completas para submissão de comunicações e envio de textos:

Promoção:

Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciência da Religião (PUC-SP)
Missão Paz – CEM (Centro de Estudos Migratórios – São Paulo)
SIMI – Scalabrini International Migration Institute (Roma)
Programa de Estudos Pós-Graduados em Ciências Sociais (PUC-SP)
Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Integral, seção Migrações e Refugiados, Vaticano

Comitê científico:

Aldo Skoda (SIMI, Roma), Edin Sued Abumansur (PUCSP), José Carlos Pereira (CEM, São Paulo), Paolo Parise (Missão Paz, São Paulo) e Lúcia Bógus (PUCSP).

Comissão organizadora:

Atilla Kus (PUC-SP), Bernadete A. de M. Marcelino (PUC-SP), Dulce Tourinho Baptista (PUC-SP), Eulálio A. Pereira Figueira (PUC-SP), Fernando Altemeyer Jr. (PUC-SP), Gioacchino Campese (SIMI, Roma), João Décio Passos (PUC-SP), José Carlos Pereira (CEM), Julio Gulin (UC-Chile), Lauro Bocchi (INCAMI), Lúcia Bógus (PUC-SP), Paolo Parise (Missão Paz), Sidney Dornelas (CEMLA-Argentina, Suzana Ramos Coutinho (PUC-SP), Wagner Lopes Sanchez (PUC-SP) e Wellington da Silva Barros (CEM).



PROGRAMAÇÃO:

6 DE JUNHO

09h – Abertura:

Profa. Dra. Carla Reis Longhi (diretora da Faculdade de Ciências Sociais, da PUCSP), Prof. Dr. Fábio Baggio (Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Integral, seção Migrações e Refugiados, Vaticano), Prof. Dr. Edin Sued Abumansur (PEPG-CRE PUC-SP), Prof. Dr. Paolo Parise (Missão Paz), e Prof. Dr. Aldo Skoda (SIMI, Roma).

09h30 – Evento cultural
10h – Conferência de Abertura: Migração, meio ambiente e religião. Uma perspectiva a partir da Pan-Amazônia
12h – Intervalo

14h – Painel 1: Panorama da migração venezuelana na América Latina Peru e Colômbia

– Trabalhadores transfronteiriços na tríplice fronteira – Profa. Dra. Vanessa Quintero Ríos (Universidade Nacional Aberta e à Distância – Colômbia)
– Realidade dos migrantes na fronteira amazónica entre Perú e Brasil – Carol Jeri Pezo (Responsável pela área social e de direitos humanos de Caritas Madre de Deus – Perú)
– Amazônia peruana – Deborah Delgado Pugley (Departamento de Ciências Sociais – PUC Perú)

15h30 – Intervalo
16h – Conferência: Ecologia integral e migrações
Prof. Dr. Fábio Baggio (Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Integral, seção Migrações e Refugiados, Vaticano)

7 DE JUNHO

8h10 – Evento Cultural

8h30 – Painel 2: Cone Sul e questão ecológica Chile e Argentina

Ocupação urbana do conurbano de Buenos Aires – século XX – Profa. Dra. Denise Ganza (Universidad de Buenos Aires – UBA)
Movimento Laudato Si’ – Silvia Alonso (Movimento Laudato Si’ – Argentina)
A unidade de vinculação e desenvolvimento comunitário da Universidade Católica – Profa. Maryon Urbina B. (PUC de Chile)
10h – Intervalo
10h30 – Conferência – Desafios internacionais da Pan-Amazônia
Prof. Dr. Virgílio Viana (Fundação Amazônia Sustentável)
12h – Intervalo
14h – Mesas de comunicações

8 DE JUNHO

8h10 – Evento cultural

8h30 – Painel 3: Desafios da ecologia integral para as religiões na Pan-Amazônia

Pentecostalismo – Prof. Dr. Moab César Carvalho Costa (Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão)
Religiões indígenas – Profa. Ms. Jama Wapichana
10h – Intervalo

11h00 – Painel 4: Interdisciplinaridade e intercuturalidade nas pesquisas sobre migração na Amazônia

“Brasivianos”: migrar, rezar e reexistir em trânsitos culturais – Profa. Dra. Geórgia Pereira Lima (Universidade Federal do Acre – UFAC – e PUC-SP).
Haitianos em Manaus: o papel da religião no processo de inserção socioreligiosa – Prof. Dr. Sidney Antonio da Silva (Universidade Federal do Amazonas -UFAM).
Roraima e novos atores nas dinâmicas de acolhimento das instituições religiosas – Prof. Dr. João Carlos Jarochinski Silva – (Universidade Federal de Roraima – UFRR).

12h – Intervalo

13h30 – Painel 5: Depoimentos de migrantes

15h30 – Conferência de encerramento: Prospectivas globais a partir da Pan-Amazônia. O papel das religiões
Prof. Dr. Juan José Tamayo (Universidade Carlos III de Madrid)
16h30 – Encerramento
Prof. Dr. Edin Sued Abumansur (PEPG-CRE PUC-SP), Prof. Dr. Paolo Parise (Missão Paz) e Prof. Dr. Aldo Skoda (SIMI, Roma).

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Dia Mundial da Religião: frases e mensagens para homenagens

 


No dia 21 de janeiro, comemora-se o Dia Mundial das Religiões. Acima de tudo, deseja-se que o respeito entre os diversos credos se imponha e que todos os povos possam se amar e cooperar por um mundo melhor. Desta forma, veja essas mensagens e envie para pessoas queridas:

Dia Mundial da Religião

"Cada pessoa tem a sua crença, seja vinda de berço, porque a vida a fez enxergar melhor e/ou porque ela aprendeu que era o melhor, mas seja como for, nós devemos amar e respeitar o próximo acima de tudo, não temos que ter preconceito quando se trata de religião. Pensando nisso, o dia 21 de janeiro comemora o Dia Mundial da Religião!"

"O dia mundial da religião é um dia para demonstrar sua fé e seu respeito por todas as religiões do mundo. Imponha o respeito que todos nós merecemos!"

"A fé move muitas pessoas e faz com que elas acreditem em si e na vida. Por isso, saiba respeitar mais todas as pessoas e as religiões delas, porque é isso que, muitas vezes, nos ajuda a seguir. Vamos comemorar esse Dia Mundial da Religião com muito amor e fé na humanidade!"

"Está na hora de passarmos a compreender melhor as pessoas e o porquê elas acreditam em certas coisas, o Dia Mundial da Religião foi criado exatamente por isso… Vamos comemorá-lo dando voz às pessoas e sabendo que devemos respeitá-las também!"

"No dia 21 de janeiro, não importa se a religião acredita em um Deus (monoteísta) ou em vários deuses e entidades (politeísta), quase todas buscam ter o mesmo objetivo: a paz e o respeito entre os seres, principalmente nos assuntos religiosos."

"Cada pessoa é livre para acreditar no que quer e seguir o que acha ser o melhor para si, não temos o direito de criticar nem querer induzir ninguém! Por isso, ame incondicionalmente e sem julgamentos, ainda mais quando se trata de religião. Hoje, no dia 21 de janeiro, é comemorado o Dia Mundial da Religião, ajude a quebrar todas as barreiras!"

"Precisamos aprender a ter mais tolerância uns com os outros. Muitas vezes, queremos obrigar os outros a crerem no que nós acreditamos ou não, mas isso não é uma atitude boa! Por isso, vamos aproveitar esse Dia Mundial da Religião e respeitar mais todas as pessoas, pois foi por isso que ele foi criado."


FONTE: CLIQUE AQUI

domingo, 19 de setembro de 2021

Filosofia e Religião são inimigas?

 


Não existe consenso generalizado entre os grandes estudiosos sobre a seguinte questão: "RELIGIÃO E FILOSOFIA SÃO INIMIGAS? 

A resposta pode ser sim, ou não, dependendo muito da filiação religiosa ou filosófica de cada um.

Porém, muitos acreditam que uma precisa da outra. 

Por que? 

A resposta é óbvia, pois, uma não existe sem a outra, ou seja, não existe religião sem uma base filosófica nem filosofia sem raízes religiosas. Sendo assim, uma vive da outra e ambas se influenciam dando sustentação mútua.

Os ataques contra a religião do ponto de vista científico ou filosófico são ataques de um ponto de vista religioso adverso. 

A colisão entre ciência natural e religião cristã é, na verdade, entre o instinto da religião natural, fundido na observação natural científica, e o valor da consciência cristã do Universo que garante ao espírito sua preeminência no mundo natural. Esse instinto é o próprio instinto da racionalidade.

Uma tradição puramente racionalista é tão impossível quanto uma tradição puramente religiosa. 

O idealismo crítico de Kant, por exemplo, é de origem religiosa, e para salvar a religião, Kant ultrapassou os limites da razão depois de dissolvê-la, em certo modo, no ceticismo. 

O sistema de antítese, contradições e antinomias sobre a qual Hegel constitui seu idealismo absoluto se origina em Kant e essa raiz é uma raiz irracional.


[Do sentido do trágico da Vida]
Unamuno

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Homem - um enigma ambulante


Na impossibilidade de sabermos alguma coisa com absoluta certeza sobre o que é o Homem, vários pensadores tomaram para si a tarefa de defini-lo, o que não é de todo pacífico, pois, sua natureza é diversa.

O filósofo estoico Epiteto de Hierápolis (c. 50-130 d. C.) enfatizava, sobretudo, a grandeza e a dignidade da natureza humana ignorando assim, suas respetivas misérias...

Para o monge agostiniano Martinho Lutero (1483-1546), o homem é um ser corrompido, envenenado e pecaminoso, sua natureza e essência são impuras...

Segundo o fundador da Ciência Política Moderna, Nicolau Maquiavel (1469-1527), o homem é mau por natureza, a menos que precise ser bom...

Ao contrário de Epiteto, o filósofo Michel de Montaigne (1513-1592), apontava a fraqueza, a debilidade e a miséria do homem engajado pela sua imaginação, volúvel e escravo da opinião pública, sujeito às doenças e à morte...

Para o francês Blaise Pascal (1623-1662), "o homem é um ser oco e cheio de lixo". Tomando Epiteto e Montaigne como referências, classifica o homem como um ser paradoxal, ou seja, um amontado de grandezas e misérias. Para ele, o homem não é, pois, senão disfarce, mentira e hipocrisia, quer em si mesmo, quer em relação aos outros. Não quer que se lhe diga a verdade, evita dizê-la aos outros...

Para o filósofo John Locke (1632-1704), o homem nasce como se fosse uma folha em branco e todo o processo do conhecer, do saber e do agir é aprendido através da experiência...

Contrariamente a Maquiavel, Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), acreditava que homem é bom por natureza, mas a sociedade o corrompe...

Para o filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860), o homem possui a consciência da sua vontade, mas essa vontade é cega, robusta e irracional, que carrega um aleijado que enxerga...

Para o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900), o homem é uma corda, atada entre o animal e o super-homem – uma corda sobre o abismo...

Agora é sua vez!

Consegue desvendar esse enigma que é o homem???

segunda-feira, 7 de junho de 2021

"Guernica Amazônica"




Triste realidade! "A Guernica Amazônica" é uma referência à obra do pintor espanhol Pablo Picasso que mostra o bombardeio dos Nazistas à pequena cidade de Guernica, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

O bombardeiro aconteceu no dia 26 de abril de 1937. Aviões alemães da Legião Condor destruíram quase completamente a cidade com cerca de 6 mil habitantes, ceifando a vida de 1660 pessoas e ferindo cerca de 890.

O quadro tem um significado político e é uma crítica à devastação causada pelas forças nazistas à semelhança do que está acontecendo com a Amazônia.

Portanto, qualquer semelhança da 'Guernica' de Picasso com a 'Guernica Amazônica' não é pura coincidência. No limite, o que muda é o método e os meios empregados para tal, mas, as intenções e os objetivos são os mesmos.


segunda-feira, 24 de maio de 2021

Congressos e Eventos na Área de Teologia e Ciência da Religião

 


 

1.SOTER 2021: julho de 2021<http://br936.teste.website/~sethco21/SOTER.ORG.BR/novosite/edicoes-2020-2021-23/edicoes-2020-2021-23

2.ANPTECRE 2021: 28 a 30 de Setembro de 2021<https://www.anptecre.org.br/index.php?pagina=grupo_conteudo&tela=30>.

3.Congresso latino-americano de Ciencia y Religion: 15 a 17 de setembro <https://fjs.ucc.edu.ar/curso.php?id=21629#:~:text=El%20X%20Congreso%20Latinoamericano%20de,y%20especialistas%20en%20otras%20disciplinas

4.Congresso ALALITE: 26, 27, 28 de outubro <https://www.congresoalalite2021.cl/

5.RELIGIOCOM – 1º Congresso Internacional de Comunicação e Religiões: 15 e 16 de junho de 2021 (Evento gratuito) < https://www.even3.com.br/religiocom2021/

6.Semana de Estudos de Religião UMESP 2021 (Evento gratuito): 9, 10 e 11 de novembro <www.estudosdereligiao.com.br>. 

7.Colóquio Internacional TEOTOPIAS - Cinquentenário do nascimento de Daniel Faria: <http://www.teotopias.org/2021-2/>. 

8.Semana Paul Tillich: setembro (Evento gratuito) <www.paultillich.com.br>. 

9.VII congresso latino-americano de gênero e religião: 24-27 de agosto <https://ava.est.edu.br/moodle/course/view.php?id=2376>. 

 

segunda-feira, 12 de abril de 2021

QUEM É O HOMEM?


O Homem já foi classificado de várias formas: "Zoon Politikon" Animal Político (Aristóteles); "Contratante Social" (Rousseau); "Caniço Pensante" (Pascal); "Homo Economicus" (manchesterianos); "Homo Sapiens" (Lineu) [...].

Mas, não é nenhum desses homens que me preocupa, mas sim, o "Homem de carne e osso" como diria Unamuno. Aquele que nasce, cresce, come, bebe, joga, dorme, pensa, mas, sobretudo, SOFRE E MORRE, só!

Esse homem que perdeu o medo do seu 'trágico' destino, principalmente, porque perdeu o senso de proteção da sua própria vida e a dos outros...

Esse homem que podemos chamar de "mamífero vertical" bípede (sem pernas), racional (sem cérebro/razão), humano (sem humanidade). Ou seja, "um ser oco e cheio de lixo" como diria Pascal. Esse sim, é motivo de preocupação...

Sejamos mais dignos, pois, Kant já dizia que “o valor do ser humano é a sua dignidade”. Ter dignidade significa: ter qualidade moral que infunde respeito, consciência do próprio valor, honra, autoridade, nobreza, elevação, respeito[...].

São homens desse tipo que estamos procurando como fazia Diógenes (Filósofo da Grécia Antiga) que andava com uma lanterna acesa durante o dia à procura de homens honestos...

Agora, além de procurarmos 'homens honestos' estamos a procura, principalmente, daqueles que queiram preservar a humanidade face a maior ameaça deste século até agora, a COVID-19.

E você, que tipo de homem se tornou? Qual é a cara que você carrega. Clarice Lispector diria que "depois de certo tempo cada um é responsável pela cara que tem". De toda a forma, o homem, como disse o gênio francês, não é nem anjo, nem animal, mas exibe características próprias de cada um...

Então, sejamos todos responsáveis, não só pela cara que carregamos, mas, pelo comprometimento com a raça humana.

Vamos nos proteger e proteger os outros! SEMPRE!