A Ciência da Religião é uma pesquisa empírica, histórica e sistemática da religião e de religiões. Abrange uma diversiade de disciplinas que analisam e apresentam religiões e fenômenos religiosos sob aspetos específicos.Tradicionalmente distinguem-se: Ciência da Religião Histórica [História da Religião] de Ciência da Religião Sistemática [Sistemática da Religião](HOCK,2010, p. 13)
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segunda-feira, 7 de junho de 2021
"Guernica Amazônica"
segunda-feira, 24 de maio de 2021
Congressos e Eventos na Área de Teologia e Ciência da Religião
1.SOTER 2021: julho
de 2021<http://br936.teste.website/~sethco21/SOTER.ORG.BR/novosite/edicoes-2020-2021-23/edicoes-2020-2021-23>
2.ANPTECRE 2021: 28
a 30 de Setembro de 2021<https://www.anptecre.org.br/index.php?pagina=grupo_conteudo&tela=30>.
3.Congresso latino-americano
de Ciencia y Religion: 15 a 17 de setembro <https://fjs.ucc.edu.ar/curso.php?id=21629#:~:text=El%20X%20Congreso%20Latinoamericano%20de,y%20especialistas%20en%20otras%20disciplinas>
4.Congresso ALALITE:
26, 27, 28 de outubro <https://www.congresoalalite2021.cl/>
5.RELIGIOCOM – 1º
Congresso Internacional de Comunicação e Religiões: 15 e
16 de junho de 2021 (Evento gratuito) < https://www.even3.com.br/religiocom2021/>
6.Semana de Estudos de Religião
UMESP 2021 (Evento gratuito): 9, 10 e 11 de novembro <www.estudosdereligiao.com.br>.
7.Colóquio Internacional
TEOTOPIAS - Cinquentenário do nascimento de Daniel Faria: <http://www.teotopias.org/2021-2/>.
8.Semana Paul Tillich:
setembro (Evento gratuito) <www.paultillich.com.br>.
9.VII congresso
latino-americano de gênero e religião: 24-27 de agosto <https://ava.est.edu.br/moodle/course/view.php?id=2376>.
segunda-feira, 12 de abril de 2021
QUEM É O HOMEM?
SOBRE O SENTIDO DA VIDA
sexta-feira, 2 de abril de 2021
A maldição das aglomerações
A atual crise existencial em que vivemos tem reflexos na política, na religião, na moral, na ética e nas infinitas formas com que nós nos relacionamos com os outros seres viventes. Essa crise faz com que nós não sejamos mais autores da nossa própria história, mas, apenas repetidores de padrões exteriores de comportamentos.
As conseqüências já são conhecidas,
pois, o Homem atual prefere a comodidade e a aprovação das massas ao protagonismo
do ‘Eu’. Esse Homem que esqueceu o seu ‘Eu’ reflete a incapacidade de lidar com
o sentimento de vazio que nos invadiu e corrói nossa existência a ponto de
querermos fugir de nós mesmos e procurar o amparo das multidões, ou seja, das grandes
aglomerações.
As multidões, como se sabe, têm como premissa
básica livrar-nos do tédio, da solidão e da angústia, estratégias mais do que
suficientes para alimentar nossa tendência a desviarmos de nós mesmos e
refugiar, em última instância, na estéril diversão, no jogo, na algazarra das
aglomerações, manifestações empíricas das nossas infinitas misérias existenciais.
No decorrer dos últimos tempos e,
especialmente, no último ano, fomos obrigados a aprender a conviver com a
tensão permanente entre a vida e a morte, o agora e o depois, o sim e o não, a
alegria e a tristeza, a harmonia e a desordem (...) paradoxos que só os que estão
agonizando numa CTI são capazes de superar, pois, nada além da vida é mais
importante.
Perante a luta pela vida, todos os
paradoxos dissolvem-se. Mas, apenas aqueles que dão por perdido a vida que não
merece ser vivida, a guardarão. Isso significa abrir mão das ilusões e das
distrações mundanas, das mais variadas formas de escapismos e das satisfações
fugazes desse breve instante que nos fomos convidados a permanecer na terra.
Precisamos urgentemente (re)descobrir esse
cenário cada vez mais complexo e desafiador em que cada biografia é feita de
lutas que não tem sua origem e destino no palco contingente da nossa telegráfica
existência.
Então, aproveitemos essa curta existência
e cuidemo-nos uns dos outros!
segunda-feira, 9 de novembro de 2020
Críticas à religião - Marilena Chauí
Declararam
também absurdo o antropomorfismo, uma vez que este reduz os deuses à condição
de seres super-humanos, isto é, as qualidades da essência divina não podem
confundir-se com as da natureza humana. Essas críticas foram retomadas e
sistematizadas por Platão, Aristóteles e pelos estoicos.
Uma
outra crítica à religião foi feita pelo grego Epicuro e retomada pelo latino Lucrécio.
A religião, dizem eles, é fabulação ilusória, nascida do medo da morte e da
Natureza. É superstição. No século XVII, o filósofo Espinosa retoma essa crítica,
mas em lugar de começar pela religião, começa pela superstição. Os homens, diz
ele, têm medo dos males e esperança de bens. Movidos pelas paixões (medo e
esperança), não confiam em si mesmos nem nos conhecimentos racionais para
evitar males e conseguir bens.
Passional ou irracionalmente, depositam males e bens em forças caprichosas, como a sorte e a fortuna, e as transformam em poderes que os governam arbitrariamente, instaurando a superstição. Para alimentá-la, criam a religião e esta, para conservar seu domínio sobre eles, institui o poder teológico-político.
Nascida do medo supersticioso, a religião está a serviço da tirania, tanto mais forte quanto mais os homens forem deixados na ignorância da verdadeira natureza de Deus e das causas de todas as coisas.
Essa diferença entre religião e verdadeiro conhecimento de Deus levou, no século XVIII, à ideia de religião natural ou deísmo. Voltando-se contra a religião institucionalizada como poder eclesiástico e poder teológico-político, os filósofos da Ilustração afirmaram a existência de um Deus que é força e energia inteligente, imanente à Natureza, conhecido pela razão e contrário à superstição.
Observamos, portanto, que as críticas à religião voltam-se contra dois de seus aspectos: o encantamento do mundo, considerado superstição; e o poder teológico-político institucional, considerado tirânico.
No século XIX, o filósofo Feuerbach criticou a religião como alienação. Os seres humanos vivem, desde sempre, numa relação com a Natureza e, desde muito cedo, sentem necessidade de explicá-la, e o fazem analisando a origem das coisas, a regularidade dos acontecimentos naturais, a origem da vida, a causa da dor e da morte, a conservação do tempo passado na memória e a esperança de um tempo futuro. Para isso, criam os deuses. Dão-lhes forças e poderes que exprimem desejos humanos. Fazem-nos criadores da realidade. Pouco a pouco, passam a concebê-los como governantes da realidade, dotados de forças e poderes maiores do que os humanos.
Nesse
movimento, gradualmente, de geração a geração, os seres humanos se esquecem de
que foram os criadores da divindade, invertem as posições e julgam-se criaturas
dos deuses. Estes, cada vez mais, tornam-se seres onipotentes, oniscientes e
distantes dos humanos, exigindo destes, culto, rito e obediência. Tornam-se
transcendentes e passam a dominar a imaginação e a vida dos seres humanos.
A análise de Feuerbach foi retomada por Marx, de quem conhecemos a célebre expressão: “A religião é o ópio do povo”. Com essa afirmação, Marx pretende mostrar que a religião – referindo-se ao judaísmo, ao cristianismo e ao islamismo, isto é, às religiões da salvação – amortece a combatividade dos oprimidos e explorados, porque lhes promete uma vida futura feliz. Na esperança de felicidade e justiça no outro mundo, os despossuídos, explorados e humilhados deixam de combater as causas de suas misérias neste mundo.
Todavia, Marx fez uma outra afirmação que, em geral, não é lembrada. Disse ele que “a religião é lógica e enciclopédia popular, espírito de um mundo sem espírito”. Que significam essas palavras?
Com elas, Marx procurou mostrar que a religião é uma forma de conhecimento e de explicação da realidade, usadas pelas classes populares – lógica e enciclopédia – para dar sentido às coisas, às relações sociais e políticas, encontrando significações – o espírito no mundo sem espírito -, que lhes permitem, periodicamente, lutar contra os poderes tirânicos.
Marx tinha na lembrança as revoltas camponesas e populares durante a Reforma Protestante, bem como na Revolução Inglesa de 1644, na Revolução Francesa de 1789, e nos movimentos milenaristas que exprimiram, na Idade Média, e no início dos movimentos socialistas, a luta popular contra a injustiça social e política.
Se por um lado na religião há a face opiácea do conformismo, há, por outro lado, a face combativa dos que usam o saber religioso contra as instituições legitimadas pelo poder teológico-político.
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Fonte:
CHAUÍ,
Marilena. Convite a filosofia. 12ª ed.
– São Paulo: Editora Ática, 2002.
quarta-feira, 4 de novembro de 2020
Religar-se – novo livro de Arlindo Rocha
[HESCHEL]
Por: Priscilla Lundstedt Rocha
sábado, 24 de outubro de 2020
Religar-se - Prefácio
Por: Eduardo Rodrigues da Cruz[1]
Assim, faz-se mister entender o que está em jogo nos processos religiosos contemporâneos, e não só do ponto de vista político-sociológico. É a esta tarefa que o livro Religar-se, do pesquisador cabo-verdiano Arlindo Nascimento Rocha, lança-se com vigor e persistência. A partir de sua experiência de muitos anos na abordagem da religião em várias perspectivas, o autor move-se com segurança entre diferentes disciplinas e temas.
Em doze capítulos, ele perpassa a ética, a história, a epistemologia e a antropologia que refletem o dinamismo da religião, e se dedica a temas como diversidade, tolerância e ensino religioso, religiões afro-brasileiras, magia e sua relação com a religião, e o significado do mito. Ao mesmo tempo, ele oferece interessantes indicações de como desenvolver a ciência da religião como campo de estudo.
É um autêntico tour-de-force, que instiga o leitor a um aprofundamento das ideias e conhecimentos apresentados aqui. Mesmo que o leitor não compartilhe de todas as posições apresentadas no livro, ele certamente passará a contar, após a leitura, com subsídios para formular opiniões bem fundamentadas.
São Paulo, 21/02/2019
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[1]Atualmente é professor titular da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – Departamento de Ciência da Religião. Tem experiência na área de Teologia e Ciência da Religião, com ênfase em Epistemologia da Ciência da Religião, Historia e Filosofia da Ciência, atuando principalmente nos seguintes temas: Fundamentos da Ciência da Religião, Ciência e Religião, Cultura Científica Moderna (em especial ligada ao transhumanismo), Ciência no século XXI e Religiões seculares.








